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quinta-feira, 24 de março de 2011

a força da razão é o fim desta avaliação

 


 


É com emoção que estou a teclar, confesso. Conforme o Paulo Guinote informa aqui, tudo indica que esta avaliação do desempenho cai amanhã. Depois de tanto escrever sobre este quase fascismo por via administrativa, seria natural que terminasse o post com este parágrafo. Mas isto merece mais.


 


Venho agora de Santo Onofre. Uma grande amiga lembrou-me uma intervenção minha numa reunião geral de professores no auge da luta e na altura em que o governo se serviu de gente inclassificável para destituir o Conselho Executivo: "temos estado com algum sossego porque temos lutado muito. Agora é que vai começar a doer e a luta vai ser longa. Exige-se uma resistência inteligente e será desnecessária a existência de heróis ou de mártires". Desculpem-me localizar, mas são muitos os meus colegas que quero homenagear: sublinho a sua lição de dignidade e de profissionalismo.


 


Sei, e agora ainda melhor, que a mais dura das derrotas é quando se vê todos os dias a razão a vencer, mas em que a vitória final tarda em acontecer. Amanhã será um dia histórico. Espero que todos saibam tirar as devidas ilações.


 


 

domingo, 26 de abril de 2009

dias alegres (11)

 


 


Já recebi vários mails com imagens relativas ao bonito dia que ontem tive oportunidade de viver. Segundo dados recolhidos junto dos profissionais do CCC (e nunca é excessivo salientar a pronta disponibilidade na cedência do belo espaço que é o pequeno auditório), estiveram presentes cerca de 130 pessoas. Para além dos professores do agrupamento, houve várias presenças que registei com muito agrado: professores das mais diversas escolas da cidade, autarcas locais e encarregados de educação com saliência para o actual presidente da direcção da associação de pais e encarregados de educação do agrupamento de escolas de Santo Onofre.


 


Publico de seguida algumas das fotos com a legenda possível (sempre da esquerda para a direita).


 


 



 


Lina Esteves, a presidente eleita do Conselho Executivo,


Rui Correia, que teve a excelente ideia


e que se responsabilizou


pela organização da sessão,


Paulo Guinote, o autor do livro


em causa e eu.


 


 



 


Rui Correia e Paulo Guinote.


 


 



 


Paulo Guinote mostra-me a página do seu livro onde faz referência à existência do meu "correntes". Devo confessar duas coisas: ainda não tinha tido a oportunidade de mexer no livro e foi um bela surpresa para a comemoração dos cinco anos do meu blogue.


 



 


Paulo Guinote explica quem é quem na sua turma


dos tempos do primeiro ciclo.


 



 


O já conhecido coro "os pastelinhos de belém"


prepara a sua memorável actuação.


A primeira da direita é a incansável


maestrina Isabel Seno.


 



Paulo Guinote assina o livro adquirido pela Sandra Amaral,


professora na EBI de Santo Onofre.


 



 


Paulo Guinote abre a prenda Bordaliana oferecida


por professores e educadores do


agrupamento de escolas de Santo Onofre.


Junto à prenda, vê-se a parte de cima da cabeça


da sua pequena filha Marta,


que me perguntou o motivo pelo qual


o pai era alvo de tantas cortesias.





 


Pode ainda ver, aqui, um álbum de fotografias produzido pelo Rui Correia.


 


Se clicar no vídeo que segue, ficará com uma excelente imagem de parte da atmosfera que se viveu. A produção é da responsabilidade da família da maestrina Isabel Seno.


 


 


 


dias alegres (10)


 


(encontrei esta imagem no blogue do Paulo Guinote)


 


A apresentação do livro do Paulo Guinote, nas Caldas da Rainha, no dia 25 de Abril de 2009, e em solidariedade com o agrupamento de escolas de Santo Onofre, não podia ter ocorrido em data mais apropriada.


 


Verifiquei muitos pontos de contacto entre a história do blogue do autor do livro e a do agrupamento de escolas onde me orgulho de ser professor.


