sábado, 23 de março de 2013

de inverdade em inverdade



















Não confiámos em Nuno Crato quando o ministro declarou que no seu mandato os professores não seriam colocados em mobilidade especial e tínhamos razão. Crato diz agora que não podia evitar por mais tempo a pior das injustiças à profissionalidade dos professores. Com tanto corte a eito (a prazo se provará que também agravou o insucesso e abandono escolares dos alunos para além do menosprezo pelas humanidades e pelas artes que não cabem no Estado mínimo) e com o aprofundamento da desastrosa gestão escolar que herdou, só podíamos ter professores do quadro com horário zero a par do despedimento colectivo de mais de dez mil professores contratados.

Crato sabia tudo isto ou então é ainda mais estratosférico e egoísta do que se pensava. Sabia, como também sabe Lurdes Rodrigues que legislou a mobilidade especial e a gestão escolar e agora vem, com ar cândido, declarar que não há professores a mais. O cinismo e a impreparação são a marca desta gente ingrata que está ao serviço dos "donos do mundo" e que não tem um pingo de coragem para sequer bater com a porta ou denunciar a injustiça. Para além de tudo, sabe- se que não tarda e teremos professores a menos e aí os mobilizados especiais não regressarão e verão a injustiça duplicada. Só há, realmente, um caminho: fazer com este MEC o mesmo que se fez com a anterior (deve sublinhar-se que Crato prosseguiu a devastação de Lurdes Rodrigues, agravando-a em políticas decisivas: carga curricular, gestão escolar e profissionalidade dos professores).

É evidente que há muita revolta nos concelhos onde as cooperativas de ensino beneficiam há anos dos favores (com edificações, nalguns casos, comprovadamente ilegais) e do silêncio do arco do poder. Contratam professores sem qualquer concurso público e financiados na totalidade pelo orçamento de Estado e os professores com horário zero são mais uma vez injustiçados. Não pode ser. No Estado de direito que ainda resta alguma coisa tem que acontecer mesmo.

3 comentários:

  1. “... não tarda e teremos professores a menos”

    É verdade.
    Lembro-me que, há uns largos anos atrás, pertencer-se ao grupo de História (400) era quase uma condenação, de tal forma se dizia haver excesso de professores deste grupo de docência e as entradas no quadro serem uma miragem. Há poucos dias, fiquei surpreendida quando soube que, no meu recém formado (mega) agrupamento com 235 professores, há apenas uma colega de História (grupo 400) pertencente ao quadro.

    A história vai repetir-se, mas com muito mais injustiças pelo meio, sendo agora condenados colegas que há muitos anos pertencem aos quadros (de escola/agrupamento) e que, de repente, por caprichos da tutela, se vêem descartáveis.
    Temos de ser capazes de parar esta escalada de destruição da escola pública, seja como for.

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  2. "... sendo agora condenados colegas que há muitos anos pertencem aos quadros (de escola/agrupamento) e que, de repente, por caprichos da tutela, se vêem descartáveis."

    Para satisfação de uns quantos, diria eu, que por inveja e frustração pessoal acham que, aos mais "velhos", deve acontecer o pior. Que devem perder todos os direitos. Que devem deixar a porta aberta para outros que, na sua óptica, são mais capazes.
    Invejosos-vingativos-iludidos.
    Habilidosos...

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