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quarta-feira, 18 de junho de 2025

Agora, a casa está a arder

Agora, a casa está a arder.

Há mais de dez anos que se assiste de braços cruzados à adicção tecnológica de crianças e jovens, muito por influência do guloso mercado e das ubíquas gigantes tecnológicas. Foi um dos exercícios socialmente e politicamente mais irresponsável a que assisti.

Sempre se alertou para duas graves consequências: acesso a conteúdos pornográficos e a redes sociais que, para além do ciberbullying, foram usadas por organizações da extrema-direita com conteúdos xenófobos, racistas, misóginos e violentos e que fidelizaram eleitores assim que os jovens chegaram aos 18 anos. Aconselho o filme francês "brincar com o fogo", que divulguei aqui.

Sempre considerei absurdo e ridículo advogar com o é "proibido proibir". Como se a proibição de conduzir antes do 18 anos, ou de adquirir álcool ou tabaco, não fizesse sentido. De facto, adultos também adictos não conseguiram impor regras e a geração que governa deixa um péssimo legado. E como também sempre se disse, a escola é apenas um pequeno universo. A proibição na escola é insuficiente (e é pior nas sociedades, como a nossa, que trocaram a responsabilidade da educação a tempo inteiro pela economicista escola a tempo inteiro).

Este texto do Público, "Crianças longe dos ecrãs: quatro regras para garantir a infância", tem 4 pontos de partida:

"Crianças longe dos ecrãs: quatro regras para garantir a infância
Neste contexto, surgiram quatro normas claras para combater o impacto negativo das tecnologias na infância:

1. Nada de smartphones antes dos 14 anos.
Dar um smartphone cedo demais leva as crianças para um mundo online que ainda não sabem gerir. Muitos pais cedem porque têm medo de que os filhos sejam excluídos; outros porque é uma solução fácil para não estar de olho neles. A solução passa por criar uma regra clara e simples: não dar smartphones antes do secundário ou dos 14 anos. Assim, nenhuma criança fica isolada.

2. Redes sociais só a partir dos 16 anos.
Redes sociais não são seguras para menores. Estas plataformas recolhem dados, expõem crianças a conteúdos inadequados e provocam ansiedade, entre outros problemas de saúde mental. A Austrália e vários estados nos EUA já aumentaram a idade mínima para 16 anos. E isto está a criar um padrão global. Por cá, como primeiro passo, devíamos aumentar já a idade de consentimento digital de 13 para 16, tal como noutros países europeus.

3. Escolas sem telemóveis.
Crianças distraídas não aprendem. Por isso, por este mundo fora, escolas começaram a proibir os telemóveis durante as aulas. Em vários países, os governos e educadores apoiaram esta mudança. E os resultados são claros: alunos mais atentos, com melhores resultados, menos bullying, felizes e sociáveis.

4. Mais tempo para brincar livremente e com autonomia.
O problema é bem maior que os telemóveis. As crianças precisam de brincar livremente, sem supervisão, longe dos pais e dos ecrãs. Precisam de descobrir o mundo, assumir responsabilidades e viver experiências reais.(...)."

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

A ideia é contrariar a insensatez que provoca o cyberbullying?

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Como dizia uma jovem de 14 anos, Portugal chegou tarde ao debate sobre a adicção tecnológica. Os adultos têm os deveres da antecipação e da prudência. Os efeitos na geração dela estão consolidados. Aliás, o fenómeno é um legado inadmissível deixado pelas gerações que educam (mais até em casa do que na escola, apesar de ser muito difícil manter uma criança fora do corrente dominante) e muito do cyberbullying passa por aí como pela deseducação recuperada no que levamos de milénio e que entrou em estado de pandemia entre nós: os quadros de mérito académico para crianças e jovens. A exigência educativa nunca deve eliminar a sensatez, o equilíbrio e o gradualismo.

sábado, 25 de março de 2017

"Trump não é um epifenómeno"

 


 


 


José Pacheco Pereira, no Público, e Clara Ferreira Alves, no Expresso, entre outros, claro, escrevem textos de arrepiar (esta semana parece que combinaram na análise do trumpismo), mas que retratam, se me permitem, as sociedades actuais a partir de um ângulo de análise certeiro. Há um estilo de exercício do poder ("Trump não é um epifenómeno", de Pacheco Pereira) que se faz através do bullying. É triste, mas é assim; embora o feitiço se acabe por virar, e como sempre, contra o feiticeiro, como também parece ser o caso Trump.


 


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quarta-feira, 19 de março de 2014

ainda o bullying

 


 


 


Ligámos a televisão às 20h00 e escolhemos a RTP1. O alinhamento das notícias trouxe para o lugar cimeiro o bullying com o dom da ubiquidade e com tendência para crescer. Se é um facto que estes assuntos não escapam aos modismos da mediatização nem à intemporalidade, é também óbvio que o seu crescimento se acentue e generalize em tempos de empobrecimento e sobreaquecimento.