 


Trajectos que procuram sustentar as suas posições em muita informação e profissionalismo, que se guiam por princípios de coerência, de liberdade, de autonomia e de muita responsabilidade. Sabemos que para pisar caminhos como os referidos numa sociedade como a nossa, e principalmente no momento que vivemos, é necessária alguma dose de coragem e que é, naturalmente, um exercício de risco. Afinal, e na minha opinião, o verdadeiro espírito do 25 de Abril.


 


Foi um dia muito bonito e que jamais esquecerei.


 


Ainda não recebi imagens dos diversos momentos e desta vez dei uma folga ao meu telemóvel. 


 


Espero voltar ao assunto.


 


A imagem que se segue também a encontrei no blogue do Paulo Guinote. Refere-se a mais uma apresentação do já célebre coro de Santo Onofre, "os pastelinhos de belém", a fazerem uso de uma pequena parte do seu vasto repertório.


 


 



 

terça-feira, 14 de abril de 2009

dias alegres (9)

 


 


 


Talvez considerem estranho inserir na rubrica "dias alegres" o que vai ler a seguir. Mas se tiver paciência para ler esta entrada até ao fim, e aconselho-o a fazer, vai entender melhor o meu estado de espírito.


 


Sei que colocamos em primeiro lugar as nossas escolas e que desejamos manter no limite das nossas possibilidades as estruturas organizacionais que fomos construindo ao longo da nossa bonita história. Mas também sei que o momento é difícil e de luta. Somos crescidinhos e temos a veleidade de pensar que conhecemos o lado certo da história.


 


Já que chegámos até aqui, só nos resta continuar de consciência tranquila na defesa da nosso principal mote de união: a defesa da escola pública de qualidade para todos.


 


E hoje foi um dia muito comovente e bonito. Eram 18h00 e já muitos lá estavam. A concentração de professores e educadores convocada pelos movimentos independentes de professores e pelo SPGL registou uma impressionante onda de solidariedade. Para além da presença dos representantes das estruturas referidas, recebemos mensagens de muitos dos que não nos puderam significar a sua presença física. Até de Macau nos apareceu o testemunho de um dos nossos que partiu para uma reforma com penalização. Antigos professores, amigos de longa data, ex-presidentes das diversas escolas, não docentes em exercício nas escolas do agrupamento, colegas de outras escolas em luta, quer na região quer dos lugares mais distantes do país, a deputada Ana Drago, o vereador da Educação da Câmara Municipal local, encarregados de educação e antigos alunos, todos se quiseram associar a este movimento singular.


 


E no final da concentração todos assinaram a moção que pode ler de seguida:


 


 



Moção


 


No passado dia 2 de Abril de 2009, o Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas de Sto. Onofre, Caldas da Rainha, foi substituído por uma Comissão Administrativa Provisória, nomeada pela Direcção Regional de Educação de Lisboa. Este Conselho Executivo, assim exonerado, havia sido eleito nos termos da lei, completando o seu mandato em Junho de 2010. Baseia-se esta destituição no facto de não existir até à data de 31 de Março de 2009 os instrumentos e os órgãos considerados necessários para a eleição de um Director.


 


Na circunstância em que comunicou esta decisão aos elementos do Conselho Executivo, o Senhor Director Regional de Educação de Lisboa insistiu que esta deliberação não representa nenhum acto disciplinar por incumprimento de lei. Esta informação é consequente com a posição assumida pelos professores e educadores deste Agrupamento que consideram que não existem quaisquer fundamentos para esta extemporânea destituição.


 


Realce-se que o Conselho Executivo cumpriu todos os procedimentos necessários ao lançamento do processo de eleição do Conselho Geral. Ou seja, o Ministério demitiu um Conselho Executivo apenas porque este cumpriu as suas obrigações. Entre muitas coisas com lógica semelhante, seria como alguém ser multado por ter estacionado no sítio devido.


 


Sublinhe-se que não está, nem nunca esteve, em causa saber se estas escolas têm ou não uma direcção. Estas escolas já demonstraram serena e amplamente a sua idoneidade em dirimir as suas contrariedades. Ao contrário do que afirma a Senhora Ministra da Educação, a comunidade quer esta escola. E tê-la-á como sempre teve: próxima e trabalhadora. Este agrupamento tem uma direcção, devidamente eleita, e não existe, nem nunca existiu nenhuma espécie de vazio institucional. O único vazio foi criado, artificialmente, por esta exoneração.


