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domingo, 3 de abril de 2016

da condição de protectorado

 


 


 


Portugal não se libertará tão cedo da condição de protectorado (Draghi no Conselho de Estado é mais um exemplo). Não se trata apenas da tímida Federação de Estados Europeus que permite a arrogância de alguns comissários sem legitimidade democrática.


 


O que mais surpreende é a venialidade às posições do errante FMI. O que é que se passa? O FMI, que nos dias pares confessa erros graves e nos ímpares "alarma-se" com qualquer sinal não austeritarista, publica relatórios inundados de lugares comuns e depois tem parangonas na abertura de telejornais? E é endeusado nos congressos da oposição? É espantosa, e misteriosa, a condição de protectorado (por exemplo, leia: FMI apanhado a planear nova bancarrota na Grécia; pode saber mais aqui).

domingo, 15 de novembro de 2015

Do exemplo grego e das fugas de capitais

 


 


 


"Levantam o fantasma da fuga de capitais e utilizam as "grandes lavandarias". Os fanatismos usam a trafulhice, fazem o que for preciso para manterem o poder e não hesitam em patrocinar actos terroristas", disse o filósofo húngaro István Mészáros a propósito da recente situação grega, da Europa e do mundo.


 


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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

da suspensão dos juízos, da prudência e do exemplo grego

 


 


 


A divergência argumentativa à volta da formação do Governo aconselhava a helénica suspensão dos juízos: a époché (estado de repouso mental (momento de dúvida) pelo qual nem afirmamos nem negamos); mas registo algumas impressões.


 


Espero, obviamente, que a democracia funcione.


 


Ouvi o ainda PR a ler a "exclusão" em nome do acesso restrito às benesses ilimitadas do arco. Escutei as réplicas dos partidos e lembrei-me dos gregos. Por exemplo, o BE disse na campanha que não era o Syriza depois de em Fevereiro rejubilar com os feitos. Talvez fosse avisada alguma prudência associada ao respeito pela coragem dos outros. O PS tem ainda recursos para não se pasokiizar e a CDU mantém-se na galáxia da irrefutabilidade.


 


Percebi que Relvas foi a Brasília "contratar o marqueteiro" (que também fez campanhas Menezes) que "criou" a PàF (que é diferente de PSD mais CDS) em articulação com Marco Costa e Passos Coelho. É o mesmo registo que anunciou ministros de um novo Governo logo na noite eleitoral antes sequer dos números definitivos e da vontade constitucional do PR e que vai demonstrando um manancial de habilidades equivalentes a um nível tecnológico bem em forma. Não lhes auguro grande futuro: a frente de direita não deve escapar ao efeito "nova democracia".


 


Voltando à époché; a suspensão dos juízos husserliana também é actividade, ou, no mínimo, um "repouso" activo que implica uma decisão do pensar: sim ou não? E isso é muito mais fácil para os "treinadores de bancada".


 


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"A Vida e a Morte" de Gustav Klimt.


 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

a democracia grega tem história

 


 


 


 


Os gregos decidiram-se por umas legislativas recentemente, fizeram a campanha eleitoral, votaram e três dias depois dão posse ao Governo. Por cá é o que sabemos e depois de tanta campanha e pré-campanha ainda acabamos com um Governo sem programa ou com copy-paste da amálgama anterior. Para além disso, no segundo trimestre de 2015, e com o Syriza a governar contra o resto da Europa, ou quase, os gregos cresceram quase o dobro de Portugal e as explicações podem estar no cartoon.


 


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domingo, 20 de setembro de 2015

da segunda vitória do syriza

 


 


 


Olhei para o lado simbólico na primeira vitória do Syriza do mesmo modo que sorri com as vitórias de Obama ou de Corbyn. Percebi que Tsipras e Varoufakis não tinham descido do Olimpo, que iam enfrentar os do "fim da história" numa batalha duríssima mas que nada seria como antes. O Syriza não tinha como plano B a saída do euro que seria um erro político "irreparável" e quiçá trágico. As derrotas do Syriza e de Tsipras e de Varoufakis foram em nome da coragem e da sensatez e os eleitores perceberam isso. Esta segunda vitória eleitoral do Syriza é um sinal de esperança para a Europa e esperam-se mudanças noutros países para que a política europeia seja, no mínimo, plural.


 

sábado, 12 de setembro de 2015

o mundo ainda pula e avança?

 


 


 


 


"Jeremy Corbyn é o novo líder dos trabalhistas britânicos", integrou de imediato uma marcha de solidariedade com os refugiados, declarou que "(...)as coisas devem mudar e vão mudar. Não temos de ser desiguais, não tem de haver injustiça, a pobreza não é inevitável.(...)" e "(...)nas últimas semanas negou que fará uma "limpeza" no grupo parlamentar e que afastará aqueles que discordam dele, mostrando-se conciliatório e abrindo um futuro "governo sombra" a todas as alas do partido(...)".


