A avaliação do desempenho como primeiro critério para o despedimento é algo que poucos do arco da governação contestarão; a menos que sintam na pele os efeitos da meritocracia injusta e brutal que contaminou de vez processos como o SIADAP. No mundo empresarial, e ao que se vai percebendo, acontecem fenómenos semelhantes. A decisão unilateral do Governo beneficiará do silêncio do PS do passado, do actual, do que venha a caminho e até do que se movimente em Marte.
Apesar da repetição do óbvio ser um dever, também há limites. Nesse sentido, vou buscar um post que escrevi há dias para não ter que teclar o mesmo.
"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.
A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.
Esta democracia é uma fraude, um logro, uma farsa, um embuste. Por muitas patifarias que um qualquer governo faça, na legislatura seguinte alguns dos "patifes" encontram refúgio no Parlamento. Isso deve-se a um vergonhoso e antidemocrático sistema eleitoral que permite os chamados "lugares elegíveis". Vota-se em logotipos partidários em que o voto é uma espécie de cheque ao portador a favor de partidos que nomeiam quem querem, segundo critérios que nada devem ao mérito. E todos desejam manter esse "status quo". Por isso estamos entregues a esses medíocres e imberbes políticos de carreira. E é este "inconseguimento" democrático que nos gera um sentimento "frustracional", ao permitir partidos e governos "softpower", isto é, fracos perante a oligarquia de interesses instalada, vulgo clientelas. Fala-se muito em reformas estruturais incluindo a do Estado, mas a mais urgente é a do sistema eleitoral. Sem esta, as outras jamais avançarão. Enquanto nada mudar, terão sempre a minha abstenção. Nestas europeias, uma abstenção superior a 60% talvez faça com que os partidos tirem a "cabeça da areia" e ganhem, finalmente, vergonha.
ResponderEliminarDesculpe, o povo pode escolher outros que não o PS e o PSD (com o CDS à mistura). Se não escolhe é porque está bem com a ladroagem e a malfeitoria desses ladrões!
ResponderEliminarCompreende-se o desabafo.
ResponderEliminar