 


Desejam os cidadãos abaixo identificados manifestar-se publicamente envergonhados por se desonrar, desta forma insensata e extravagante, o mandato eleitoral de um Conselho Executivo. Não estão estes cidadãos disponíveis para aceitar, sem mais delongas, que um sufrágio universal, livre, legal e democrático não deva ser honrado, quando não se reportam fundamentos de justa causa. Não aceitamos que a democracia deva ficar à porta das escolas de Portugal; não aceitamos que o voto de todos seja percebido como um sistema que não serve para encontrar as melhores lideranças escolares. Nenhuma literatura demonstra que uma liderança forte não possa ou não deva ser eleita por todos; nada permite concluir que um sistema unipessoal de gestão alguma vez tenha importado melhorias no rendimento dos nossos filhos e alunos. São outros e muito mais complexos os factores que influenciam as notas dos alunos e a qualidade do ensino.


 


Acreditamos na representatividade democrática que rege os preceitos jurídicos e democráticos que fundamentam a República Portuguesa. As escolas são, justamente, um lugar de privilégio para que os futuros cidadãos conheçam e aprendam ao longo de toda a sua escolaridade como a democraticidade constitui um factor de força, de união e de liderança e não de incúria, de fraqueza ou de resignação. E que um voto, qualquer que seja o voto, conta.


 


Caldas da Rainha, 14 de Abril de 2009



 

dias alegres (8)

 


Desta vez nem cabeça tive para umas fotos.


 


Mas o Paulo Sousa não se esqueceu. O Rui Correia fez o tratamento das imagens e publico-as com a legenda possível.


 


 



Imagem dos momentos iniciais da concentração.


 


 



Lina Esteves, a presidente eleita do Conselho Executivo, diz da sua justiça aos órgãos de comunicação.


 


 


 



Lina Esteves na momento da sua comunicação.


 


 



Rui Correia, professor na escola e ex-vice presidente do Conselho Executivo, lê a moção que foi subscrita pelos presentes.


 


 



Ana Drago, deputada do bloco de esquerda na Assembleia da República, no momento da sua comunicação. O primeiro à esquerda é Tinta Ferreira, vereador da Educação na autarquia local e a pessoa que se segue é Manuel Micaelo, dirigente sindical do SPGL.


 


 



Estes três identificam-se assim e da esquerda para a direita: o primeiro sou eu, a seguir está o Delfim Azevedo, professor na escola e candidato do PS à autarquia local e ao seu lado temos a Célia Jorge, professora na escola e ex-membro do Conselho Executivo.

terça-feira, 31 de março de 2009

dias alegres (7)

 


 


O agrupamento de escolas de Santo Onofre, onde me orgulho de ser professor, acaba de aprovar a seguinte moção subscrita pelos seus educadores e professores.


 


 



Moção


 


Uma senhora educadora pertencente ao Agrupamento de Escolas de Sto Onofre, Caldas da Rainha, acaba de anunciar numa reunião que aceitou um convite para integrar uma equipa, dirigida por um professor oriundo do concelho de Peniche, que irá substituir o actual Conselho Executivo deste estabelecimento de ensino. Segundo a docente, esse grupo de professores tomará posse oficial dentro de dias.


 


A confirmar-se, esta notícia representa um golpe categórico e inédito nas fundações jurídicas e históricas que sustentam e regulam desde sempre este e os demais estabelecimentos de ensino do concelho da Caldas da Rainha.


 


Cumpre afirmar peremptoriamente que não existe qualquer fundamento sustentável para executar esta penhora extemporânea do mandato dos actuais órgãos de gestão deste Agrupamento. Estas escolas possuem um Conselho Executivo devidamente eleito por todos os professores dos onze estabelecimentos de ensino associados, com mandato até Junho de 2010.


 


Os colegas que constituem a equipa do Conselho Executivo apresentaram-se, então, a sufrágio livre e democrático que escrutinou e sancionou o seu programa, em respeito integral pela legislação em vigor.


