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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

É muito desigual a luta da democracia europeia contra os algoritmos das gigantes tecnológicas

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É muito desigual a luta da democracia europeia contra os algoritmos que as gigantes tecnológicas optimizam para viciarem os utilizadores de todas as idades. É desigual porque os algoritmos - que não identificam uma notícia falsa - viciam através do medo, do ódio e da irritação, que é exactamente o conjunto de conteúdos que historicamente interessa à extrema-direita. Aliás, há algoritmos das redes sociais concebidos para promover constantemente ideias de extrema-direita. Seleccionam para a visualização conteúdos racistas, anti-semitas e ofensivos e promovem a necessidade do líder único e "eterno" que trará a acalmia perante tanto ruído e acrimónia.


E como a extrema-direita consegue anexar a direita democrática e os grandes investidores - veja-se o exemplo, onde tudo começa, da administração americana, e do movimento MAGA, que anexou os republicanos e as gigantes tecnológicas -, coloca-se como um bloco contra todos os democratas.


De facto, os algoritmos ajudam a deslocar o centro de gravidade da política em direcção à extrema-direita, e o seu aparelho comunicacional vai-se alargando nos média. Descredibilizam qualquer acção opositora de esquerda. Em regra, classificam-na como ideológica e radical - até políticas que há pouco tempo eram de centro-esquerda ou sociais-democratas. Ou seja, a extrema-direita acicata o ódio e insulta, a direita democrática faz o jogo da densidade discursiva e os restantes democratas nada mais conseguem do que se justificar.


Agrava-se com a interferência digital das autocracias. Iniciou-se na Rússia e foi imitada em diversas latitudes por regimes chefiados por autocratas ricos que desviam fundos dos seus países para paraísos fiscais (e provavelmente para Portugal também, com incidência no imobiliário e nas infra-estruturas de turismo). É também assim que contornam as famigeradas sanções, gerando estruturas alternativas e ilegais para efectivar negócios.


A luta das democracias pela sobrevivência começou tarde, e se é que se iniciou verdadeiramente, porque mesmo os democratas informados estiveram demasiado tempo tecnologicamente inebriados por um intelectualismo vintage e pelas cedências ilimitadas aos mais ricos.


E o pior é que não seria a primeira vez que a democracia se apagava, e foi espantoso como, durante mais de uma década, houve quem o ignorou ou interesseiramente relativizou. Em 2020, e como exemplo, só em 2% das democracias é que 75% dos cidadãos estavam satisfeitos com o regime (leia-se Martin Wolf). E em simultâneo com esse crepúsculo, aumentou o número de territórios subjugados por autocracias e acentuou-se o risco de o poder cair, paulatinamente, em despotismos e delinquências. Veremos se foi fatal.


Há alguma esperança quando os eleitores, como se viu agora nos Países Baixos, começam a perceber que o discurso de ódio serve principalmente para esconder os negócios que avassaladoramente fazem dos ricos ainda mais ricos, e dos pobres ainda mais pobres, e com desinvestimento nas políticas públicas de saúde e educação.


Duas notas:


1. Numa das primeiras vezes que usei o chatgpt, em 07.02.2023, pedi-lhe um texto com 200 caracteres sobre a situação dos professores em Portugal. Mas pedi duas vezes: uma em tom moderado e outra em tom radical. E o algoritmo concretizou-o de imediato e com mestria. Para quem tivesse dúvidas, era o que se sabia há muito: os algoritmos das redes sociais identificavam o tom dos conteúdos e usavam os mais violentos, racistas, misóginos e xenófobos para adictar os utilizadores.


2. O partido da extrema-direita alemã é liderado por Alice Weidel. Alice é uma mulher loira, lésbica e casada com uma senegalesa negra. Os algoritmos tornaram-na popular entre os eleitores jovens no TikTok, principalmente homens. Ora sabe-se o que acontece a uma mulher com estas circunstâncias que seja de um qualquer partido europeu de esquerda.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

terça-feira, 29 de julho de 2025

Os historiadores preferem nacional-socialismo, duas palavras que dão origem a um movimento sinistro que integrou grande parte da elite cultural, económica, financeira e industrial da Alemanha

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Leia uma resposta de Pedro Paixão numa entrevista à revista do Expresso de 25 de julho de 2025 (página 37). Pedro Paixão foi "membro fundador de "“O Independente” em 1988, escritor da moda nos anos 1990 e professor de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa".



"E fica claro que não gosta do termo "nazi". Quer explicar a razão?


É uma palavra que nos desculpabiliza, uma narrativa segundo a qual um grupo de bestas, de doentes mentais, chamados "nazis", conseguiu dominar a população em geral. Os historiadores preferem nacional-socialismo, duas palavras que dão origem a um movimento sinistro que integrou grande parte da elite cultural, económica, financeira e industrial da Alemanha. Desde Heidegger a Konrad Lorenz e ao maestro Karajan, são às centenas. Os juristas, advogados, juízes, estudantes, professores, cientistas e médicos eram mais de metade dos membros do partido. Não compreender isto alivia-nos a consciência: a culpa é dos nazis e não de toda uma sociedade."