 


 



 


 


 


 


 

terça-feira, 11 de março de 2014

naturalmente

 


 


 



 


 


"Não há uma escola no mundo sem bullying" e nem adianta argumentar com o óbvio: sempre foi assim. O bullying existe e requer atenção e acção. E nos tempos que correm acrescenta-se o cyberbullying. As redes sociais são terreno fértil até entre adultos-eternamente-em-via-de-crescimento, como se sabe.


 



 


 


 


 


 


 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

há dias assim, realmente

 


 


 


Eram 19h00, fui buscar o carro à oficina e o rádio estava na TSf com um debate sobre as praxes. Não me era estranha a voz feminina que proclamava coisas acertadas sobre a indignação com a violência física e psicológica entre jovens, de adultos para jovens ou entre adultos. O discurso era até especializado na faceta psicológica dos abusos. O moderador moderou e nomeou Lurdes Rodrigues, essa inesquecível promotora do bullying de um governo sobre um grupo profissional, que instigou a violência psicológica entre pares e que deixou escola. Há dias assim, realmente.


 


 


 

sexta-feira, 23 de abril de 2010

infantilização

 


Uma das principais características das teorias eduquesas é o regresso à "primeira" infância; e não só dos alunos, note-se. As teorias dos excessos de garantismo infantilizam tudo em que tocam. Os professores devem nivelar-se, na linguagem e nas atitudes, pelas padrões mais pueris e nem o ensino escapa. Ficam ambos, professores e conteúdos, desautorizados e imbecilizados.


 


Uma das teses que mais me espanta é a certeza eduquesa de que as crianças não podem agir por sua conta e risco, nem sequer nos recreios das escolas. Convencem-se que assim eliminam o bullying e as atitudes violentas. Sabe-se que o que protege as crianças dos exageros nefastos é uma retaguarda forte e a certeza que quando fazem uma denuncia algo acontece mesmo e que não ficam debaixo do temor de uma qualquer ameaça dos seus pares.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

a desgraça da avaliação externa

 


 


 



Foi daqui


 


 


 


Já escrevi por diversas vezes e já tive a oportunidade de o dizer nos locais "próprios" e cara-a-cara: a avaliação externa das escolas portuguesas é uma desgraça, como pode ler aquidá um forte contributo para o mergulho na papelada inútil que alimenta o metabolismo das nossas escolas e atinge um pico descomunal no final dos períodos lectivos ou nas semanas que antecedem a presença dos ditos avaliadores - as fotocopiadoras costumam gemer de tanto fumegar -. Mas não se podia fazer de outro modo? Claro que sim; não só podia como se devia. Embora, e no que diz respeito à gestão escolar, remeter a avaliação externa para uma política de poupança vegetal, de saúde mental e psicológica, de eficácia organizacional e de respeito e confiança nos professores dê algum trabalho na fase inicial.


 


Mas foquemos o pensamento no cerne da questão. Dizia uma especialista em qualidade total da gestão das organizações e que tem trabalho realizado com a inspecção-geral da Educação, que as correntes actuais de avaliação externa sugerem que o fundamental é ir à procura do modelo organizacional, da sua coerência e eficácia, de cada instituição. Para além disso, devem estimular procedimentos modernos na gestão da informação e nunca o contrário - mas como se sabe, ninguém estimula o que desconhece -. O que acontece em Portugal é exactamente o contrário: a inspecção-geral define expressamente, e de modo impresso, o que quer obter para justificar a sua existência e as escolas ficam alienadas com a obtenção de informação que não utilizam e que repetem até à exaustão. Mas mais: para que nada falhe, os membros da direcção das escolas são avaliados pelo grau de proficiência na acumulação do desperdício e agora também na gestão do silêncio: uma tragédia, como se comprova no que pode ler a seguir.


 


Pais dizem que escolas que denunciam violência são penalizadas na avaliação

terça-feira, 16 de março de 2010

respirar muito fundo e aprender a contar até cem em mandarim para ajudar a acalmar

 



Foi daqui


 


 


 


 


Nesta fase de insuportável inércia (desacredita de tal maneira o que sobra da imagem social da escola pública que até parece premeditado) e de obstinado (para não variar) mau perder, as mais despudoradas especulações podem acontecer. Sabemos dos hábitos da imprensa sensacionalista e também conhecemos os apetites dos especuladores encartados: e não nos iludamos: existem vontades que a ética condena em todos os lugares onde os humanos se aguentem.


 


Vem isto também a propósito das recentes tragédias humanas na Educação. Se são condenáveis os aproveitamentos com o sofrimento alheio são igualmente reprováveis os apelos comprometidos ao silêncio principalmente por parte dos que indefectivelmente defenderam os desastres anunciados. Deseja-se sensatez e uma firme denúncia das malfeitorias de que foi alvo o poder democrático da escola pública.


 


Ouvi hoje um desabafo mais ou menos assim: os professores venceram em nome da justiça mas custa muito aguentar este longo período em que até as mais concludentes vitórias se assemelham à mais dura das derrotas.