 


Por mais do que uma vez, a escola homologou em reuniões de professores a representatividade do Conselho Executivo, reiterando que as suas posições representam vantajosamente os superiores interesses dos alunos, nomeadamente, em matéria de coordenação curricular e dos restantes membros da comunidade escolar, no estrito âmbito da sua organização interna, devidamente regulamentada.


 


É conhecido que este agrupamento de escolas é um dos que não instituiu o denominado Conselho Geral Transitório. Este órgão é considerado indispensável para criar condições para a aplicação do novo e controverso modelo de gestão escolar e de avaliação de professores, entretanto lançados pelo Ministério da Educação.


 


Esta situação de carência institucional deveu-se a uma única razão: nenhum professor manifestou interesse em integrar uma lista para o denominado Conselho Geral Transitório. Repetiu-se até o edital que convidava os professores a apresentar listas. A presidente da Assembleia de Escola aplicou escrupulosamente todas as medidas legais, e ultrapassou mesmo as prerrogativas que a lei lhe comete como fundamentais, para que se pudesse iniciar e preparar o necessário processo eleitoral. Não tendo havido resposta por parte dos professores, o Conselho Executivo convocou duas reuniões gerais para expor o problema e novamente instar os senhores professores a apresentar listas. O resultado destas iniciativas revelou-se inconsequente.


 


Em virtude do vazio que esta situação representa – não existe qualquer articulado legal que preveja e previna esta ocorrência – o Conselho Executivo não poderia tomar qualquer outra medida que não fosse a de, novamente, informar a hierarquia do que se estava a passar. Tal foi cumprido por mais do que uma ocasião.


 


Se bem que todo o processo carecesse dos instrumentos e entidades considerados essenciais para a implementação do novo modelo de gestão e de avaliação, foi, contudo, exigido pela Direcção Regional de Educação de Lisboa, que se elaborasse e apresentasse um calendário que permitisse concretizar o processo de avaliação de professores. O calendário foi, assim, elaborado, imediatamente remetido à DREL e publicitado nos lugares de estilo do Agrupamento, sempre por iniciativa do actual Conselho Executivo.


 


Não obstante a perturbação que este vazio institucional fatalmente suscitou, o curso das aulas e o cumprimento do plano de actividades aprovado em Conselho Pedagógico tem estado a ser, tranquila e escrupulosamente, executado, não havendo a registar quaisquer perturbações na actividade escolar em qualquer um dos onze estabelecimentos de ensino, realidade que muito deve ao carácter moderado, equilibrado e sempre tecnicamente fundamentado de todas as posições assumidas, tanto pelo Conselho Pedagógico, como por este Conselho Executivo.


 


Desde o princípio que esta equipa executiva tem aplicado exactamente o que lhe é instruído. Demonstrou-o em todas as ocasiões. Nenhuma razão objectiva assiste, portanto, a que se proceda a uma contraditória exoneração do actual Conselho Executivo. E este princípio, a que se associam todos os docentes que subscrevem este documento, reitera-se, nomeadamente, se essa exoneração, por absurdo, se reportasse ao facto de, simplesmente, não ter existido ninguém que quisesse integrar o denominado Conselho Geral Transitório. Nenhum professor tem a obrigação de se candidatar a qualquer cargo, assim como nenhum Conselho Executivo pode – ou deve - sujeitar essa coacção a quem quer que seja.


 


