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É tal a dificuldade em mudar, que a provocação está no seguinte artigo: "Pour relever les grands défis contemporains comme le changement climatique ou les inégalités, la science n’est plus nécessaire, soutient, de façon provocatrice, le physicien polonais Piotr Wasylczyk. D’autant qu’elle traverse une crise profonde de crédibilité, de reconnaissance et de gouvernance."
De António Galopim de Carvalho:
"A PROPÓSITO DO AQUECIMENTO GLOBAL.
Vale, pois, a pena reflectir sobre o que tem sido o sobe e desce da temperatura do planeta, à escala global, e o consequente sobe e desce do nível geral da superfície do mar nos derradeiros milhares de anos. Nos últimos dois milhões de anos da história da Terra foram registadas seis grandes glaciações intercaladas por períodos de aquecimento global, ditos interglaciários, no pico dos quais os níveis do mar subiram muito acima do nível actual. A mais recente destas seis glaciações, ocorrida entre há 80 000 e 10 000 anos, conhecida por Wurm, na Europa, e por Wisconsin, na América do Norte, não será certamente a última, e nós estamos a viver um período de aquecimento interglaciário, entre esta e a previsível próxima glaciação, daqui a uns bons milhares de anos. Assim sendo, com ou sem gases com efeito de estufa de origem antrópica, libertados para a atmosfera, a temperatura global vai elevar-se e, em consequência do inevitável degelo, o nível do mar vai subir e muito
.
Há cerca de 18 000 mil anos, no Paleolítico, já as mais antigas gravuras rupestres se disseminavam pelas paredes rochosas do Vale do Côa, atingia-se o máximo de rigor e de extensão da última glaciação do Quaternário, a atrás referida Würm. Restringindo-nos ao hemisfério Norte, a calote glaciária em torno do Pólo, espessa de dois a três milhares de metros, alastrava até latitudes que, na Europa, atingiam o norte da Alemanha, deixando toda a Escandinávia submersa numa imensa capa de gelo, capa que cobria igualmente grande parte da Sibéria, todo o Canadá e a Gronelândia. No Pólo Sul a respectiva calote extravasou, e muito, os limites do continente antárctico, alastrando sobre o oceano em redor e cobrindo a parte meridional da América do Sul.
No Atlântico Norte, a frente polar, ou seja, o encontro entre as águas polares, com icebergs à deriva, e as águas temperadas, situava-se à latitude da nossa costa norte, entre Aveiro e o Porto. O nível do mar estaria, ao tempo, uns 140 metros abaixo do actual, pondo a descoberto uma vasta superfície, hoje submersa, levemente inclinada para o largo e que corresponde à actual plataforma continental. Da linha de costa de então descia-se rapidamente para os grandes fundos oceânicos, com 4 a 5 mil metros de profundidade. A temperatura média das nossas águas rondaria, então, os 4ºC.
As Serras da Estrela e de Gerês, à semelhança de outras montanhas no país vizinho, tinham os cimos permanentemente cobertos de gelo, desenvolvendo processos de erosão próprios dessa situação climática, cujos efeitos ainda se podem observar em importantes testemunhos, com destaque para o vale glaciário do Zêzere.
relevos menos proeminentes, mais a sul e menos afastados do litoral como, por exemplo, as serras calcárias do Sicó, Aires, Candeeiros e Montejunto, encontram-se ainda, da mesma época, vestígios bem conservados e evidentes de acções periglaciárias. Desses vestígios sobressaem certas coberturas de cascalheiras soltas, brechóides, sem matriz argilosa, essencialmente formadas por fragmentos de calcário muito achatados e angulosos, em virtude da sua fracturação pelo frio, que deslizaram ao longo das vertentes geladas, destituídas de vegetação e de solo, e se acumularam na base desses declives. A conhecida pincha de Minde teve a sua origem nesta altura e através deste processo.A partir de então verificou-se uma importante melhoria climática e consequente degelo. A temperatura sofreu uma elevação gradual e as grandes calotes geladas começaram a fundir e a retrair-se, debitando nos oceanos toda a imensa água até então aprisionada. Em consequência, o nível geral das águas iniciou a última grande subida e mais uma invasão das terras pelo mar, conhecida por transgressão flandriana. Praticamente, todos os rios portugueses, do Minho ao Guadiana, terminam em estuários, que não são mais do que vales fluviais escavados durante esta última glaciação e posteriormente invadidos pelo mar, no decurso desta transgressão.
Pelos estudos realizados na nossa plataforma continental sabemos que, há uns 12 000 anos atrás e na continuação do degelo global, o nível do mar coincidia com uma linha aí bem marcada, à profundidade de 40 metros. Uns mil anos mais tarde, a tendência geral de aquecimento generalizado foi perturbada por uma crise de arrefecimento à escala mundial.
As alterações climáticas exigem 2030 como um prazo. Ou seja, muda-se mesmo até aí ou depois é impossível conter efeitos mais devastadores. Mas isso não significa que não se sintam já efeitos incontroláveis derivados da inércia em dois tempos: passado e presente. A falta de professores tem o mesmo registo. Já nada se poderá fazer no presente, onde a falta de professores é indisfarçável, e resta implorar para que as baixas médicas prolongadas diminuam. Mas o mais grave é que nada se está a fazer para que a médio prazo a situação não se agrave e com tanta inacção há motivos para temer o longo prazo.
"O Tejo está a morrer em Espanha. A seca é um mal menor. Os transvases anuais até aos 600 mil milhões de litros de água para regar os campos de Múrcia e a elevada contaminação são o mal maior. Se o rio morre onde nasce, não chegará onde desagua."
No verão, encontrei-me com o Millennium (os três primeiros) de Stieg Larsson e com dois de Jorn Lier Horst - Cães de Caça e Fechada para Inverno -. São policiais fascinantes. Como o verão se prolongou, andei por mais dois autores muito interessantes, Richard Zimmler e Thóra Gusmundsdóttir, e estava com dificuldade em escolher uma ajuda para a síndrome de abstinência provocada com o fim do Millennium. Vai por esta ordem:
"Al Gore volta a ser inconveniente, mas com optimismo". Fui procurar o post que fiz sobre a primeira "verdade inconveniente" e tem a data de 01 de Novembro de 2006. Começa assim:
O alarme soa todos os dias: o aquecimento global sente-se e teme-se. As catástrofes anunciadas deixam de ser "apenas" um prenúncio de morte, para passarem a ditar mais um exercício de apelo deseperado aos nosso hábitos de vida diária. Chamam-lhes catastrofistas, oportunistas e radicais, mas os estudiosos do aquecimento global não desistem; e ainda bem.
Al Gore, o ex-futuro presidente dos USA, como ele gosta de dizer, é um deles. Depois de anos e anos de exercício do poder, e quando muitos esperavam o seu exílio dourado, eis que o homem decide passar a maioria dos dias a dormir no “desconforto” dos hotéis de charme deste mundo, para realizar milhares de conferências sobre estes graves problemas do ambiente terrestre. Parece-me que o faz com convicção.
Fomos ver o documentário “uma verdade inconveniente” na antiga sala do cinema Nimas.
Com técnicas de realização de conferências muito profissionais, Al Gore ensina-nos tudo sobre aquecimento global e deixa que se fale da sua vida pessoal e das suas genuínas aspirações como ser humano. Passou-se um fenómeno curioso e que raramente se vê nas salas de cinema em Portugal: no final, vários espectadores aplaudiram de modo bem audível.(...)