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segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Clima(s)

 


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Na abertura da cimeira do clima, António Guterres garantiu "que ciência e técnica necessárias já existem, só falta a vontade". É, salvo as devidas proporções, o que se passa com os concursos de professores em Portugal: há muito que existem meios técnicos para que os concursos por lista graduada sejam um não assunto de exemplares transparência e eficiência, só falta a vontade política e, demasiadas vezes, um conhecimento aprofundado do assunto. Com a crescente falta de professores, o Governo quer passar o problema e recuperar o pior, neste domínio, do tempo da troika: as bolsas de contratação de escola. E quer fazê-lo em simultaneidade com a municipalização, agravando o temor generalizado de um regime de clientelismo e amiguismo. Como se disse, há muito que existem os meios técnicos que serão ainda mais simplificados e velozes no universo 5G - prevê-se que o 5G torne obsoletos os procedimentos de gestão de grande parte das autarquias -. Por outro lado, as organizações de dirigentes escolares, constituídas por professores temporariamente noutras funções, rejeitam qualquer processo de exclusão de alunos, professores e restantes profissionais. São defensoras da Constituição. Querem elevar organizações públicas. Contam com todos em modo de inclusão. É a natureza do serviço público. Exigem receber alunos de acordo com a lei e organizar as instituições com professores e outros profissionais contratados por concursos públicos transparentes. O contrário seria uma lógica até rejeitada por muitos privados ou, ainda pior, de apropriação do bem comum. Espera-se que o Governo de António Costa se aproxime da ideia de António Guterres e do universo 5G e rejeite problemas aplicados por Passos Coelho. Aliás, o momento inicial da geringonça eliminou, e muito bem, a tal bolsa de contratação de escola de péssima memória.


Imagem: encontrei a imagem na internet com referência ao Mundo Educação

Por Espanha

 


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Courrier International

domingo, 8 de dezembro de 2019

Das Alterações Climáticas à Febre do PISA

 



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Enquanto os nossos representantes políticos se entretinham a discutir as formalidades da passagem da jovem Greta, com o Presidente da República a advogar o seu raro não aparecimento com o temor do "oportunismo", a imagem dá uma ideia da atmosfera que Madrid recentrou. Esta nossa fuga cíclica ao essencial, ou a opção pelo simplismo, tem algum paralelo com a discussão à volta da febre do PISA e com o óbvio sublinhar da OCDE com os progressos de Portugal desde 2000. Mas quando lemos ministros apressados a culpar antecessores ou defensores de ex-ministros a reivindicar o milagre das epifanias, temos de repetir: uma população menos pobre e mais escolarizada reduz, natural e gradualmente, o insucesso e abandono escolares e melhora os resultados em testes internacionais; principalmente nos febris. Se a sociedade estagna, as oscilações são pequenas. É também o caso português. A partir da última década do século XX fomos reduzindo a pobreza e aumentando a escolaridade. Os resultados PISA melhoraram gradualmente neste século e tendem a estabilizar uma vez que a pobreza teima em não descer dos 2 milhões de pessoas. Por outro lado, o tempo de uma legislatura tem reduzida influência nos dados de um país. O que é possível nesse período temporal é mudar uma escola ou num período ainda menor um professor pode alterar o percurso de um aluno ou de um pequeno grupo. E olhando para a nossa realidade, a "temperatura" pode estagnar, ou descer, na média da OCDE, se a sociedade não elevar as pessoas e se a organização das escolas mantiver os níveis descendentes da última década e meia associados à perspectiva ainda mais caótica na renovação dos professores.


Duas notas: quem elogia o "estar na média da OCDE", talvez modere o entusiasmo se considerar os países todos que integram o PISA; os nossos jovens estão felizes com a vida (a infância e a adolescência são, em regra, assim) ansiosos com a competição escolar e fazem uma apreciação muito boa dos professores, apesar de cerca de metade assumir que não os ouve.


Imagem: Courrier International

sábado, 28 de setembro de 2019

"A Propósito Do Aquecimento Global"

 


De António Galopim de Carvalho:



"A PROPÓSITO DO AQUECIMENTO GLOBAL.


No momento presente, em que anda muita gente a “dizer coisas”, sobre o aquecimento do planeta o degelo dos glaciares e a subida do nível do mar, em que uns agridem, outros defendem a jovem sueca Greta Thunberg, a verdade, goste-se ou não, ela é o rosto de um movimento, estou em crer imparável, que já mobilizou os adolescentes (e não só) à escala mundial.
A começar, devo dizer que poio e acredito em toda esta dinâmica de juventude à escala mundial, desejando que ela envolva igualmente a luta bem mais necessária e urgente contra a destruição das florestas, a poluição do ar, das águas marinhas e fluviais, dos solos e a destruição galopante dos recursos naturais. Se quisermos reflectir, séria e profundamente, nesta mais do que real ameaça global, a sociedade dita de desenvolvimento vai ter, a partir de agora, de se mentalizar para, a curto prazo, mudar a forma de consumir, de agredir e de conspurcar a Natureza, em suma, a forma de viver.