Não é por imodéstia e constitui mesmo uma necessidade dolorosa ter de recordar que este Agrupamento possui um historial de entrega ao trabalho que ninguém saberia como depreciar. O conjunto destas escolas tem desenvolvido projectos educativos que vêm arrecadando numerosos prémios nacionais atribuídos pelo Jornal Público, pela Associação Portuguesa de História, pela Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, pelo Plano Nacional de Leitura, pela Fundação Calouste Gulbenkian, só para referir alguns dos mais recentes; no ano passado foi uma das duas escolas seleccionadas para representar Portugal na Conferência sobre Inovação e Educação durante a presidência Eslovena da União Europeia; trata-se de uma escola que iniciou no concelho das Caldas da Rainha o processo de implementação dos cartões electrónicos dos alunos, numa iniciativa precursora que beneficiou, nessa altura, de uma cumplicidade diligente e memorável com a sua associação de pais e encarregados de educação; foi precursora na construção de instrumentos informáticos de gestão escolar contemporânea, louvada publicamente pelo Senhor Secretário de Estado da Educação, que a quis conhecer e enaltecer pessoalmente; foi o primeiro a instituir a matrícula automática de todos os seus alunos; foi pioneiro na implementação de atendimento aos seus utentes em regime de open-office; foi precursor na dinamização de plataformas de ensino e de coordenação pedagógica a distância, que hoje fazem parte irremovível do seu quotidiano operacional; foi pioneiro na articulação curricular que permitiu que todos os seus alunos do primeiro ciclo tivessem aulas de inglês, dez anos antes da iniciativa governamental o aplicar ao resto do país; é uma escola com experiência segura em programas comunitários (Arion, Comenius, Pestalozzi, Lifelong Learning Programme); os seus alunos são finalistas habituais em iniciativas nacionais de didácticas específicas (Olimpíadas da Matemática); é um agrupamento com uma elevada incidência de docentes pós-graduados, mestres e doutorandos; o agrupamento integra escolas que se situam em contextos escolares difíceis e que, não obstante, conseguiram, não apenas conter o abandono escolar a taxas ínfimas como melhorar, ano após ano, os níveis de aproveitamento e desempenho escolar; trata-se de um agrupamento que anualmente estrutura um plano de formação autónomo e plural, devidamente acompanhado pelo Centro de Formação que serve o concelho; um agrupamento que se habituou a proceder a uma contínua avaliação interna que mobiliza todos os departamentos curriculares; trata-se do primeiro agrupamento a instituir um sistema seguro e pesquisável de todas as suas actas entretanto digitalizadas; trata-se de um agrupamento que se orgulha de ter recebido inúmeros alunos com necessidades especiais graves numa parceria duradoura, consequente e profissional com o Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor que o elegeu, durante anos, como seu parceiro privilegiado. Trata-se de uma escola que movimenta anualmente em acções de voluntariado cívico centenas de alunos e professores, que consistentemente vêm apoiando diversas entidades e iniciativas que sabemos como amparar. Trata-se, de facto, de uma escola com uma vocação de participação activa junto da comunidade; uma escola que criou, em colaboração com empresas e particulares, currículos adaptados pré-profissionais que permitiram integrar dezenas de alunos que entretanto haviam sido considerados de elevado risco de abandono, eliminando-o completamente. Trata-se de uma escola que mantém as melhores relações com a comunidade que serve e com a administração pública que dela se orgulha e que acompanha com proximidade (escola segura, câmara municipal e parceiros privados). São, pois, abundantes as razões que nos conferem o orgulho autêntico que temos em pertencer a este grupo de profissionais solidários, responsáveis e diligentes.


 


Consideramos, também por tudo isto, não existirem quaisquer fundamentos que autorizem a interrupção do normal cumprimento de um mandato eleitoralmente sancionado e que demonstrou ao longo de anos privilegiar uma conduta de equilíbrio, profissionalismo e de um constante distanciamento em participar em dinâmicas de alvoroço social, motivadas por interesses que transponham a estrita qualidade da aprendizagem dentro e fora das nossas salas de aula.


 


Consideramos que esta destituição gerará uma perturbação desnecessária e improfícua que não deixará de importar consequências nocivas ao curso das actividades escolares; a saber: a interrupção do projecto educativo que os actuais Conselho Executivo e Conselho Pedagógico aprovaram e têm vindo a acompanhar, em conjunto com uma extensa comunidade escolar, a sua substituição por um programa de actuação que é, nesta altura do ano lectivo, tão inoportuno quanto ignorado de todos os professores, a destituição extraordinária de toda a direcção executiva e respectiva troca por um grupo de professores, desconhecido e desconhecedor desta comunidade escolar, a inevitável reorganização de estruturas curriculares, entre outras anomalias, impõem sobre estas onze escolas um agregado de perturbações e de prejuízos institucionais que, objectivamente, estorvam um quotidiano escolar que é, reconhecidamente, estável e experiente. São alterações imprevistas que, concreta e desnecessariamente, transtornarão a vida de alunos, encarregados de educação, docentes e não docentes.