 


Num momento historicamente sobreaquecido em que os arcos da governação europeia se renderam ao fim da história decretado pelo neoliberalismo, fechando os olhos à génese das hecatombes financeiras e dificultando mais a vida a tudo o que escape ao "politicamente correcto" (como é exemplo o processo dos refugiados), ainda é à esquerda que se encontram sinais "politicamente incorrectos" de quem não desiste de procurar um mundo melhor e mais justo. Mesmo que se saiba que não existem milagres e que foi também na esquerda que surgiram totalitarismos, há uma carga simbólica nestes acontecimentos que faz com que "o mundo pule e avance". Foi assim com Obama, foi assim recentemente na Grécia (Merkel abriu as portas aos refugiados também empurrada pelo incómodo de uma "repetição grega"), foi assim nas regionais espanholas e temos agora o Jeremy Corbyn nos trabalhistas britânicos. Bem sei que são, e mesmo com Obama, movimentos minoritários e que muitas vezes integram radicalismos arrogantes e não construtivos, mas é também assim que se acorda e embaraça, no mínimo isso, a "resignação" do restante espectro político.


 


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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

o crescimento da Grécia um dia depois

 


 


 


 


 


Um dia depois de se saber que "a economia Grega cresceu, de forma surpreendente, 0,8% no segundo trimestre de 2015", os média portugueses ignoram o assunto. Dá que pensar, realmente, uma vez que os mesmos se apressam a anunciar números parecidos, 0,4% (1,5% homólogos), em Portugal. Há inúmeros trimestres que os gregos estavam em recessão. É espantoso que a economia grega apresente estes resultados num período conturbadíssimo em termos políticos com um Governo "excluído" pelos parceiros e pelos mercados. Há, desde logo, uma conclusão acertada: a malta dos casinos faz "crescer" quem quer e quando quer.


 


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Mumok museum. Ludwig goes pop. Viena. Agosto de 2015.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

da contenção sobre o caso grego

 


 


 


 


"A Alemanha não perdoou a ousadia grega e humilha-os", concordo com a frase que ouvi na TSF como também percebo o que Tsipras afirmou há dias: "Quem tiver uma solução alternativa que avance e diga qual é". Sabemos que os tempos são de vórtice informativo e que quem não for rápido não existe, mas tenho lido muita conclusão sobre um caso grego que ainda mal saiu do adro. É bom que alguma prosápia portuguesa seja contida, uma vez que não revelamos à superfície indicadores como os da "Grécia 2014", na imagem, porque o líder governativo Victor Gaspar só durou dois anos, porque a cena "do irrevogável" fragilizou o ímpeto além da troika e porque existe o "incómodo" Tribunal Constitucional.


 


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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Da Europa ao rubro

 


 


 


A maioria dos eleitores europeus (e dos eleitos) defende o euro como garante da paz, da solidariedade entre povos e dos restantes ideais europeus. Ou seja, pensam em política e desconhecem o amanhã em termos económicos e financeiros. Essa supressão do futuro, que arrasta os mais conscientes economistas, não impede conclusões fundamentadas sobre um passado recente em que a Europa austeritarista foi um erro grave que sucedeu a outro: um desenfreado investimento público estimulado por Bruxelas como fuga para a frente. Ambos foram respostas descontroladas à hecatombe bancária mundial de 2007 (é fundamental não esquecer). Enquanto a Europa enlouquecia e se dividia nas "soluções", os EUA e a Rússia assistiam com políticas expansionistas. O caos europeu chegou ao paradoxo "solidário" bem caricaturado na imagem ou nas inúmeras referências pela "turba dos valores" ao facto de gélido Schäuble se deslocar em cadeira de rodas. A discriminação na Europa da entrada do século XXI parece não ter limites e isso volta a colocar a política no lugar central do problema.


 


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terça-feira, 14 de julho de 2015

os gregos não tinham plano B?

 


 


 


"Se o Governo grego apresentasse um plano B com a saída do euro a maioria do Eurogrupo tinha provocado o Grexit", concordo com esta ideia. Há uma componente política que desesperou os defensores da tragédia austeritarista e que se acentuou nos que vão a votos entretanto. E acho uma certa piada aos "heróis" que acusam o Governo grego de capitulação. Mas há alguém que acha que é fácil ir às altas paradas do casino desafiar os falcões dominadores apoiados por inúmeros "bons alunos"? É bom não esquecer a herança grega de corrupção (e é também bom que os portugueses não se esqueçam das analogias com a Grécia, nomeadamente as "ruas de pobres" e a corrupção perpetrada pela bancocracia e pela partidocracia). Há um mérito grego inquestionável: "desmontou" o colete de forças do euro, oxigenou, como ninguém até aqui, uma alternativa e o tempo lá se encarregará de outras explicações.  


