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sábado, 23 de dezembro de 2023

Dois cartões de natal (2)


Recebidos por email. Dois inesquecíveis desenhos. Contributo de CVC. Tem que clicar em continuar a ler para ver os dois.


 


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domingo, 25 de dezembro de 2022

Chove. É dia de Natal.

Chove. É dia de Natal.


Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Chove. É Dia de Natal

 



Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

do natal analógico

 


 


 


Os livros em papel resistem, e ainda bem, mas os postais nem por isso e naturalmente. O livro de G. Grass foi uma auto-prenda uns dias antes e o postal é um registo das boas memórias de um professor.


 


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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

do natal

 



 


 


 


Natal de 1971




Natal de quê? De quem?


Daqueles que o não têm?


Dos que não são cristãos?


Ou de quem traz às costas


As cinzas de milhões?


Natal de paz agora


Nesta terra de sangue?


Natal de liberdade


Num mundo de oprimidos?


Natal de uma justiça


Roubada sempre a todos?


Natal de ser-se igual


Em ser-se concebido,


Em de um ventre nascer-se,


Em por de amor sofrer-se,


Em de morte morrer-se,


E de ser-se esquecido?


Natal de caridade,


Quando a fome ainda mata?


Natal de qual esperança


Num mundo todo bombas?


Natal de honesta fé,


Com gente que é traição,


Vil ódio, mesquinhez,


E até Natal de amor?


Natal de quê? De quem?


Daqueles que o não têm?


Ou dos que olhando ao longe


Sonham de humana vida


Um mundo que não há?


Ou dos que se torturam


E torturados são


Na crença de que os homens


Devem estender-se a mão?


 


 


Jorge de Sena, Exorcismos (do blogue ponto de cruz)