Impressiona-me, sinceramente que me impressiona, a interminável indignação mediática à volta da supressão de uma prova final (vulgo exame do quarto ano) para as crianças. Desconfio que o eurogrupo discutirá essa eliminação como ponto prévio ao orçamento português ou mesmo à crise financeira alemã, também orçamental e da bancocracia, responsável pela investida dos mercados à zona euro.
Até Crato, e a propósito de uma condecoração presidencial à sua veia provadora, vem sentenciar: "não é por deixar de haver avaliação que os alunos aprendem mais". Valha-nos não sei o quê. As crianças fazem, e inevitavelmente, provas sobre provas durante os quatro anos do primeiro ciclo e há quarenta anos que aprendiam sem essa prova final como acontece, de resto, com as crianças dos países mais avançados há quase um século. O problema não são as crianças, nem se aguentam a pressão; esse argumento chega a ser ridículo. O mistério está na cabeça dos adultos, no modo como tratam os resultados dessa prova e na indústria que agregam. E sobre isso as crianças nada podem fazer. Começam a receber comendas como a de Crato por causa dos resultados dessa prova e até prémios monetários. Algumas até se vêem impedidas de ir para a mesma escola dos colegas que conseguem melhores resultados na tal prova final. O que as crianças sentem mais é, por exemplo, a inabalável política dos manuais escolares, o número de alunos por turma, a falta de tempo para brincar ou o apoio, em modo de privilégio, dos Cratos deste mundo ao ensino privado. Mas sobre isso, nem o Crato, nem os indignados diários, debitam uma linha em modo de descalabro orçamental. Estranho, no mínimo, para quem se preocupa tanto com as aprendizagens das crianças.
Viva Paulo,
ResponderEliminarAs entrevistas de Crato ao DN e ao Público não saíram inocentemente hoje.
É que estava previsto que o Conselho Nacional de Educação emitisse hoje um parecer sobre a matéria, que na sequência do parecer de há um mês viesse voltar a fazer coro contra o fim dos exames e das notas que garantem a existência de rankings.
Toda a retórica em torno da necessidade de uma avaliação externa das aprendizagens vem responder aos malfadados rankings que tanto ajudaram a destruir o quotidiano escolar.
A coisa saiu mal ao seu presidente e a quem apostava em mais um documento que satisfizesse a encomenda. É que a correlação de forças foi alterada na sequência das eleições e o parecer foi retirado sob pena de não ser aprovado pelo plenário.
Não deixa de ser curioso que, ao mesmo tempo, o "porta-voz" dos professores junto da comunicação social (Publico, DN, Económico, TVI, SIC, etc) tenha recuperado na blogosfera o seu combate contra a FENPROF.
Agora, que a direita foi desalojada do governo, é preciso retomar esse combate, e esse intrépido lutador não vira as costas a uma "boa luta".
Viva Francisco.
ResponderEliminarNão via Nuno Crato como "intrépido lutador" mas acredito que "não vira as costas a uma "boa luta"". Enfim. Com os estragos que fez talvez fosse melhor deixar a escola pública em paz.
Não Paulo, o "intrépido lutador não é Nuno Crato, a quem não conheço intervenção na blogosfera.
ResponderEliminarAbraço
Não me digas que é o regresso do alter ego RM para o ensino dual.
ResponderEliminarAbraço também.