"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma antiga verdade educativa. Por mais que os educandos reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelo destinatário.
Outra "verdade" é o "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente), que é da família do anterior, e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que há encarregados de educação que confundem o "outro" com o "igual" na relação com crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinhou Hannah Arendt. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.
A lógica do "cliente tem sempre razão", já entrou no léxico educativo há vários, impulsionada pela renovação destrutiva iniciada em 2005, para levar à proletarização e desvalorização social da classe docente, tornando-a dócil e manipulável. Esta lógica implementa a lógica empresarial na escola, que adota atitudes de marketing agressivo e publicidade negativa em relação às suas 'concorrentes', numa alegre competitividade desumana. Os 'clientes' utilizam esse estatuto para minar a autoridade docente e chantagear, de modo a dominar e satisfazer os seus interesses, tornando o professor não num agente educativo mas num mordomo...
ResponderEliminarSem dúvida.
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