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terça-feira, 24 de março de 2026

quarta-feira, 18 de março de 2026

Até a IA se pode ter atrasado

 


A sensação é de que caminhamos vertiginosamente para um mundo distópico onde a IA selecionará alvos e disparará. É pesquisar por Anthropic Claude ou, e num sentido mais amplo, por BlackRock, Vanguard e State Street, ou principalmente pela "monarquia tecnológica" constituída por Curtis Yarvin, Peter Thiel, Elon Musk e Nick Land. As Big Tech, as GAFAM - Google, Apple, Facebook. Amazon e Microsoft - já são um nível inferior de poder. Aliás, impressiona a narrativa sobre a tragédia que atingiu uma escola no Irão onde morreram cerca de duas centenas de pessoas (as crianças e os seus professores). Deixa no ar a ideia de que na nuvem tudo é possível.
E se já se sabia que a democracia mais poderosa do mundo caiu nas mãos da alucinação que se alimenta do ódio, da misoginia, da xenofobia, da provocação, da fanfarronice, da divisão, do racismo, do tudo fazer para irritar com patetices e da mentira incendiária como modo de vida para encher diariamente a agenda mediática, percebe-se agora ainda melhor que o modelo transacional é a prática despudorada de negócios em benefício dos seus e dos seus amigos. Ou seja, ricos cada vez mas ricos e pobres e remediados cada vez mais pobres que votam na regateirice e na venda de banha da cobra convencidos que estão a protestar e que não estão a votar no pior do sistema. Tornou-se insuportável assistir a tamanha monstruosidade, que inclui bombardeamentos "apenas por diversão" - "just for fun", nas palavras do adolescente retardado e estadista do Capitólio -, e não surpreenderá tudo o que se venha a confirmar sobre as ligações fatais destes políticos. 
A esperança ainda reside na justiça norte-americana, nos tais poderes e contra-poderes e no peso na consciência dos republicanos. Espera-se que não cheguem demasiado tarde, já que o universo político-mediático repete detalhes preocupantes: desde o "direito internacional que deve ser lido com pragmatismo" até às atenuações semânticas do rapto de Maduro ou do assassinato de Ali Khamenei (e isso independentemente dos juízos que se façam dos dois regimes). De facto, as mentes ocidentais vão sendo paulatinamente anestesiadas e moldadas à distopia. Há, na verdade, lugar para as expectativas mais pessimistas. Como escreve Daniel J. Solove no cartoon (traduzi o texto e agradeço a quem me enviou o desenho por email devidamente identificado), até a IA se pode ter atrasado.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Ligações muito perigosas




"O deputado do Chega Rui Afonso, líder distrital do partido no Porto, é suspeito de inscrever elementos do movimento neonazi 1143 e comprar votos para disputas eleitorais internas."

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

É muito desigual a luta da democracia europeia contra os algoritmos das gigantes tecnológicas

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É muito desigual a luta da democracia europeia contra os algoritmos que as gigantes tecnológicas optimizam para viciarem os utilizadores de todas as idades. É desigual porque os algoritmos - que não identificam uma notícia falsa - viciam através do medo, do ódio e da irritação, que é exactamente o conjunto de conteúdos que historicamente interessa à extrema-direita. Aliás, há algoritmos das redes sociais concebidos para promover constantemente ideias de extrema-direita. Seleccionam para a visualização conteúdos racistas, anti-semitas e ofensivos e promovem a necessidade do líder único e "eterno" que trará a acalmia perante tanto ruído e acrimónia.


E como a extrema-direita consegue anexar a direita democrática e os grandes investidores - veja-se o exemplo, onde tudo começa, da administração americana, e do movimento MAGA, que anexou os republicanos e as gigantes tecnológicas -, coloca-se como um bloco contra todos os democratas.


De facto, os algoritmos ajudam a deslocar o centro de gravidade da política em direcção à extrema-direita, e o seu aparelho comunicacional vai-se alargando nos média. Descredibilizam qualquer acção opositora de esquerda. Em regra, classificam-na como ideológica e radical - até políticas que há pouco tempo eram de centro-esquerda ou sociais-democratas. Ou seja, a extrema-direita acicata o ódio e insulta, a direita democrática faz o jogo da densidade discursiva e os restantes democratas nada mais conseguem do que se justificar.


