sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Impressiona-me, sinceramente que me impressiona

 


 


 


 


Impressiona-me, sinceramente que me impressiona, a interminável indignação mediática à volta da supressão de uma prova final (vulgo exame do quarto ano) para as crianças. Desconfio que o eurogrupo discutirá essa eliminação como ponto prévio ao orçamento português ou mesmo à crise financeira alemã, também orçamental e da bancocracia, responsável pela investida dos mercados à zona euro.


 


Até Crato, e a propósito de uma condecoração presidencial à sua veia provadora, vem sentenciar: "não é por deixar de haver avaliação que os alunos aprendem mais". Valha-nos não sei o quê. As crianças fazem, e inevitavelmente, provas sobre provas durante os quatro anos do primeiro ciclo e há quarenta anos que aprendiam sem essa prova final como acontece, de resto, com as crianças dos países mais avançados há quase um século. O problema não são as crianças, nem se aguentam a pressão; esse argumento chega a ser ridículo. O mistério está na cabeça dos adultos, no modo como tratam os resultados dessa prova e na indústria que agregam. E sobre isso as crianças nada podem fazer. Começam a receber comendas como a de Crato por causa dos resultados dessa prova e até prémios monetários. Algumas até se vêem impedidas de ir para a mesma escola dos colegas que conseguem melhores resultados na tal prova final. O que as crianças sentem mais é, por exemplo, a inabalável política dos manuais escolares, o número de alunos por turma, a falta de tempo para brincar ou o apoio, em modo de privilégio, dos Cratos deste mundo ao ensino privado. Mas sobre isso, nem o Crato, nem os indignados diários, debitam uma linha em modo de descalabro orçamental. Estranho, no mínimo, para quem se preocupa tanto com as aprendizagens das crianças.


 


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4 comentários:

  1. Viva Paulo,
    As entrevistas de Crato ao DN e ao Público não saíram inocentemente hoje.
    É que estava previsto que o Conselho Nacional de Educação emitisse hoje um parecer sobre a matéria, que na sequência do parecer de há um mês viesse voltar a fazer coro contra o fim dos exames e das notas que garantem a existência de rankings.
    Toda a retórica em torno da necessidade de uma avaliação externa das aprendizagens vem responder aos malfadados rankings que tanto ajudaram a destruir o quotidiano escolar.
    A coisa saiu mal ao seu presidente e a quem apostava em mais um documento que satisfizesse a encomenda. É que a correlação de forças foi alterada na sequência das eleições e o parecer foi retirado sob pena de não ser aprovado pelo plenário.
    Não deixa de ser curioso que, ao mesmo tempo, o "porta-voz" dos professores junto da comunicação social (Publico, DN, Económico, TVI, SIC, etc) tenha recuperado na blogosfera o seu combate contra a FENPROF.
    Agora, que a direita foi desalojada do governo, é preciso retomar esse combate, e esse intrépido lutador não vira as costas a uma "boa luta".

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  2. Viva Francisco.

    Não via Nuno Crato como "intrépido lutador" mas acredito que "não vira as costas a uma "boa luta"". Enfim. Com os estragos que fez talvez fosse melhor deixar a escola pública em paz.

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  3. Não Paulo, o "intrépido lutador não é Nuno Crato, a quem não conheço intervenção na blogosfera.
    Abraço

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  4. Não me digas que é o regresso do alter ego RM para o ensino dual.

    Abraço também.

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