Ou seja, grande parte da elite cultural, económica, financeira e industrial da Alemanha esteve comprometida com o nacional-socialismo. Ter-se-á, naturalmente, arrependido, mas muitos sentirão que voltam a ter condições para defender os mesmos valores. Digamos que algo de semelhante acontece noutras sociedades europeias, incluindo a portuguesa. Por cá, muitos dos que se sentiam confortáveis com a ditadura entraram para os partidos do arco da governação ou exerceram outras formas de poder. Mas os valores não mudam com facilidade, como sempre se foi observando, e vão despertando quando sentem condições para o fazer. "(...)Não compreender isto alivia-nos a consciência: a culpa é dos nazis e não de toda uma sociedade.(...)". Claro que o adjectivo "toda" deve ser contextualizado.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Sociedade Plana

 


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Controlamos "a fome, as epidemias e as guerras" (em Homo Deus de Yuval N. Harari), mas enfrentamos desafios igualmente difíceis: migrações em massa, alterações climáticas ou ascensão de forças políticas extremistas. Para além disso, aumentam as desigualdades entre os mais ricos e os restantes porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada nem redistribuída. Não há crescimento económico que provoque a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque os governos não têm meios para contrariar o neoliberalismo em modo global e agrava-se porque a história da distribuição da riqueza é política. Apesar da globalização ter permitido esse inédito controle da fome, das epidemiais e das guerras, há uma ganância em roda livre. 


A história contemporânea inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedmanque derivou para um neoliberalismo de poderes não sufragados. A fuga aos impostos, inspirada na visão de que o capital privado exercia melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se" porque a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, abanaram o modelo offshores. Resta aos governos ocidentais taxar, com impostos directos e indirectos, as classes médias que pagam as dívidas e os juros que "aprisionam" os orçamentos dos estados. A prazo, as sociedades terão mais muito ricos (até 5% da população) e aumentarão exponencialmente os precarizados como membros de uma classe média baixa que não terá qualquer capacidade de poupança. Será uma sociedade plana, sem elevadores sociais, e vulnerável ao tal voto de protesto que se torna incontrolável quando toma o poder. É, de certo modo, semelhante às duas décadas que antecederam a segunda-guerra mundial e que registaram o florescimento da extrema-direita na Europa com os resultados que a história regista; e por optimistas que possamos ser com o controle da fome, das epidemias ou das guerras, são imprevisíveis as consequências da ascensão ao poder de forças de extrema-direita com os meios tecnológicos actuais e futuros. É que ainda por cima têm argumentos que deviam pesar a consciência do mainstream: acusam "Washington e Bruxelas de criarem uma sociedade de oligarcas e servos" e prometem estados-nações de cidadãos "com salário digno, propriedade e capital". Poderá ser como projecta Yuval N. Harari: "a história começou quando os homens inventaram deuses e terminará quando os homens se transformarem em deuses".


Nota: os mentores da sociedade plana recordam-me os defensores da terra plana, na imagem, que encontrei na internet: "para os defensores da Terra Plana, todos mentem: os astronautas, os cientistas, os media. São(...)também youtubers. E já ganham muito dinheiro com as suas teorias."

domingo, 12 de janeiro de 2014

Extrema-direita defende redução da escolaridade

 


 


 


A extrema-direita portuguesa, que constitui a quase totalidade do CDS-PP, uma parte algo numerosa das bases do PSD e uma fatia invisível, mas influente, do PS, defendeu este fim-de-semana a redução da escolaridade obrigatória, chegando a usar como argumento o desperdício da escolaridade para as pessoas de etnia cigana.


 


A extrema-direita portuguesa chegou ao governo em 2003 pela mão de D. Barroso e consegue, como uma votação que varia entre os 5% e os 12%, ter como reféns os dois grandes partidos do trágico arco da governação (o CDS-PP exibe uma centralidade democrata-cristã como máscara da direita radical). Esta tríade que levou o país a mais uma bancarrota e que partilha a corrupção nos aparelhos partidários, beneficia de um amplo consenso nas "elites" que inclinam o país para a direita ao mesmo tempo que ameaçam com a tragédia despesista de uma hipotética governação à esquerda através do perigo, veja-se lá, da radicalidade.


 


Esta herança da última ditadura é abençoada e não consegue ser desmontada com significado eleitoral à esquerda. A esquerda mantém os seus radicais ostracizados, não transmite aos eleitores confiança num exercício maduro e responsável e tem contornos surreais, como se viu depois das últimas autárquicas, onde proliferaram as coligações do PCP com o PSD (até da tal ala mais radical). Dá ideia que andaremos assim até à próxima bancarrota (leia-se saque aos salários e pensões das classes média e baixa, porque a bancarrota é uma constante) e com retrocessos civilizacionais como se evidenciou na proposta da escolaridade.