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terça-feira, 11 de junho de 2019

Radical Livre

 


Gosto muito de ouvir rádio. Há algum tempo que ouço uma belíssima conversa a três na antena 1. O "Radicais Livres" é aos sábados por volta das 13h00. Moderado por Rui Pego, Ruben de Carvalho e Jaime Nogueira Pinto conversam. Ou melhor: em directo, conversavam. Ruben de Carvalho(1944-2019)morreu hoje. Entristeceu-me. Que descanse em paz.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Do fim de emissão do blogue do enorme Paulo Guinote

 


 


 


Quem quiser conhecer a História da Educação no que levamos de milénio terá de passar horas sem fim à volta do blogue do Enorme Paulo Guinote.


 


Sou seu amigo e respeito a decisão. Como é costume, deixei vários posts temporizados para estes dias e só interrompi o descanso porque o Umbigo é o que se sabe.


 


Voltarei ao assunto com mais tempo, mas se alguém se dedicar a estudar o que aconteceu à vidinha deste género de bloggers perceberá os tiques da crise da democracia que estamos a construir. Até já Grande Che (e desculpa as inconfidências).


 


 


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quarta-feira, 30 de abril de 2014

da primeira elegia

 


 


 


 



A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.


 


Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.


 


Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.


 


 


 


 


 


Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias


dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse


para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua


natureza mais potente. Pois o belo apenas é


o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,


e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha


destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.


 


Por isso me contenho e engulo o apelo


deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia


valer? Nem Anjos, nem homens,


e os argutos animais sabem já


que nós no mundo interpretado não estamos


confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez


uma árvore na encosta que possamos rever


diariamente; resta-nos a rua de ontem


e a fidelidade continuada de um hábito,


que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.


 


Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo


nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,


suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente


do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?


Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)


 


 


 


 


 


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

pero que las hay, las hay

 


 


 


 


Ontem, pelas 13h30, fui esvaziar o cacifo à escola dos últimos vinte anos. Pedi a uma das assistentes operacionais para me abrir a porta do gabinete e foi inevitável: o professor vai-se embora?


 


Atenuei, mas a emoção tomou conta de nós e rapidamente contaminou as pessoas que estavam na escola.


 


A história é simples. A EBI de Santo Onofre, (que de 47 já vai em 24 turmas e é atingida pelo flagelo do público-privado nas Caldas da Rainha) deixou de ser escola sede com o advento dos mega-agrupamentos. Já em Julho tinha ido a uma reunião do meu mega-departamento e fui eleito coordenador. Esta semana fiquei a saber que a queda de turmas associada a outras variáveis de gestão faz com que a minha componente lectiva seja toda na escola sede. Ou seja, sem qualquer tipo de concurso não leccionarei na EBI de Santo Onofre no próximo ano lectivo. O trajecto da escola para casa foi percorrido com os olhos húmidos. Sei que o rol de insanidades que devastam os professores portugueses transforma este meu problema num caso menor. Sei que sim. Mas doeu mesmo.


 


Convidaram-me para fazer uma conferência, no Sábado, para professores de Educação Física integrada numas jornadas pedagógicas que começaram hoje e que incluem uma formação em Basquetebol. Não resisti. Esta tarde viajei no tempo e joguei o desporto da minha vida. Num dos exercícios, senti uma dor inédita, e fortíssima, no gémeo da perna esquerda. Pareceu-me um pontapé da colega que estava a meu lado ou que alguma pedra tinha caído do tecto do pavilhão. Mas não. Uma rotura ou contratura muscular obriga-me a dias de gelo, a umas três semanas de muletas e à natural incomodidade.


 


"No creo en brujas, pero que las hay, las hay".