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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Sauna de aulas


Texto envidado pelo Paulo Fazenda. A autora autorizou a publicação.



Educação à Prova de Sono e Sauna: O Maravilhoso Calendário das Crianças do 1.º Ciclo..


Ah, o verão! Tempo de sol, gelados, e… crianças do 1.º ciclo ainda na escola. Porque enquanto os colegas do secundário já estão de férias a praticar para o campeonato nacional de “scroll infinito”, os pequenos do 1.º ciclo continuam firmes, estoicamente presos ao quadro branco e aos manuais com cheirinho a suor e frustração.


Afinal, que melhor maneira de garantir uma educação de excelência do que esticar o calendário escolar como se fosse um elástico prestes a rebentar?


Estamos claramente a formar campeões da resistência. Aos seis anos já sabem o que é a exaustão física, o tédio existencial e o mistério profundo de “porque é que os grandes já estão em casa e eu ainda estou aqui?”


E não nos esqueçamos dos professores, verdadeiros heróis silenciosos da pedagogia prolongada. Quem precisa de descanso quando se pode passar mais duas semanas a ouvir “Mestre André” em flauta desafinada e corrigir fichas de matemática com olhos semicerrados?


A lógica é simples: quanto mais tempo na escola, mais aprendem. Dormir é para fracos. E brincar? Isso é um luxo burguês que não cabe no nosso calendário educativo competitivo. As crianças devem ser preparadas desde cedo para a vida adulta — e que melhor preparação do que sentir-se esgotado antes dos 10 anos? Por isso, brindemos ao calendário escolar do 1.º ciclo: um monumento à persistência, ao absurdo e à eterna arte de fazer mais com menos.


Porque nada diz “educação de qualidade” como alunos e professores a arrastar-se até final de junho com o mesmo entusiasmo de quem lê as letras pequenas dos termos e condições de um contrato ou faz uma colonoscopia… É praticamente a mesma coisa!




C. (professora do 1.º ciclo)





sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Escolas a Tempo Inteiro

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É sensato interromper as aulas a cada quatro semanas para recuperar energias; mais ainda em tempos de pandemia. É um modelo usado em muitas regiões da Europa onde há mais sociedade para além da escola a tempo inteiro.


Com a subida exponencial de infectados no grupo etário entre os 10 e os 19, tornou-se consensual e mais evidente a dificuldade em assegurar os tais 3 c´s em escolas e salas de aula lotadas (uma turma de 20 contacta com 800 pessoas em 48 horas); e no exterior, nos transportes e nas habitações. Portanto, os jovens podem fazer o percurso com o vírus da escola para casa ou vice-versa com o registo de infectados quase sempre contabilizado como "no seio da família". Para além disso, as turmas numerosas inscrevem uma exigência suplementar inteligível para quem lecciona e perceptível sem esforço para os restantes. E a exaustão dificulta o rigor. Por tudo isso, também se torna menos compreensível o calendário escolar português que legislou mais dias lectivos e menos dias de interrupção como única adaptação a uma mais que provável segunda vaga. Ainda estamos a tempo de um ajustamento.

domingo, 1 de julho de 2012

e que tal no 1º ano?

 


 


 


O MEC prepara-se para proporcionar aos alunos que entram no 5º ano de escolaridade a possibilidade de formação que enfrente os desafios do mercado de trabalho.


 


Portugal já viveu essa experiência no período que antecedeu a revolução dos cravos. A separação de vias formativas acontecia no equivalente ao actual 7º ano de escolaridade e até com resultados interessantes nas taxas de empregabilidade no mercado de trabalho da altura.


 


Sejamos claros: há alunos que chegam ao 5º ano e que revelam sinais de que não vão cumprir a escolaridade obrigatória, o mesmo acontece na entrada no 1º ano de escolaridade e talvez até no pré-escolar. O eufemismo dos desafios do mercado de trabalho não passa de um estacionamento para o desemprego, a exemplo do que acontecia com os CEF´s que agora parecem terminar, e está muito longe de corresponder a uma formação profissional séria, estruturada e que se afirme nas ideias de igualdade de oportunidades e de aumento da produtividade


 


O que este retrocesso significa é a total incapacidade da nossa sociedade em educar as suas crianças, remetendo para a escola um caderno de encargos impossível de cumprir. O isolamento das instituições escolares tem-se acentuado. A recente discussão à volta do calendário escolar do próximo ano é mais um sinal do mesmo vírus.


 


O tal mercado de trabalho suprime o tempo que as famílias dedicam às crianças do mesmo modo que ameaça as taxas de natalidade e contribui para o empobrecimento do país. A constante alteração de políticas por parte do MEC é só um sinal de desorientação e assume-se como causa e consequência da instabilidade comprovada da nossa sociedade.


 


"(...)O Ministério da Educação e da Ciência quer criar uma nova oferta de estudos, com disciplinas mais práticas, logo a partir do 2º ciclo do  ensino básico – ou seja do 5º ano de escolaridade.


O objetivo é assegurar que os alunos tenham acesso a diferentes  alternativas, incluindo vias que “que preparem os jovens para a vida, dotando-os  de ferramentas que lhes permitam enfrentar os desafios do mercado de trabalho”. Estes novos “cursos de ensino vocacional” poderão ser frequentados por opção do  aluno ou por sugestão da escola, mas sempre com o acordo dos pais.(...)"