... e ainda na sequência do "escurinho".
O politicamente incorrecto tomou de vez o lugar do politicamente correcto. Uma pessoa que tenha um exercício honesto, ou que defenda essa condição, desactualizou-se. Os politicamente correctos da actualidade são uns brincalhões e umas brincalhonas. São uma espécie de invertidos: existem na alteridade e sem espelho.
Permita-me uma história "edificante". Na universidade privei com um rapaz de pele preta, com quem convivia grande parte do dia. Aconteceu deslocarmo-nos aos serviços académicos da Pinheiro Chagas, onde aguardámos demorado atendimento no meio de uma pequena multidão. A certa altura a funcionária quis chamar o meu colega e foi patético ver o seu esforço por omitir a cor da sua pele como indicação facilitadora. "Hei, você aí! Sim, o senhor!" (...indicação que valeria para os mais de vinte rapazes presentes). "Você, sim, o Sr. ... ó faz-favor !". Quando finalmente o Chindikasse (era este o apelido do meu amigo "escurinho") percebeu que era ele o convocado, tratou de ser pedagógico. "Se eu fosse mais alto do que a generalidade, teria dito, 'Você, o Sr. . alto'. Dado que sou a única pessoa preta aqui, não teria sido mais inteligente da sua parte, porque mais eficaz, dizer simplesmente 'Você, o Sr. . preto ou o Sr. . negro'?". Em todos os presentes , o ruborescimento deveu-se ao desconforto; nele e em mim, apenas ao muito riso.
ResponderEliminarHá inúmeras histórias assim, claro. A questão que deu origem a esta conversa é outro registo.
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