Talvez se encontre aqui uma solução para o problema financeiro que está e enlouquecer o ocidente; ou será antes a explicação para a origem dos tresloucados que destruíram a escola pública em Portugal?
O debate sobre o encerramento a eito de escolas por motivos económicos só agora começa. É incrível como se decidiu sem antes discutir o assunto. O impacto que tal medida pode ter na criação de zonas desertificadas tinha de ser ponderado. Os especialistas em geografia humana não negam a importância da reorganização da rede escolar, mas temem as consequências do fecho de escolas. Portugal vai desistindo do seu interior e tem vergonha em o assumir.
"Apesar de não questionarem a necessidade do reordenamento da rede escolar, especialistas em Geografia Humana dizem-se preocupados com o impacto do encerramento de escolas na coesão territorial. "Se abrir uma escola do Ensino Básico não inverte a tendência para a desertificação, fechá-la, em determinadas circunstâncias, pode ser o suficiente para matar uma aldeia", alerta João Ferrão, investigador da Universidade de Lisboa e ex-secretário de Estado do Ordenamento do Território.(...)"
Somos avessos ao que não é imediato. Para além disso, a geografia dificulta o enriquecimento através do mercado europeu e a demografia é um problema. Não ficamos ricos no mercado externo nem no interno. Somos poucos e pobres. Há séculos que é assim.
O desnorte na administração do país é uma constante. Ainda não consolidámos um quadro organizativo e já estamos a implementar outro. Temos fraca tradição de escolaridade e nos últimos anos acentuámos a desresponsabilização das famílias através de ideias como a escola a tempo inteiro.
Decidimos concentrar a população para acrescentar clientes. É a economia de custos e de escala. Instalou-se um processo uniforme de desertificação de grande parte do interior do território e de aglomeração populacional nos centros urbanos; isso é inquestionável.
Os fundos estruturais financiam boa parte do reordenamento. A necessidade de animação imediata da economia aguça o engenho. O tempo dirá do acerto das políticas. Para já, conhecem-se os sacrificados: as crianças que vão percorrer diariamente dezenas de quilómetros para chegar à escola e a sustentabilidade das zonas desertificadas.
O que surpreende, ou talvez não, é a ausência de discussão prévia na atmosfera mediática e política. Os problemas demográficos parecem até influir na criação de massa crítica.
Se se interessa por estas questões, não deixe de ler um excelente texto do Paulo Guinote; aqui.