 


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o das ideias

 


 


 


 


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segunda-feira, 13 de julho de 2015

o triste caso português

 


 


 


"O Governo português é uma espécie de animal doméstico de estimação da Alemanha e não quero acreditar que o caderno eleitoral interno norteie as suas decisões", disse o sensato Pedro Santos Guerreiro do Expresso ontem na SICN. Esta triste figura histórica do Governo português teve hoje mais um episódio de bicos-de-pés e de falácia eleitoral que dará boas caricaturas: "Passos assume autoria da medida que permitiu acordo". É um vale tudo, realmente. Não tarda e era aquém da troika desde pequenino.

domingo, 12 de julho de 2015

do mérito do Governo grego

 


 


 


Os tempos não estão para deuses (a imagem ajuda) e o mérito do Governo grego parece concretizar-se: criar uma alternativa ao desastroso caminho único traçado pela Alemanha (claro que não ignoro os bancos e os casinos). Joga-se com o tempo, a França e a Itália já respiram e esperam-se mais corajosos. Os pequenos países como a Eslováquia, a Eslovénia, a Estónia, a Letónia ou a Lituânia parecem muito dependentes, mas é triste a figura dos aflitos aliados de Schäuble: verdadeiros Finlandeses, genuínos Holandeses, imaculados Irlandeses, incorruptíveis Espanhóis e autênticos Portugueses.


 


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sábado, 11 de julho de 2015

poema ao cuidado do eurogrupo

 


 


 


 


 


Uma lâmpada cheia de azeite vangloriava-se,


uma noite, perante os que passavam ao pé de si,


que era superior à estrela da manhã,


pois projectava uma luz mais forte que todas.


De repente, sacudida por um sopro de vento


que se levantou, apagou-se. Alguém, que a reacendeu,


disse-lhe: "Brilha, mas deixa-te estar calada, ó lâmpada;


a luz dos astros, essa, não morre".


 


 


Bábrio


 


 


 


 


Antologia da Poesia Grega Clássica.


Tradução e notas de Albano Martins.


Lisboa, Portugália Editora, 2009. p. 465.


 


 


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quarta-feira, 8 de julho de 2015

do papel de Juncker

 


 


 


"Temos um cenário de saída da Grécia preparado ao detalhe", disse ontem Juncker num papel inédito e que não se espera nas suas funções: o de verdadeiro esquentador. Já Passos Coelho apressou-se a ler a cartilha do "Portugal solidário", mas "bom aluno", exigente e cumpridor. Não sei se estes dirigentes brincam com o fogo, se pouco sabem da história ou se são "gerentes" da bancocracia; uma coisa é certa: são dos poucos que conhecem os dias seguintes do Grexit: "que os deuses nos protejam".

terça-feira, 7 de julho de 2015

grécia em portugal

 


 


 


 


Vi ontem Portas colérico e percebeu-se o desnorte. A maioria deve estar de cabeça perdida e a teoria 19-1 afónica.


 


No PS é o ora-sim-ora-não habitual. Correia de Campos fez, em 2010, uma síntese: conseguiu responsabilizar a melhoria do PISA 2009 (testes em Abril de 2009) com o desmiolado modelo de gestão escolar de Lurdes Rodrigues que só começou um mês depois.


 


A crónica desse tecnopolítico no Público de ontem é de arrepiar. O texto foi escrito antes do referendo grego e na presunção do sim. E anunciou uma certeza: "Na hora do voto, o pensionista e o funcionário público lembrar-se-ão das filas para alcançar três notas de vinte". Falhou redondamente o desejo e é arrasador para o carácter dos governantes gregos, como se pode ler na imagem.


  


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Por outro lado, o Expresso foi de uma parcialidade impressionante. Carlos César do PS levou um baixo por afirmar que "as propostas do Syriza não são radicais e que algumas até são iguais às do PS".


 


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A derrota do Syriza também seria de Costa. Já Passos ganharia de qualquer das formas e o resto foi paisagem.


 



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segunda-feira, 6 de julho de 2015

das atitudes de varoufakis

 


 


No dia seguinte à histórica vitória do não, Varoufakis demite-se com a seguinte argumentação: 


 



"Considero ser meu dever ajudar Alexis Tsipras a explorar o capital que o povo grego nos deu através do referendo. Irei arcar com o ódio dos credores com orgulho".



 


Estes gregos não páram de dar lições. É, realmente, um sinal de esperança. Há dias escrevi assim:


 



"É inigualável a grandeza de quem não se verga para não perder a liberdade. Percebeu-se, desde logo, que os governantes gregos não tinham descido do Olimpo e que estavam determinados a enfrentar a dívida colossal e os indicadores de miséria da Grécia. Revelaram-se preparados para ir ao casino da banca alemã e francesa (não esqueçamos os "Goldman Sachs") e jogar contra os DDT's deste mundo correspondendo ao apelo dos europeus que, contudo, consideravam o combate impossível e destinado ao fracasso na primeira esquina. Os governantes gregos estão a enfrentar o fim da história decretado pelo Eurogrupo. Compreendo os avanços e recuos e desejo que sejam bem sucedidos. Estão a tentar e não se refugiaram nos prognósticos no fim do jogo nem no "não há nada a fazer". Sem precipitações, os casinos assim o exigem, esperemos pelos próximos lances."