Se aceita o desafio, estude o exemplo que pode ler mais à frente e apresente-o como solução para as duas décadas de reformas estonteantes que flagelaram o sistema escolar.
Foi Confúcio quem disse mais ou menos o seguinte: "não sou um homem culto, apenas descobri o fio à meada". Cite-o, fica-lhe bem já que o pensador está em alta nas terras do mandarim, a propósito do emaranhado em que se afundou a discussão educativa em Portugal: municipalização, descentralização, desconcentração, autonomia, rankings, privatização, ensino cooperativo e afins.
E acrescente António Nóvoa: "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola; chega da escola transbordante". Os municípios, por exemplo, devem ser avaliados pelo número de munícipes subnutridos, que abandonam a escola cedo ou que não conseguem acompanhar as aulas.
Diga ainda que se deve devolver a escola aos seus profissionais que, com os representantes dos encarregados de educação, devem eleger um conselho directivo. O MEC deve ter um quadro orgânico sem tachos e depurado para o essencial (tratar dos programas e dos exames nacionais, da gestão orçamental, da organização da rede escolar, da simplificação dos procedimentos administrativos, da organização da rede de formação científica dos docentes e dos programas de avaliação externa das escolas de acordo com princípios modernos de gestão da informação).
O (prometido) exemplo que pode ler a seguir teve uma 1ª edição em 29 de Janeiro de 2009 na sequência de mais um relatório OCDE encomendado. Sei que é ousado apontar o exemplo como fio à meada. Sei que é também ousado certificar alguém como especialista instantâneo. Há uns anos li todos os livrinhos (filosofia, música, arte moderna, economia, sexo e ciência) que o Público editou advogando a imediata especialização e não dei o tempo por perdido.
Relatório.
Auditoria externa às escolas portuguesas promovida pelo seu moderno ministério da Educação.
Dimensão: organização e gestão escolar.
Domínio: sistemas de informação.
Indicador: registo das faltas dos professores.
Informação obtida:
- Escola A: um professor falta: o auxiliar de acção educativa (AAE) do respectivo bloco lança a ocorrência no mapa 3354.doc; o chefe dos AAE lança as ocorrências diárias verificadas em todos os blocos no mapa 3355.doc; a assistente administrava do sector de pessoal lança o produto das ocorrências semanais no mapa 3356.doc; a tesoureira lança o produto das ocorrências mensais na base de dados de pessoal e vencimentos (bdpv.xls).
- Escola B: um professor falta: o AAE do respectivo bloco lança a ocorrência, utilizando um dos terminais da rede informática, na base de dados de pessoal e vencimentos; o sistema notifica o professor respectivo.
Descritores com a respectiva pontuação (optou-se por lista de verificação):
- mapa 3354.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3354.doc não preenchido - 0 pontos;
- mapa 3355.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3355.doc não preenchido - 0 pontos;
- mapa 3356.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3356.doc não preenchido - 0 pontos
Somatório neste indicador a inserir no ranking das escolas de boas práticas:
- escola A - 30 pontos;
- escola B - 00 pontos.
Recomendação:
a observação registada na "Escola A" deve constar do relatório OCDE2.pt na mesma rubrica em que o relatório OCDE1.pt refere o seguinte:
"As principais alavancas do processo, tais como a Ministra e os Directores Regionais, não são funcionários públicos independentes, mas políticos nomeados e sintonizados com os objectivos da política governamental. São apoiados por serviços de dados actualizados ao minuto, que permitem uma tomada de decisão inteligente e bem informada."
Caricatura sem mácula de Confúcio, como convém.
Brilhante!!! Está mesmo muito bom!
ResponderEliminarGrande post Paulo!
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarObrigado.
ResponderEliminarExcelente, Paulo!
ResponderEliminarEstamos tão, tão "emaranhados"...
Obrigado Manuela.
ResponderEliminarSem dúvida.
Fantástico post. Parabéns.
ResponderEliminarObrigado.
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