As escolas são alvos para promoções diversas. Por prestarem serviço público, vêem as recusas serem consideradas más vontades por parte dos mercados. Foi também assim que se construiu o insuportável caderno de encargos da escola actual.
Uma boa escola, com uma cultura organizacional respeitada pela comunidade, diz não com naturalidade. O contrário pode tornar a vida dos profissionais num inferno organizacional; por nada se recusar e, muitas vezes, por se permitir que os procedimentos sejam impostos de fora. É o que está a acontecer com o regime da fruta escolar. Duas vezes por semana, os alunos do primeiro ciclo têm direito a uma peça de fruta ou a um legume. Uma boa ideia. O que brada aos céus é o registo que se impõe aos professores, com a particularidade da distinção do nome do produto.
O caderno de encargos da escola é interminável e sufoca o ensino. Em Portugal tornou-se mesmo uma patologia. Não há criatura pensante que não se invista do dever de exigir à escola a resolução de problemas em Marte ou a compreensão das crianças Índigo.