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domingo, 28 de abril de 2013

dos aplausos a assis

 


 


 


 


 


Ouvi ontem na TSF uma parte, que incluiu o sistema escolar, do muito apaudido discurso de Francisco Assis no congresso do PS. O deputado elogiou o legado de Maria de Lurdes Rodrigues e, para não variar, apontou o dedo às dificuldades criadas pelas corporações. Já cansa. Era bom que Assis revisse o conceito de corporações e talvez concluísse que é mais corporativo do que os acusados.


 


Tem razão quando acusa a direita de ter cavalgado a onda das contestações. Mas esquece-se de dizer que a direita só lá chegou em 2008 (a um ano de eleições), porque antes aplaudia silenciosamente, e que a justa contestação foi iniciada por cidadãos das mais variadas ideologias e convicções. Francisco Assis devia evidenciar essa onda quase heróica (estou a pesar bem) e não se remeter a um exercício de revisionismo.


 


Mas quando se fala em legado de defesa da escola pública fala-se exactamente de quê?


 


Antes de mais, é importante sublinhar que os dirigentes do PS misturam nesse argumentário a ciência e o ensino superior. Francamente: o que de muito positivo os governos do PS fizeram nessas áreas foram políticas conduzidas por Mariano Gago. Tenho sérias dúvidas que esse ex-ministro subscreva o legado infernal de má burocracia, a forma obcecada como se tentou impor uma monstro de avaliação de professores ou, já em fim de ciclo, se decretou uma gestão escolar contra tudo e quase todos.


 


É evidente que o actual Governo prolongou a agonia da escola pública e acentuou-a em áreas determinantes. É verdade que sim. Está agora mais em causa o regresso a níveis impensáveis de abandono escolar e ouve-se muitas vezes o elogio das novas oportunidades. Como sempre se disse, a certificação de competências nestes níveis de escolaridade é um imperativo num país como o nosso. Mas foram os governos do PS que deram cabo da ideia com a febre da propaganda misturada com uma descarada manipulação de dados. Também aí estão por provar os elogios ao legado.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

da génese das corporações

 


 


 


 


Os ultraliberais do arco governativo passaram, e passam, o tempo a acusar os professores portugueses de corporativismo. Não é uma classificação que me desagrade, apesar da forma injusta como é usada já que se "promove" com frequência os deveres de cidadania e os méritos da defesa da escola pública e da profissionalidade dos professores. Como é que se cumpre esse dever cívico sem uns laivos de corporativismo é que gostava de saber. Saliente-se que os professores que mais se expõem nesse papel são os primeiros na autocrítica do grupo profissional ou da cultura organizacional das escolas.


 


Esses acusadores recorrem com frequência ao "pai do liberalismo". Ora, Adam Smith foi claro: as corporações nascem de grupos minoritários de indivíduos que impedem o acesso de outros à profissão - o exercício deveria, portanto e para não ser corporativo, ser mais alargado e gerar mais emprego - e que mantêm esses privilégios durante várias gerações.


 


No caso dos professores portugueses, a acusação em relação aos últimos anos carece de fundamentação. Já os lucros do capital dos empreendedores das cooperativas de ensino encostadas ao Estado português, e sem transparência, entra mais directamente na classificação corporativa.


 


 



 


Adam Smith (2010:169) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.