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quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Ainda Sobre Trump (1ª edição em 20 de Março de 2020)

Um texto recente de José Gil, no Público, talvez explique a queda da fanfarronice do presidente dos EUA:



"(...)Este medo é, sobretudo, o medo dos outros. O contágio vem inopinadamente, violentamente e ao acaso. Qualquer um, estrangeiro ou familiar, pode infectar-nos. O acaso e o contacto passam a ser perigo e ocasião de morte possível, e todo o encontro, um mau encontro. Neste sentido, o outro é o mal radical.(...)".



Ainda no Público, Yuval N. Harari afirma que 



“os humanos são agora muito mais poderosos do que os vírus e que políticos irresponsáveis, como Trump, têm minado a confiança na ciência e na cooperação internacional".



Em Homo Deus, na página 40, Harari tem um parágrafo muito oportuno:



"Se pensa que os fanáticos religiosos de olhar ardente e longas barbas são impiedosos, espere até ver do que são capazes antigos magnatas do retalho e vedetas de Hollywood envelhecidas assim que se convenceram de que o elixir da eterna juventude está ao seu alcance. Se, e quando, a ciência realizar avanços significativos na luta contra a morte, a verdadeira batalha sairá dos laboratórios para os parlamentos, os tribunais e as ruas. Assim que os esforços científicos obtiverem sucesso, eclodirão graves confrontos políticos. Todas as guerras e conflitos da História parecerão um tímido prelúdio quando comparados com a verdadeira batalha à nossa frente: a luta pela eterna juventude."


sábado, 9 de maio de 2020

A Escola na Ordem Política Moderna

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Se "a igualdade só pode ser assegurada mediante a restrição da liberdade dos mais abastados(...) e é possível analisar toda a história política do mundo desde 1789 como uma série de tentativas para reconciliar esta contradição", é fundamental acrescentar a ideia de equidade propondo uma igualdade justa para indivíduos livres. E, com este hiato sem escola presencial, pode cair-se na tentação de pensar que uma "nova" escola promoverá a equidade se priorizar apenas a ligação de todos os indivíduos à internet. Seria a "eliminação", sem a resolver, da escola pré-covid-19, o que dificultaria a aspiração equitativa depois da pandemia.


É que, e antes de mais, importa nunca esquecer que a escola será sempre um espelho social da sociedade (que voltará a enfrentar problemas graves). Por outro lado, tomemos como exemplo a "disputa" entre os livros em papel e em digital. Os primeiros afirmaram-se porque não têm a tecnologia como intermediária distractiva que reduz os níveis de concentração e abstracção. No mesmo domínio, esta vaga digital pode provocar, para alunos e professores, uma espécie de "nem querem ouvir falar disso, que ainda agravou o burnout dos segundos". E acrescente-se que essa saturação não preocuparia as gigantes tecnológicas que asseguram na educação uma crescente ligação de serviços digitais e não fazem da produção de conteúdos escolares o "coração do negócio".


Mas é ainda importante recordar que a escola na ordem política moderna é, e como se reforça nesta tentativa de regresso a 18 de Maio, o espaço das turmas, e das escolas, numerosas, dos horários ao minuto, da falta de professores e de outros profissionais, das carreiras assentes na avaliação kafkiana, da hiperburocracia e da mitigação da democracia e da proximidade. Se com a “quarta revolução industrial” os resultados na sociedade oscilarão entre o muito positivo e o caótico, com consequências no imperativo da equidade, há eixos sustentados em relação à escola do futuro – currículos, ofertas e programas de orientação profissional -, com uma inequívoca exigência para a dimensão civilizada, democrática, presencial e desburocratizada.

terça-feira, 24 de março de 2020

Da Natureza e de Trump

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Apesar das várias teorias da conspiração sobre o Covid-19, reforça-se a certeza: a natureza provocou a redução das emissões como uma primeira lição numa época da História em que a técnica atenua "a fome, as epidemias e as guerras". Para além disso, a possibilidade da imortalidade, e da eterna juventude, que dão sentido ao corpo organológico, ia numa ascensão tal que quem passeasse na "5ª avenida de Nova Iorque corria o risco de se cruzar com algum muito rico imortal"; embora ainda distante da eterna juventude. Contudo, percebeu-se que para Trump, um dos transeuntes da avenida, o que interessava era a sua imortalidade; com ou sem ciência. Aliás, a tentativa comprovada de comprar um laboratório alemão para obter a exclusividade da vacina é uma prova de uma mente alimentada a dólares e de um superego que preenche o coração. O artigo "Trump perdido na luta contra o coronavírus", de Ricardo Lourenço no Expresso, inscreve afirmações recentes e desconcertantes de Trump: "embuste" ; "estratégia dos inimigos para me fragilizarem"; "irá passar com o bom tempo, como um milagre"; "até 1 de Abril estamos salvos"; "temos controlo total sobre a situação". O presidente dos EUA é acusado de "falsas informações que atrasaram a reacção do Governo que poderia ter salvo vidas".


Dá ideia que a natureza, que está a ser cruel através do novo coronavírus, acelerou a técnica. E o cartoon de Ruben é suficiente, espera-se, para apelar aos "cientistas" bélicos de Trump: errem no azimute: em vez de dispararem para as eleições 2020, lancem o conteúdo para outro planeta algures fora da galáxia; e que as democracias aprendam a lição com tantos excessos e tanto offshore.