Agrava-se com a interferência digital das autocracias. Iniciou-se na Rússia e foi imitada em diversas latitudes por regimes chefiados por autocratas ricos que desviam fundos dos seus países para paraísos fiscais (e provavelmente para Portugal também, com incidência no imobiliário e nas infra-estruturas de turismo). É também assim que contornam as famigeradas sanções, gerando estruturas alternativas e ilegais para efectivar negócios.


A luta das democracias pela sobrevivência começou tarde, e se é que se iniciou verdadeiramente, porque mesmo os democratas informados estiveram demasiado tempo tecnologicamente inebriados por um intelectualismo vintage e pelas cedências ilimitadas aos mais ricos.


E o pior é que não seria a primeira vez que a democracia se apagava, e foi espantoso como, durante mais de uma década, houve quem o ignorou ou interesseiramente relativizou. Em 2020, e como exemplo, só em 2% das democracias é que 75% dos cidadãos estavam satisfeitos com o regime (leia-se Martin Wolf). E em simultâneo com esse crepúsculo, aumentou o número de territórios subjugados por autocracias e acentuou-se o risco de o poder cair, paulatinamente, em despotismos e delinquências. Veremos se foi fatal.


Há alguma esperança quando os eleitores, como se viu agora nos Países Baixos, começam a perceber que o discurso de ódio serve principalmente para esconder os negócios que avassaladoramente fazem dos ricos ainda mais ricos, e dos pobres ainda mais pobres, e com desinvestimento nas políticas públicas de saúde e educação.


Duas notas:


1. Numa das primeiras vezes que usei o chatgpt, em 07.02.2023, pedi-lhe um texto com 200 caracteres sobre a situação dos professores em Portugal. Mas pedi duas vezes: uma em tom moderado e outra em tom radical. E o algoritmo concretizou-o de imediato e com mestria. Para quem tivesse dúvidas, era o que se sabia há muito: os algoritmos das redes sociais identificavam o tom dos conteúdos e usavam os mais violentos, racistas, misóginos e xenófobos para adictar os utilizadores.


2. O partido da extrema-direita alemã é liderado por Alice Weidel. Alice é uma mulher loira, lésbica e casada com uma senegalesa negra. Os algoritmos tornaram-na popular entre os eleitores jovens no TikTok, principalmente homens. Ora sabe-se o que acontece a uma mulher com estas circunstâncias que seja de um qualquer partido europeu de esquerda.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

terça-feira, 29 de julho de 2025

Os historiadores preferem nacional-socialismo, duas palavras que dão origem a um movimento sinistro que integrou grande parte da elite cultural, económica, financeira e industrial da Alemanha

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Leia uma resposta de Pedro Paixão numa entrevista à revista do Expresso de 25 de julho de 2025 (página 37). Pedro Paixão foi "membro fundador de "“O Independente” em 1988, escritor da moda nos anos 1990 e professor de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa".



"E fica claro que não gosta do termo "nazi". Quer explicar a razão?


É uma palavra que nos desculpabiliza, uma narrativa segundo a qual um grupo de bestas, de doentes mentais, chamados "nazis", conseguiu dominar a população em geral. Os historiadores preferem nacional-socialismo, duas palavras que dão origem a um movimento sinistro que integrou grande parte da elite cultural, económica, financeira e industrial da Alemanha. Desde Heidegger a Konrad Lorenz e ao maestro Karajan, são às centenas. Os juristas, advogados, juízes, estudantes, professores, cientistas e médicos eram mais de metade dos membros do partido. Não compreender isto alivia-nos a consciência: a culpa é dos nazis e não de toda uma sociedade."



Ou seja, grande parte da elite cultural, económica, financeira e industrial da Alemanha esteve comprometida com o nacional-socialismo. Ter-se-á, naturalmente, arrependido, mas muitos sentirão que voltam a ter condições para defender os mesmos valores. Digamos que algo de semelhante acontece noutras sociedades europeias, incluindo a portuguesa. Por cá, muitos dos que se sentiam confortáveis com a ditadura entraram para os partidos do arco da governação ou exerceram outras formas de poder. Mas os valores não mudam com facilidade, como sempre se foi observando, e vão despertando quando sentem condições para o fazer. "(...)Não compreender isto alivia-nos a consciência: a culpa é dos nazis e não de toda uma sociedade.(...)". Claro que o adjectivo "toda" deve ser contextualizado.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Sociedade Plana