 


Cumpre reiterar que a perplexidade aqui demonstrada por este conjunto de professores é reforçada pelo facto de estar a impor-se esta medida, juridicamente desproporcionada e educacionalmente exorbitante, num momento crítico do ano lectivo em que, ao invés, importaria proporcionar-se a maior tranquilidade, nomeadamente na elaboração e implementação do calendário de exames e de encerramento do ano lectivo que se avizinham.


 


Consideramos que, a ser verdadeira, esta iniciativa hoje anunciada pela senhora educadora acima referida é aviltante do bom-nome de todos os profissionais destas onze escolas, que desde há décadas vêm demonstrando o seu empenhamento e profissionalismo em prol da educação neste concelho.


 


Preocupa-nos imaginar que lição retirarão os nossos alunos deste atropelo ao mais imprescindível dever e direito de cidadania que é o voto livre e universal.


 


Apelamos a todas as forças vivas do concelho que promovam as iniciativas que considerem adequadas para testemunhar junto de quem de direito qual o efectivo papel social e cívico que tem sido desempenhado por este agrupamento de escolas, algumas das quais a comemorar o seu centenário.


 


Consideramos um ultraje à cidadania democrática e à solenidade de um Estado de Direito, que súbita e arbitrariamente, se derrubem os efeitos e as expectativas legitimamente erguidas e sancionadas pela dignidade de um acto eleitoral.


 


Caldas da Rainha, 31 de Março de 2009


terça-feira, 17 de março de 2009

dias alegres (6)

 


 


(encontrei esta imagem aqui)


 


Dias alegres é uma rubrica do meu blogue onde dou conta da posição singular da minha escola (o agrupamento (ou amontoado se se quiser ser rigoroso) de escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha) nesta longa, difícil e corajosa luta dos professores portugueses. Se clicar aqui, encontrará a rubrica com todas as entradas sobre o assunto.


 


A escola a que me orgulho de pertencer tem, e de acordo com as informações dos ógãos institucionais, duas posições quase inéditas:


 



  • não consegue eleger docentes para o conselho geral transitório, apesar do processo de candidaturas já ter decorrido por 3 vezes por sugestão da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT, vai a sigla para que se tiver de escrever isto de novo);

  • tem o processo de avaliação do desempenho parado numa invulgar posição dos órgãos eleitos e o calendário desta coisa inaplicável fixa a entrega (sabe-se que ninguém o fará) dos objectivos individuais para uma data algures no terceiro período.


 


E hoje foi assim: o senhor director da DRELVT, e a sua assessoria jurídica, fez questão de reunir, nas bonitas instalações da escola, com o conselho pedagógico. O objectivo, por si confessado, foi de conversar e de perceber melhor as idiossincrasias desta escola tão invulgar.


 


Ficou a conhecer as nossas lúcidas razões e o elevado grau de profissionalidade, de rigor, de autonomia e de responsabilidade que por ali se pratica. Percebeu melhor a história deste grupo de escolas e o seu referencial conjunto de boas práticas.


 


Foi uma manhã bonita e que não esquecemos tão depressa.


 


Bem hajam colegas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

dias alegres (5)

 


 (encontrei esta imagem aqui)


 


 


 


Na edição de hoje, dia 23 de Fevereiro de 2009, do jornal Público pode ler-se uma notícia que envolve a escola (ou o amontoado de escolas, ou seja, digo, o agrupamento de escolas) onde sou professor: o agrupamento de escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha.


 


O jornal dedicou a edição, e no que ao sistema escolar diz respeito, à gestão escolar.


 


Também dá notícia de umas escolas "apressadas" onde já há director e tudo o mais que lhes mandaram fazer. Alguns dos "corajosos" directores, seis no total do país, até fazem discursos de tomada de posse onde arrasam a actual política educativa, incluindo, nessa arriscada posição, o modelo de gestão em curso; uma coisa estratosférica. Segundo os seus responsáveis são "culturas de escola" e onde a lei é para cumprir. Dá ideia que até conseguiram implementar a 1ª versão do modelo de avaliação do desempenho; devem ser as ditas escolas de referência e de boas práticas: gente acima da média, sem duvida (são, na minha modesta opinião, actos que se ilustram pela imagem que pode ver de seguida).