Relativamente a este processo, que se me afigura demasiadamente politizado, é minha convicção que a actividade antrópica, com influência no clima, não se sobrepõe, em especial, às do Sol e do vulcanismo. Penso pois que, mesmo sem a poluição atmosférica, da nossa responsabilidade, nomeadamente a relativa às emissões de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa (que existe e é um facto comprovado), o Planeta irá aquecer nos próximos milhares de anos e registar fenómenos atmosféricos como os que nos tem vindo a mostrar (chuvadas e cheias catastróficas, furacões, tornados e outros), associados a inevitável subida do nível do mar.


Vale, pois, a pena reflectir sobre o que tem sido o sobe e desce da temperatura do planeta, à escala global, e o consequente sobe e desce do nível geral da superfície do mar nos derradeiros milhares de anos. Nos últimos dois milhões de anos da história da Terra foram registadas seis grandes glaciações intercaladas por períodos de aquecimento global, ditos interglaciários, no pico dos quais os níveis do mar subiram muito acima do nível actual. A mais recente destas seis glaciações, ocorrida entre há 80 000 e 10 000 anos, conhecida por Wurm, na Europa, e por Wisconsin, na América do Norte, não será certamente a última, e nós estamos a viver um período de aquecimento interglaciário, entre esta e a previsível próxima glaciação, daqui a uns bons milhares de anos. Assim sendo, com ou sem gases com efeito de estufa de origem antrópica, libertados para a atmosfera, a temperatura global vai elevar-se e, em consequência do inevitável degelo, o nível do mar vai subir e muito
.
Há cerca de 18 000 mil anos, no Paleolítico, já as mais antigas gravuras rupestres se disseminavam pelas paredes rochosas do Vale do Côa, atingia-se o máximo de rigor e de extensão da última glaciação do Quaternário, a atrás referida Würm. Restringindo-nos ao hemisfério Norte, a calote glaciária em torno do Pólo, espessa de dois a três milhares de metros, alastrava até latitudes que, na Europa, atingiam o norte da Alemanha, deixando toda a Escandinávia submersa numa imensa capa de gelo, capa que cobria igualmente grande parte da Sibéria, todo o Canadá e a Gronelândia. No Pólo Sul a respectiva calote extravasou, e muito, os limites do continente antárctico, alastrando sobre o oceano em redor e cobrindo a parte meridional da América do Sul.
No Atlântico Norte, a frente polar, ou seja, o encontro entre as águas polares, com icebergs à deriva, e as águas temperadas, situava-se à latitude da nossa costa norte, entre Aveiro e o Porto. O nível do mar estaria, ao tempo, uns 140 metros abaixo do actual, pondo a descoberto uma vasta superfície, hoje submersa, levemente inclinada para o largo e que corresponde à actual plataforma continental. Da linha de costa de então descia-se rapidamente para os grandes fundos oceânicos, com 4 a 5 mil metros de profundidade. A temperatura média das nossas águas rondaria, então, os 4ºC.
As Serras da Estrela e de Gerês, à semelhança de outras montanhas no país vizinho, tinham os cimos permanentemente cobertos de gelo, desenvolvendo processos de erosão próprios dessa situação climática, cujos efeitos ainda se podem observar em importantes testemunhos, com destaque para o vale glaciário do Zêzere.
relevos menos proeminentes, mais a sul e menos afastados do litoral como, por exemplo, as serras calcárias do Sicó, Aires, Candeeiros e Montejunto, encontram-se ainda, da mesma época, vestígios bem conservados e evidentes de acções periglaciárias. Desses vestígios sobressaem certas coberturas de cascalheiras soltas, brechóides, sem matriz argilosa, essencialmente formadas por fragmentos de calcário muito achatados e angulosos, em virtude da sua fracturação pelo frio, que deslizaram ao longo das vertentes geladas, destituídas de vegetação e de solo, e se acumularam na base desses declives. A conhecida pincha de Minde teve a sua origem nesta altura e através deste processo.


A partir de então verificou-se uma importante melhoria climática e consequente degelo. A temperatura sofreu uma elevação gradual e as grandes calotes geladas começaram a fundir e a retrair-se, debitando nos oceanos toda a imensa água até então aprisionada. Em consequência, o nível geral das águas iniciou a última grande subida e mais uma invasão das terras pelo mar, conhecida por transgressão flandriana. Praticamente, todos os rios portugueses, do Minho ao Guadiana, terminam em estuários, que não são mais do que vales fluviais escavados durante esta última glaciação e posteriormente invadidos pelo mar, no decurso desta transgressão.
Pelos estudos realizados na nossa plataforma continental sabemos que, há uns 12 000 anos atrás e na continuação do degelo global, o nível do mar coincidia com uma linha aí bem marcada, à profundidade de 40 metros. Uns mil anos mais tarde, a tendência geral de aquecimento generalizado foi perturbada por uma crise de arrefecimento à escala mundial.


