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sábado, 10 de dezembro de 2016

do aumento da escala

 


 


 



A obsessão com o aumento da escala é a resposta apressada à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. Se isso não acontecer, o caos impor-se-á.


 


É imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático em todos os detalhes e, como diz Michael Sandel, repetir muitas perguntas do género:(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...). 


 


A globalização instalou-se.


 


Recordo uma boa entrevista (2013?) de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tinha cem milhões de consumidores na China. O autor avisava: quando o consumo dos seus produtos se banalizar, a empresa desaparecerá.


 


Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo; no sentido mais lato do termo.


 


 


(Já usei parte deste texto noutro post)


 

domingo, 24 de novembro de 2013

tudo indica

 


 


 


 


 


Tudo indica que a obsessão com o aumento da escala é a resposta aflita à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. O que se está a fazer nas nossas sociedades não é o melhor caminho para gerir as organizações. A anarquia impor-se-á em forma de caos, por muito interessante que seja o estudo dessa imagem organizacional.


 


Para além de ser imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático, será necessário consolidar as especificidades de cada organização e afirmar planos estratégicos no âmbito de um quadro de divisão administrativa do país que se identifique como moderno e razoável.


 


É fundamental definir de vez o papel dos municípios na gestão dos territórios. Não faz sentido que a participação das autarquias se exerça, por exemplo, em cada escola, agrupamento ou agregação. Deve focar-se nos Conselhos Municipais de Educação com um nível exigente de prestação de contas nas políticas de educação e nos números do abandono escolar.


 


Quase que só temos conseguido substituir a atomização desresponsabilizadora do centralismo pelo caciquismo local.


 


Se não formos capazes de civilizar as ideias de compromisso, de cooperação, de mobilização, de contrato e de poder democrático, andaremos muito, depressa e em aumento de escala, mas sem resultados positivos. Voltaremos atrás a sítios que nos pareceram seguros.


 


A denominada globalização instalou-se.


 


Ainda há tempos li uma boa entrevista de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tem cem milhões de consumidores na China. O autor avisa (no meio de outras reflexões): quando o consumo dos seus produtos se banalizar a empresa desaparecerá; a Nokia, por exemplo, deve andar a fazer muitas contas e quase que encerrou as portas.


 


Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo.


 


 


(Já usei parte deste texto noutro post)



quarta-feira, 24 de abril de 2013

bem antes da troika

 


 


 


 


 


Quando escrevi neste post que "(...)quando a coisa se generalizar na forma de centenas de mega-agrupamentos, organizados no quinquagésimo quadro de divisão do rectângulo e habitados por professores precários, a despesa humana será incontrolável e o abandono escolar ainda mais chocante(...)", estava a pensar no que existiu desde a mudança de milénio e na agenda inconfessada que foi forçando o descrédito das escolas do Estado porque o seu orçamento era demasiado apetitoso para não obedecer à pior lógica PPP.


 


Não é preciso pensar muito para perceber como os indicadores macro comovem os decisores políticos e como a pior tese "cooperativa de ensino" tenta sobreviver.


 


A babilónica organização administrativa do país e a dificuldade nos domínios da descentralização e da desconcentração do Estado, associada ao temor com a municipalização, atribuem créditos à ideia. Cria-se mais um quadro de divisão administrativa centralizado, que não seja concelhio nem distrital, e prepara-se terreno para o ensino low cost (patente registada pelo Paulo Guinote).


 


Numa democracia tem de existir espaço para o ensino privado, confessional ou mesmo na lógica "cooperativa de ensino" que adquire diversas nomenclaturas nas democracias.


 


O que é inadmissível na escolaridade obrigatória, e quiçá nos outros níveis, é a privatização de lucros à custa dos salários das pessoas e a contratação não escrutinada de professores pagos pelo orçamento do Estado.


 


 


 


Já usei parte deste texto noutro post.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

sobreaquecimento geral

 


 


 


 


 


 


Vi, ontem, com alguma atenção, o prós e contras sobre a reforma das autarquias. Constatei o sobreaquecimento da sociedade portuguesa e registei as analogias com a história deste milénio do sistema escolar.


 


Os decisores escudam-se, num caso e no outro, numa diminuição e em dois aumentos: racionalizar é o verbo escolhido para a subtracção e aumento da escala e da massa crítica para a adição. Encontram a resistência dos que, em anúncio de verdadeira dedicação à causa pública, denunciam a terraplenagem da história das instituições, defendem o insubstituível princípio da proximidade das relações e declararam a não percepção do que muda no modelo de gestão.


 


E é exactamente pela mudança nos procedimentos de gestão que tudo devia começar; mesmo antes de qualquer agregação. Sintomático da inacção é a adiada discussão sobre a alteração do modelo de gestão autárquico. É aí que se joga a verdadeira racionalização (objectivo decisivo se associado à defesa do bem comum) e que se pode captar o consenso.


 


Em ambos os sistemas é possível respeitar a história e gerir melhor.




Uma média cidade, por exemplo, pode ter uma Câmara Municipal e absorver as competências das Juntas de Freguesia inseridas no espaço urbano desde que o modelo de gestão respeite o sufrágio directo e universal e garanta a histórica divisão do território. O mesmo se pode aplicar à agregação de Câmaras ou de Juntas de Freguesia com outras características. Critérios como transparência de dados em tempo real, possibilidades de escrutínio de todas as decisões e agilidade da máquina organizativa municipal devem ser perseguidas.


 


O que mais me impressionou no sistema escolar foi a terraplenagem sobre a história das organizações e o desrespeito pelo tempo legislativo (deveria ser considerado tempo constitucional até para impedir o tempo de opinião pública vigente) dos mandatos dos diversos órgãos.




Concordemos ou não com um modelo de gestão (e dirigi vários anos uma escola pública sem concordar por aí além com o modelo e impus-me a não inscrição legal da limitação de mandatos), o que não é aceitável é deixar que o desespero se instale por ausência de antecipação e se argumente com as sedutoras escala e massa crítica. A relação de cada pessoa com as organizações passa mais pela transparência e pela informação disponibilizada em tempo real, do que pelo número de pessoas que necessitam da mesma informação.


 


A primeira escala num sistema moderno e razoável é a massa crítica constituída por todos os cidadãos de um país, pois garante um menor grau de imprecisão e sustenta a independência da nação, e a afirmação das idiossincrasias locais só pode partir dessa inicial e decisiva unidade.