 


 



 


 (encontrei esta imagem aqui)


 


 


Ora leia o texto em que é referida a escola onde, com muito orgulho, sou professor.


 


 



No Agrupamento de Santo Onofre, professores não têm candidatos.


 

Deve haver poucas escolas onde a implementação do novo modelo de gestão esteja tão atrasada como nas que constituem o agrupamento de Santo Onofre, nas Caldas da Rainha. Até porque, mais do que atrasado, o processo está parado. Por duas vezes se marcaram eleições e em ambas se assistiu ao mesmo: nem um dos 180 professores e educadores do agrupamento se candidatou a representar os colegas no Conselho Geral Transitório que, por isso, ainda não foi constituído.

Desde o início do ano lectivo que andam nisto. Nem há um mês, a presidente do Conselho Executivo, Lina Soares de Carvalho, convocou uma reunião geral de professores para perguntar se valia a pena abrir um terceiro processo eleitoral. Como ninguém tinha, entretanto, mudado de ideias, tudo ficou como estava. 

No agrupamento, onde estudam 1800 crianças, do jardim-de-infância ao 9.º ano, ninguém parece preocupar-se com a situação. "A verdade é que, ao contrário do que vejo acontecer noutras escolas, aqui há paz e serenidade. Ninguém se desgasta com processos burocráticos e com reuniões inúteis, estamos todos concentrados e empenhados no que importa, os alunos e o processo de ensino e aprendizagem", diz a presidente do Conselho Executivo.

Para a tal paz, considera Lina Soares de Carvalho, contribuiu o facto de os professores não terem sido chamados a tomar decisões sobre a avaliação. Numa atitude invulgar, o Conselho Pedagógico assumiu a decisão de suspender o processo, numa votação por voto secreto. E também ninguém, de entre os professores, a contestou. G.B.R. 


 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

dias alegres (4)

 


 



 


 


A escola onde sou professor, o agrupamento de escolas de Santo Onofre, tem assumido um papel singular nesta luta dos professores: a decisão de não aplicar o modelo inexequível de avaliação de desempenho tem partido sempre, e naturalmente, dos órgãos próprios do agrupamento; sem necessidade de reuniões gerais de professores ou de abaixo-assinados.


 


Ou seja, os responsáveis assumem a sua plena responsabilidade de modo informado e com a consciência de que o fazem pelo simples facto de conhecerem o lado da razão; e a história deste penoso processo tem confirmado as lúcidas alegações.


 


Mas convocou-se, para ontem, uma reunião geral de professores. Sentia-se a necessidade de conversar, de trocar opiniões, de ajudar a esclarecer e, obviamente, de espantar medos diversos.


 


E foi bonito, muito bonito mesmo. Num ambiente sereno, esclarecido e determinado, percebeu-se que a hora é difícil e que a longa luta começou agora a doer: mas nem por isso se vacilou.


 


A história se encarregará de nos esclarecer o lado certo das emoções. De uma coisa estou seguro: tenho orgulho em fazer parte de uma instituição com semelhante cultura de autonomia e de responsabilidade.


 


Bem hajam, colegas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

dias alegres (3)

 



 


 


Há um aspecto nas posições que a minha escola tem assumido nesta luta dos professores que me deixa particularmente orgulhoso por pertencer a uma instituição com aquela cultura de liderança e de responsabilidade.


 


Antes de ir directamente ao assunto quero sublinhar o seguinte: no seguimento da publicação da primeira versão do modelo de avaliação dos professores, todos têm bem presente o que se passou: houve uns quantos que começaram por dizer que a coisa era monstruosa e inaplicável e foram considerados uns hereges e que o não queriam era ser avaliados; como mais tarde se provou, tinham razão: não há hoje quem contrarie essa constatação; mais tarde, e após o entendimento entre o governo e os sindicatos de professores, passou-se o mesmo: existiu até uma primeira redução do modelo que deu no que deu: foi considerada, de forma quase unânime e até pelo próprio governo, como inaplicável; a situação actual é apenas uma repetição de cenas já nossas conhecidas, embora o modelo de avaliação esteja, se é que ainda era possível, mais inaplicável.