Uma explicação para esta interrupção, relativamente brusca, no processo de aquecimento global que se vinha a verificar há alguns milhares de anos, pode encontrar-se na presunção de que, durante a glaciação, se formaram lagos enormíssimos no continente norte-americano, mantidos por grandes barreiras de gelo, que teriam recebido águas de cerca de oito mil anos de degelo nessa área da calote gelada. Admite-se que, tendo descongelado as barreiras que sustinham esses lagos, toda a água doce aprisionada desaguou no Atlântico Norte, desencadeando a brusca congelação da superfície do mar e a consequente mudança climática com reflexos à escala global. Saiba-se que água doce congela a uma temperatura mais elevada do que a água salgada do mar.


Na sequência, os glaciares não só interromperam o degelo, como reinvadiram as áreas entretanto postas a descoberto. Em resultado desta nova retenção das águas, o nível do mar desceu de um valor estimado em 20 metros e assim permaneceu durante cerca de mil anos. A frente polar, que recuara até latitudes mais setentrionais, avançou de novo e atingiu o paralelo da Galiza, pelo que as temperaturas das nossas águas voltaram a descer, rondando os 10ºC. No final deste episódio de inversão climática, a que se dá o nome de Dryas recente, há 10 000 anos, a transgressão retomou o seu curso. O clima tornou-se mais quente e mais chuvoso, entrando-se no que designamos por pós-glaciário. Há 6 a 7 mil anos, a temperatura média, na nossa latitude, atingia cerca de 3 ºC acima dos valores normais no presente. Foi o recomeço da subida generalizada do nível do mar, que se vinha a verificar desde o início do degelo, à razão de cerca de 2 cm por ano, em valor médio, embora a ritmo não constante e com algumas oscilações. Este episódio, conhecido por Óptimo Climático, coincidiu, em parte, com o Mesolítico português, estando bem exemplificado nos magníficos concheiros de Muge, no Ribatejo.


O nível marinho actual começou a ser atingido há cerca de 5000 anos, em pleno Megalítico ibérico, iniciando-se, então, o que é corrente referir como Período Climático Subatlântico, marcado por relativa humidade. A partir de então verificaram-se pequenas oscilações na temperatura, marcadas por moderadas e curtas crises de frio, com correspondentes recuos do mar, designados por Baixo Nível Romano, há 2000 anos, Baixo Nível Medievo, em plena Idade Média (séculos XIII e XIV) e Pequena Idade do Gelo, nos séculos XVI a XVIII, bem assinalada na Europa do Norte pelo congelamento de rios e lagos, situações relacionadas com a ocorrência de grandes cheias primaveris, resultantes do degelo nas montanhas, bem testemunhadas em pinturas da época. Posteriormente a esta crise de frio a temperatura do planeta subiu e vai, muito provavelmente continuar a subir, para os níveis actuais, mesmo sem a ajuda das emissões antropogénicas do agora tão falado dióxido de carbono e dos outros gases com efeito de estufa.


A tarefa não é fácil e, repetindo o que disse no início, se quisermos reflectir, séria e profundamente, nesta mais do que real ameaça global, a sociedade dita de desenvolvimento vai ter, a partir de agora, de se mentalizar para, a curto prazo, mudar a forma viver e de consumir, deixando de agredir e de conspurcar a Natureza."



domingo, 19 de novembro de 2017

"O Tejo está a morrer em Espanha"

 


 


 



"O Tejo está a morrer em Espanha. A seca é um mal menor. Os transvases anuais até aos 600 mil milhões de litros de água para regar os campos de Múrcia e a elevada contaminação são o mal maior. Se o rio morre onde nasce, não chegará onde desagua." 


 


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domingo, 29 de outubro de 2017

"Al Gore volta a ser inconveniente, mas com optimismo"

 


 


 


"Al Gore volta a ser inconveniente, mas com optimismo". Fui procurar o post que fiz sobre a primeira "verdade inconveniente" e tem a data de 01 de Novembro de 2006. Começa assim:


 



O alarme soa todos os dias: o aquecimento global sente-se e teme-se. As catástrofes anunciadas deixam de ser "apenas" um prenúncio de morte, para passarem a ditar mais um exercício de apelo deseperado aos nosso hábitos de vida diária. Chamam-lhes catastrofistas, oportunistas e radicais, mas os estudiosos do aquecimento global não desistem; e ainda bem.

Al Gore, o ex-futuro presidente dos USA, como ele gosta de dizer, é um deles. Depois de anos e anos de exercício do poder, e quando muitos esperavam o seu exílio dourado, eis que o homem decide passar a maioria dos dias a dormir no “desconforto” dos hotéis de charme deste mundo, para realizar milhares de conferências sobre estes graves problemas do ambiente terrestre. Parece-me que o faz com convicção.

Fomos ver o documentário “uma verdade inconveniente” na antiga sala do cinema Nimas.

Com técnicas de realização de conferências muito profissionais, Al Gore ensina-nos tudo sobre aquecimento global e deixa que se fale da sua vida pessoal e das suas genuínas aspirações como ser humano. Passou-se um fenómeno curioso e que raramente se vê nas salas de cinema em Portugal: no final, vários espectadores aplaudiram de modo bem audível.(...)



 


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