terça-feira, 11 de julho de 2017

A escola é um funil? Olhe bem para a imagem

 


 


 


A figura da direita é maior? Não. Se medir, verá que são iguais. A impressão é dominada por uma poderosa, e afunilada, ilusão que explica o processo de selecção que administra a rede pública de escolas e a sociedade. A formação avançada de crianças e jovens, também na ciência, cultura ou desporto, assenta na cooperação em base alargada. Os funis aparecem mais tarde. Os funis precoces também explicam os números de insucesso e abandono escolares. Soube-se, hoje, que, "em 2014, a taxa de escolarização (em crianças) baixou dos 100% pela primeira vez em 20 anos". Também será penalizador o número crescente de alunos do ensino secundário que "desistem" do ensino regular. Fazem-no ao ver a precarização, e emigração, dos jovens adultos com ensino superior e a incapacidade do orçamento familiar (propinas, alojamento e alimentação). É uma opção pragmática, mas também uma selecção. O que é mais difícil de compreender é o sonoro aplauso político.


 


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Daniel Kahneman (2011:137), "Pensar, Depressa e Devagar".
Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

2 comentários:

  1. O funil continua a ser financeiro, especialmente no ensino superior.
    Com o cálculo de capitação usado na tugalândia, a maioria da população de classe média e baixa, é 'abastada'; logo, é recusado qualquer subsidio de apoio.
    Com o custo da habitação nas cidades que albergam as universidades, bem como os custos de frequência escolar, está feita a triagem.
    Acresce o vislumbre de ausência de saída profissional ou de uma saída precária e paga miseravelmente, que a conclusão de inutilidade de escolarização torna-se óbvia.

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