 


Uma receita possível pode estar em qualquer coisa semelhante ao que escolhi para título deste post; mas mais: tempo e firme convicção.

segunda-feira, 15 de março de 2010

práticas pedagógicas

 


 


 



Foi daqui


 


 


 


Se ler a notícia, que encontra aqui, até ao fim vai confrontar-se com a opinião de alguns dos nossos investigadores em aprendizagem (dá ideia que detestam que alguém lhes diga que devem falar de ensino e que volta e meia deveriam passar pelas tais salas de aula que dizem conhecer muito bem) que remetem para as insuficiências da prática pedagógica as razões principais para o absentismo dos alunos. Nem uma linha sobre as falhas da sociedade ou sequer a propósito das faltas de educação e de respeito que originam a maioria dos casos de indisciplina ou de bullying. É de bradar aos céus.


 


Lembro-me de certa vez em que um professor português explicava com evidente orgulho aos seus colegas gestores escolares do resto da europa o sistema de informação da sua escola que, entre tantas outras valências, permitia a actualização do mapa de faltas dos alunos do website escolar em tempo real, quando se confrontou com a incompreensão dos seus colegas mais do norte. Não percebiam o conceito nem a ideia. Concluiu-se: nos seus países, ricos e sem analfabetismo desde o século XVIII, os alunos não sabem, nem lhes passa pela cabeça, o que é isso de faltar sem justificação.

sexta-feira, 12 de março de 2010

blague inoportuna para não dizer mais

 


 


 



Foi daqui


 


 


 


Foi o mesmo director regional que disse aos membros do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Santo Onofre que não destituiria o Conselho Executivo (CE) com mandato até Junho de 2010 sem primeiro voltar para uma nova reunião e que não colocaria uma "pessoa qualquer como CAP". No entanto, fez o que se sabe: destituiu o CE sem qualquer palavra mais (os membros do CE presentes no acto sentiram-se muito maltratados) e colocou uma CAP que passado umas semanas já dizia publicamente que punha o lugar à disposição.


 



Professor vítima de 'bullying' tinha "fragilidade psicológica"


 


"O director regional de Educação de Lisboa espera que o inquérito instaurado numa escola de Fitares esclareça o caso de um professor que se suicidou e que era alegadamente gozado pelos alunos, mas sublinhou que o docente tinha uma "fragilidade psicológica" há muito tempo.(...)"


 

sem mais palavras

 


 



Professor suicidou-se por causa das ameaças dos alunos


 


 


"Na manhã de 9 de Fevereiro, L. V. C. parou o carro no tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa-Almada. Saiu do Ford Fiesta e saltou para o rio. Há vários meses que o professor de música da Escola Básica 2+3 de Fitares (Sintra), planearia a sua morte. Em Novembro escreveu uma nota no computador de casa a justificar o motivo: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimentos, a única solução apaziguadora será o suicídio".



L. V. C., sociólogo de formação, tinha 51 anos, vivia com os pais em Oeiras, era professor de música contratado e foi colocado este ano lectivo na Escola Básica 2+3 de Fitares, em Sintra. Logo nos primeiros dias terão começado os problemas com um grupo de alunos do 9º ano. Aindisciplina na sala de aula foi crescendo todos os dias, chegando ao ponto de não conseguir ser ouvido. Dentro da sala, e ao longo de meses, os alunos chamaram-lhe careca, tiraram-lhe o comando da aparelhagem das mãos, subindo e descendo o volume de som, desligaram a ficha do retroprojector, viraram as imagens projectadas de cabeça para baixo. 



Houve vezes em que L. V. C. expulsou os alunos da sala, vezes em que fez participações disciplinares. Foram pelo menos sete as queixas escritas que terá feito à direcção da escola, alertando para o comportamento de um aluno em particular. Colegas e familiares do professor de música asseguram que a direcção não instaurou nenhum processo disciplinar.(...)" 


 


 


 


 

domingo, 7 de março de 2010

silêncio

 


 


Concordo com a proposta de amanhã ser guardado, pelas 11h00, um minuto de silêncio. Pode saber mais aqui.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

existe

 


 


Não vale a pena meter a cabeça na areia: o bullying existe e o seu combate exige que quem dirige as escolas e o ministério da Educação saiba de direito e não apenas de leis.


 


Há muito que se percebeu que este estatuto do aluno desautoriza os professores e que não trata a relação professor/aluno como uma ligação pedagógica entre um adulto e uma criança ou jovem, mas como uma situação judicial em que o professor é um juiz, o aluno um réu, a má burocracia o advogado de defesa e o encarregado de educação um estrangeiro em parte incerta.


 


O que se passa é grave e vai-se arrastando. Concordo com o que o Ramiro Marques escreve aqui e de onde retirei o parágrafo que colo de seguida:


 



"(...) No ano passado, houve mais de 6 mil ocorrências tipificadas como bullying. O bullying alastra no país. Os agressores ficam quase sempre impunes. As vítimas ou mudam de escola - quando os pais têm poder económico para isso - ou desistem de estudar.


Os pais dos agressores colocam-se, regra geral, a favor dos filhos, desvalorizando as agressões e encobrindo os actos. Professores e directores têm uma enorme dificuldade em reunir provas. Ninguém quer dar a cara. E quando os professores conseguem reunir provas ficam paralisados devido a um Estatuto do Aluno que protege os agressores e impede que se faça justiça.(...)"