Passos Coelho mentiu na campanha eleitoral. Disse, por exemplo, que era um disparate falar-se em cortes nos subsídios e foi o que se viu. Fê-lo também em relação ao sistema escolar e cavalgou, a exemplo de Nuno Crato no plano inclinado, a onda de contestação que os professores a muito custo sustentaram.
A ideologia radical do actual Governo tem adeptos que não saem do mundo das ilusões. Da ilusão ao radicalismo vai um pequeno passo.
Quando se pensa no futuro, imaginam-se as alternativas. O PS deu hoje um sinal que espera por isso a curto prazo. A polémica sobre a ADSE parece dividir o partido da rosa. Já li especialistas a fazerem laudos ao sistema e outros, como Beleza e Correia de Campos, no sinal contrário. Não consigo situá-los em relação ao trágico legado de Sócrates no sistema escolar (que tem algumas semelhanças com o que se passa na saúde). O que intuo é que a citada herança demora a ser engavetada de vez. É uma teimosa ilusão que se assemelha à que sustenta a tragédia em curso.
Por vezes, e por mais que se evidenciam os efeitos, o fanatismo partidário e os interesses que o movem não permitem ver para além disso e constroem um desastroso cimento.
Daniel Kahneman (2011:39), "Pensar, Depressa e Devagar", Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa, tem uma explicação.
O PS apenas tem os olhos postos em futuras eleições, pelo que não quer ouvir falar em cortes e não se quer comprometer com nada.
ResponderEliminarQuanto às intenções de Passos Coelho na campanha eleitoral, há algo que é preciso ter em conta: a contextualização histórica. Mas, alguém imaginou que o estado do país fosse aquele que o governo e a troika vieram a encontrar depois da saída de Sócrates? E, já agora, será que alguém votou no PSD por Passos Coelho ter afirmado que não tinha em mente cortar os subsídios.
1- "Quanto às intenções de Passos Coelho na campanha eleitoral, há algo que é preciso ter em conta: a contextualização histórica"
ResponderEliminarDark Ages.
2- "Mas, alguém imaginou que o estado do país fosse aquele que o governo e a troika vieram a encontrar depois da saída de Sócrates?"
Pedro, os que se seguiam deviam saber. Mas parece que isto já é típico das governações que temos vindo a ter - a descoberta, após eleições, de 1 d-e-s-v-i-o c-o-l-o-s-s-a-al.
3- "E, já agora, será que alguém votou no PSD por Passos Coelho ter afirmado que não tinha em mente cortar os subsídios"
a) Sim, os sistematicamente descontextualizados da história e, mais concretamente, os descontextualizados dos programas eleitorais pré-eleitorais. Resumindo, os descontextualizados da vida e de si próprios.
b) Também há os que sabem bem no que votaram.
Estes são sempre contextualizados.
Para uns e outros, vão todos bardamerda. ( um populismo que a minha avó me dizia muitas vezes e que por isso escrevo aqui em sua homenagem)
Francamente Pedro.
ResponderEliminar