Nota: Um texto recente de José Gil, no Público, talvez explique a queda da fanfarronice do presidente dos EUA:



"(...)Este medo é, sobretudo, o medo dos outros. O contágio vem inopinadamente, violentamente e ao acaso. Qualquer um, estrangeiro ou familiar, pode infectar-nos. O acaso e o contacto passam a ser perigo e ocasião de morte possível, e todo o encontro, um mau encontro. Neste sentido, o outro é o mal radical.(...)".


sábado, 7 de março de 2020

A Escola do Futuro e a Solução Técnica 3D

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Controlamos "a fome, as epidemias e as guerras(...) e é provável que no século XXI os humanos empreendam uma tentativa séria de alcançar a imortalidade.(...) A abordagem da cultura e ciência modernas à morte é totalmente diferente(...): não a veem como um mistério metafísico(...), veem-na como um problema técnico que pode e deve ser resolvido" (em Homo Deus de Yuval N. Harari). Portanto, se já nem se equaciona que só não há solução para a finitude humana, por que razão transcendente é que não haverá uma solução técnica para resolver a escola? Tenho ideia que é uma questão de dimensões. A escola tem, e não é de agora, uma solução técnica 3D e a portuguesa refugia-se há tempo demasiado numa só.


Por exemplo, as dimensões da imagem - processo de ensino (1), escola como organização (2) e gestão da informação (3) - exigem que os decisores (onde se incluem os professores) sejam tridimensionais, mesmo quando se deslocam para um dos vértices: planear uma aula (1), requer o conhecimento das condições de realização (2) e da informação a fornecer ao sistema (3); fazer uma mudança curricular (2), implica o domínio da didáctica geral (1) e da informação a obter (e do modo de o fazer) (3); criar uma plataforma digital (3), exige conhecer a didáctica geral (1) e as condições de fornecimento da informação (2).


Ou seja, o problema técnico do Governo do nosso sistema escolar é a antiga navegação unidimensional, e exclusiva, na "escola organização". Agrava-se porque tem sido uma espécie de obsessão, instável e desorientadora, com a meta-escola: mais ou menos exames, mais ou menos currículo e programas, mais ou menos flexibilidade, inclusão ou administração do sucesso e excesso de procedimentos que provocam a repetição exaustiva na obtenção de dados. É como se não existisse processo de ensino e aprendizagem (daí a "fuga" ao real) nem gestão da informação (daí a hiperburocracia). No óbvio, e cíclico, insucesso das políticas, "reforma-se" desprezando uma comprovada e clássica ideia nuclear que resume a solução técnica 3D: num sistema escolar só se justifica o que sai da sala de aula para lá voltar.


Notas: Encontrei a imagem num resumo para o workshop "Modelo tridimensional de geometria variável" (quem chegar aqui pelo facebook encontra a ligação no blogue).


 

domingo, 5 de janeiro de 2020

Sociedade Plana

 


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Controlamos "a fome, as epidemias e as guerras" (em Homo Deus de Yuval N. Harari), mas enfrentamos desafios igualmente difíceis: migrações em massa, alterações climáticas ou ascensão de forças políticas extremistas. Para além disso, aumentam as desigualdades entre os mais ricos e os restantes porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada nem redistribuída. Não há crescimento económico que provoque a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque os governos não têm meios para contrariar o neoliberalismo em modo global e agrava-se porque a história da distribuição da riqueza é política. Apesar da globalização ter permitido esse inédito controle da fome, das epidemiais e das guerras, há uma ganância em roda livre. 


A história contemporânea inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedmanque derivou para um neoliberalismo de poderes não sufragados. A fuga aos impostos, inspirada na visão de que o capital privado exercia melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se" porque a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, abanaram o modelo offshores. Resta aos governos ocidentais taxar, com impostos directos e indirectos, as classes médias que pagam as dívidas e os juros que "aprisionam" os orçamentos dos estados. A prazo, as sociedades terão mais muito ricos (até 5% da população) e aumentarão exponencialmente os precarizados como membros de uma classe média baixa que não terá qualquer capacidade de poupança. Será uma sociedade plana, sem elevadores sociais, e vulnerável ao tal voto de protesto que se torna incontrolável quando toma o poder. É, de certo modo, semelhante às duas décadas que antecederam a segunda-guerra mundial e que registaram o florescimento da extrema-direita na Europa com os resultados que a história regista; e por optimistas que possamos ser com o controle da fome, das epidemias ou das guerras, são imprevisíveis as consequências da ascensão ao poder de forças de extrema-direita com os meios tecnológicos actuais e futuros. É que ainda por cima têm argumentos que deviam pesar a consciência do mainstream: acusam "Washington e Bruxelas de criarem uma sociedade de oligarcas e servos" e prometem estados-nações de cidadãos "com salário digno, propriedade e capital". Poderá ser como projecta Yuval N. Harari: "a história começou quando os homens inventaram deuses e terminará quando os homens se transformarem em deuses".


Nota: os mentores da sociedade plana recordam-me os defensores da terra plana, na imagem, que encontrei na internet: "para os defensores da Terra Plana, todos mentem: os astronautas, os cientistas, os media. São(...)também youtubers. E já ganham muito dinheiro com as suas teorias."