 


Voltemos então ao que me orgulha tanto na minha escola. Nesta instituição, todas as decisões de suspensão ou de não aplicação do modelo foram tomadas pelos avaliadores (professores titulares, obviamente) porque estudaram os assuntos e concluíram da sua completa inexequibilidade. Nada nesse sentido foi exigido aos professores avaliados. Os avaliadores assumiram a sua inteira responsabilidade, naturalmente. É claro que todos os professores da escola foram ouvidos e manifestaram a sua opinião. Mas não existiu uma única reunião geral de professores e os abaixo-assinados foram apenas sectoriais. Ou seja, os avaliados sentiram-se representados pelos responsáveis que elegeram e confiaram nas suas decisões. E como se viu, tinham razões para isso.


 

dias alegres (2)

 


 


 


 


O Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha, onde sou professor, e depois de uma aturada e detalhada análise da nova legislação em vigor, decidiu não aplicar o modelo de avaliação do desempenho de professores. Esta decisão assenta nos já sobejamente conhecidos argumentos e inscreve-se, naturalmente, no critério de completa inexequibilidade do referido modelo de avaliação que, na opinião expressa pela totalidade dos membros, encontra agora detalhes que aumentam o já incomensurável volume de situações inaplicáveis.


 


A não aplicação foi decidida na reunião de 7 de Janeiro de 2009, do Conselho Pedagógico do agrupamento, num sufrágio por voto secreto, que registou a unanimidade dos 17 membros presentes.


 


Nesta reunião, foi apresentado o relatório do Conselho Executivo onde se relata com detalhe todos os aspectos que impedem a implementação do modelo, tendo, o referido órgão e por decisão tomada na sua última reunião ordinária, optado por não aplicar o diploma que regulamenta a avaliação dos professores, tendo, no entanto, requerido a aprovação do Conselho Pedagógico.


 


Importa referir que a tomada de posição do Conselho Pedagógico, fundamentou-se ainda nos estudos já realizados anteriormente, com destaque para a tomada de posição no mesmo sentido por parte da Comissão de Coordenação da avaliação do desempenho e dos diversos Conselhos de Docentes e de Departamento Curricular.


 


Todas as decisões estão devidamente fundamentadas e delas será dado conhecimento às entidades responsáveis.


 


A presidente do Conselho Executivo informou o Conselho Pedagógico que vai participar na reunião de presidentes de Conselho Executivo a realizar, em Santarém, no dia 10 de Janeiro de 2009.


 

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

dias alegres (1)

 


 


 


O Agrupamento de Escolas de Santo Onofre, em Caldas da Rainha, onde sou professor, decidiu suspender o modelo de avaliação do desempenho de professores. Esta decisão assenta nos já sobejamente conhecidos argumentos e inscreve-se, naturalmente, no critério de completa inexequibilidade do referido modelo de avaliação.


 


A suspensão foi decidida na reunião de 5 de Novembro de 2008, do Conselho Pedagógico do agrupamento, num sufrágio por voto secreto que registou a unanimidade dos membros presentes.


 


Nesta reunião, foi apresentado o relatório do Conselho Executivo onde se relata com detalhe todos os aspectos que impedem a implementação do modelo, tendo, o referido órgão e por decisão tomada na sua última reunião ordinária, considerado como suspenso o diploma que regulamenta a avaliação dos professores, tendo, no entanto, requerido a aprovação do Conselho Pedagógico.


 


Importa referir que a tomada de posição do Conselho Pedagógico, fundamentou-se ainda nos estudos já realizados anteriormente, com destaque para a tomada de posição no mesmo sentido por parte da Comissão de Coordenação da avaliação do desempenho e dos diversos Conselhos de Docentes e de Departamento Curricular.


 


Todas as decisões estão devidamente fundamentadas e delas será dado conhecimento às entidades responsáveis.


 


E é assim: este é, definitivamente, um dia de muitas alegrias.