 


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Controlamos "a fome, as epidemias e as guerras" (em Homo Deus de Yuval N. Harari), mas enfrentamos desafios igualmente difíceis: migrações em massa, alterações climáticas ou ascensão de forças políticas extremistas. Para além disso, aumentam as desigualdades entre os mais ricos e os restantes porque a riqueza acumulada numa minoria não é taxada nem redistribuída. Não há crescimento económico que provoque a "maré enchente que subirá todos os barcos" porque os governos não têm meios para contrariar o neoliberalismo em modo global e agrava-se porque a história da distribuição da riqueza é política. Apesar da globalização ter permitido esse inédito controle da fome, das epidemiais e das guerras, há uma ganância em roda livre. 


A história contemporânea inscreve o triunfo do liberalismo de Milton Friedmanque derivou para um neoliberalismo de poderes não sufragados. A fuga aos impostos, inspirada na visão de que o capital privado exercia melhor a responsabilidade social do que os estados, "deslegitimou-se" porque a crise de 2008 - e os processos "leaks" -, abanaram o modelo offshores. Resta aos governos ocidentais taxar, com impostos directos e indirectos, as classes médias que pagam as dívidas e os juros que "aprisionam" os orçamentos dos estados. A prazo, as sociedades terão mais muito ricos (até 5% da população) e aumentarão exponencialmente os precarizados como membros de uma classe média baixa que não terá qualquer capacidade de poupança. Será uma sociedade plana, sem elevadores sociais, e vulnerável ao tal voto de protesto que se torna incontrolável quando toma o poder. É, de certo modo, semelhante às duas décadas que antecederam a segunda-guerra mundial e que registaram o florescimento da extrema-direita na Europa com os resultados que a história regista; e por optimistas que possamos ser com o controle da fome, das epidemias ou das guerras, são imprevisíveis as consequências da ascensão ao poder de forças de extrema-direita com os meios tecnológicos actuais e futuros. É que ainda por cima têm argumentos que deviam pesar a consciência do mainstream: acusam "Washington e Bruxelas de criarem uma sociedade de oligarcas e servos" e prometem estados-nações de cidadãos "com salário digno, propriedade e capital". Poderá ser como projecta Yuval N. Harari: "a história começou quando os homens inventaram deuses e terminará quando os homens se transformarem em deuses".


Nota: os mentores da sociedade plana recordam-me os defensores da terra plana, na imagem, que encontrei na internet: "para os defensores da Terra Plana, todos mentem: os astronautas, os cientistas, os media. São(...)também youtubers. E já ganham muito dinheiro com as suas teorias."

domingo, 12 de janeiro de 2014

Extrema-direita defende redução da escolaridade

 


 


 


A extrema-direita portuguesa, que constitui a quase totalidade do CDS-PP, uma parte algo numerosa das bases do PSD e uma fatia invisível, mas influente, do PS, defendeu este fim-de-semana a redução da escolaridade obrigatória, chegando a usar como argumento o desperdício da escolaridade para as pessoas de etnia cigana.


 


A extrema-direita portuguesa chegou ao governo em 2003 pela mão de D. Barroso e consegue, como uma votação que varia entre os 5% e os 12%, ter como reféns os dois grandes partidos do trágico arco da governação (o CDS-PP exibe uma centralidade democrata-cristã como máscara da direita radical). Esta tríade que levou o país a mais uma bancarrota e que partilha a corrupção nos aparelhos partidários, beneficia de um amplo consenso nas "elites" que inclinam o país para a direita ao mesmo tempo que ameaçam com a tragédia despesista de uma hipotética governação à esquerda através do perigo, veja-se lá, da radicalidade.


 


Esta herança da última ditadura é abençoada e não consegue ser desmontada com significado eleitoral à esquerda. A esquerda mantém os seus radicais ostracizados, não transmite aos eleitores confiança num exercício maduro e responsável e tem contornos surreais, como se viu depois das últimas autárquicas, onde proliferaram as coligações do PCP com o PSD (até da tal ala mais radical). Dá ideia que andaremos assim até à próxima bancarrota (leia-se saque aos salários e pensões das classes média e baixa, porque a bancarrota é uma constante) e com retrocessos civilizacionais como se evidenciou na proposta da escolaridade.