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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

a 20 Kms da Zika

 


 


 


 


Moçambique festejou a independência (Junho de 1975) e mudei de nacionalidade por naturalidade (e naturalmente) e residência (sem direito a passaporte). Como constava (já em 1976) que os jovens da minha idade seriam enviados para a URSS, RDA ou Cuba para estudos superiores, a fuga como refugiado era a alternativa. Apesar do risco de denúncia, o passaporte português (ilegal, claro) era a única solução.


 


A viagem de Maputo para Lisboa tinha escala em Atenas e Geneve, durou bem mais do que o previsto e aterrou também na Beira (os guerrilheiros que entraram no avião para lerem muito devagar os nomes dos denunciados, que seriam enviados para campos de reeducação, demoraram a sair-me da memória), Dar es Salaam, Nairobi, Kampala e Londres.


 


As peripécias são inesquecíveis, mas fiquemos pelo percurso de madrugada entre Nairobi (Quénia) e Atenas (Grécia) num avião da East African Airlines a desfazer-se: bancos rasgados, barulho ensurdecedor, refeição intragável e humidade insuportável. Muito antes do destino, o avião iniciou uma descida e recebemos o aviso de que íamos aterrar: Entebbe, aeroporto de Kampala (Uganda). A maioria dos passageiros tinha o "estatuto" de refugiado, o Uganda era governado pelo ditador Idi Amin, com fama de antropófago, e uns meses antes tinha ocorrido por ali um raid israelita para resgatar um avião desviado. Temia-se o pior. O edifício do aeroporto era enorme, mas estava literalmente vazio; recordo-me das longas prateleiras sem qualquer objecto. Após horas de impasse, lá embarcámos num voo da British Airwais porque a East African não podia voar em espaço europeu e nós por pouco também não: é que a floresta Zika fica a 20 kms de Kampala.


 


entebbe-international-airport-runway1.jpg


 

sábado, 12 de setembro de 2015

o mundo ainda pula e avança?

 


 


 


 


"Jeremy Corbyn é o novo líder dos trabalhistas britânicos", integrou de imediato uma marcha de solidariedade com os refugiados, declarou que "(...)as coisas devem mudar e vão mudar. Não temos de ser desiguais, não tem de haver injustiça, a pobreza não é inevitável.(...)" e "(...)nas últimas semanas negou que fará uma "limpeza" no grupo parlamentar e que afastará aqueles que discordam dele, mostrando-se conciliatório e abrindo um futuro "governo sombra" a todas as alas do partido(...)".


 


Num momento historicamente sobreaquecido em que os arcos da governação europeia se renderam ao fim da história decretado pelo neoliberalismo, fechando os olhos à génese das hecatombes financeiras e dificultando mais a vida a tudo o que escape ao "politicamente correcto" (como é exemplo o processo dos refugiados), ainda é à esquerda que se encontram sinais "politicamente incorrectos" de quem não desiste de procurar um mundo melhor e mais justo. Mesmo que se saiba que não existem milagres e que foi também na esquerda que surgiram totalitarismos, há uma carga simbólica nestes acontecimentos que faz com que "o mundo pule e avance". Foi assim com Obama, foi assim recentemente na Grécia (Merkel abriu as portas aos refugiados também empurrada pelo incómodo de uma "repetição grega"), foi assim nas regionais espanholas e temos agora o Jeremy Corbyn nos trabalhistas britânicos. Bem sei que são, e mesmo com Obama, movimentos minoritários e que muitas vezes integram radicalismos arrogantes e não construtivos, mas é também assim que se acorda e embaraça, no mínimo isso, a "resignação" do restante espectro político.


 


jeremy-corbyn.jpg


 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

10.000 (dez mil)

 


 


 


Já entraram na Europa, como refugiadas, 10.000 (dez mil) crianças não acompanhadas pela família (número avançado na SICN).