sábado, 21 de fevereiro de 2015

quer ser um especialista instantâneo em gestão escolar e ainda citar confúcio?

 


 


 


 


Se aceita o desafio, estude o exemplo que pode ler mais à frente e apresente-o como solução para as duas décadas de reformas estonteantes que flagelaram o sistema escolar.


 


Foi Confúcio quem disse mais ou menos o seguinte: "não sou um homem culto, apenas descobri o fio à meada". Cite-o, fica-lhe bem já que o pensador está em alta nas terras do mandarim, a propósito do emaranhado em que se afundou a discussão educativa em Portugal: municipalização, descentralização, desconcentração, autonomia, rankings, privatização, ensino cooperativo e afins.


 


E acrescente António Nóvoa: "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola; chega da escola transbordante". Os municípios, por exemplo, devem ser avaliados pelo número de munícipes subnutridos, que abandonam a escola cedo ou que não conseguem acompanhar as aulas.


 


Diga ainda que se deve devolver a escola aos seus profissionais que, com os representantes dos encarregados de educação, devem eleger um conselho directivo. O MEC deve ter um quadro orgânico sem tachos e depurado para o essencial (tratar dos programas e dos exames nacionais, da gestão orçamental, da organização da rede escolar, da simplificação dos procedimentos administrativos, da organização da rede de formação científica dos docentes e dos programas de avaliação externa das escolas de acordo com princípios modernos de gestão da informação).


 


O (prometido) exemplo que pode ler a seguir teve uma 1ª edição em 29 de Janeiro de 2009 na sequência de mais um relatório OCDE encomendado. Sei que é ousado apontar o exemplo como fio à meada. Sei que é também ousado certificar alguém como especialista instantâneo. Há uns anos li todos os livrinhos (filosofia, música, arte moderna, economia, sexo e ciência) que o Público editou advogando a imediata especialização e não dei o tempo por perdido.


 


 



Relatório.


Auditoria externa às escolas portuguesas promovida pelo seu moderno ministério da Educação.


Dimensão: organização e gestão escolar.


Domínio: sistemas de informação.


Indicador: registo das faltas dos professores.


 


Informação obtida:


 



  • Escola A: um professor falta: o auxiliar de acção educativa (AAE) do respectivo bloco lança a ocorrência no mapa 3354.doc; o chefe dos AAE lança as ocorrências diárias verificadas em todos os blocos no mapa 3355.doc; a assistente administrava do sector de pessoal lança o produto das ocorrências semanais no mapa 3356.doc; a tesoureira lança o produto das ocorrências mensais na base de dados de pessoal e vencimentos (bdpv.xls).

  • Escola B: um professor falta: o AAE do respectivo bloco lança a ocorrência, utilizando um dos terminais da rede informática, na base de dados de pessoal e vencimentos; o sistema notifica o professor respectivo.


 


Descritores com a respectiva pontuação (optou-se por lista de verificação): 



  • mapa 3354.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3354.doc não preenchido - 0 pontos;

  • mapa 3355.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3355.doc não preenchido - 0 pontos;

  • mapa 3356.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3356.doc não preenchido - 0 pontos


 


Somatório neste indicador a inserir no ranking das escolas de boas práticas:



  • escola A - 30 pontos;

  • escola B - 00 pontos.


 


Recomendação


a observação registada na "Escola A" deve constar do relatório OCDE2.pt na mesma rubrica em que o relatório OCDE1.pt refere o seguinte:


 


"As principais alavancas do processo, tais como a Ministra e os Directores Regionais, não são funcionários públicos independentes, mas políticos nomeados e sintonizados com os objectivos da política governamental. São apoiados por serviços de dados actualizados ao minuto, que permitem uma tomada de decisão inteligente e bem informada."


 


 


confucius-cartoon.jpg


Caricatura sem mácula de Confúcio, como convém.


 


 


8 comentários: