quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

do natal

 



 


 


 


Natal de 1971




Natal de quê? De quem?


Daqueles que o não têm?


Dos que não são cristãos?


Ou de quem traz às costas


As cinzas de milhões?


Natal de paz agora


Nesta terra de sangue?


Natal de liberdade


Num mundo de oprimidos?


Natal de uma justiça


Roubada sempre a todos?


Natal de ser-se igual


Em ser-se concebido,


Em de um ventre nascer-se,


Em por de amor sofrer-se,


Em de morte morrer-se,


E de ser-se esquecido?


Natal de caridade,


Quando a fome ainda mata?


Natal de qual esperança


Num mundo todo bombas?


Natal de honesta fé,


Com gente que é traição,


Vil ódio, mesquinhez,


E até Natal de amor?


Natal de quê? De quem?


Daqueles que o não têm?


Ou dos que olhando ao longe


Sonham de humana vida


Um mundo que não há?


Ou dos que se torturam


E torturados são


Na crença de que os homens


Devem estender-se a mão?


 


 


Jorge de Sena, Exorcismos (do blogue ponto de cruz)


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