O estudo do ISPA, com uma amostra de cerca de 800 professores das várias zonas do país, é claro: cerca de metade dos professores sofre de stress, ansidedade e exaustão.
Há muito que os médicos, principalmente os psiquiatras, não se cansam de classificar a profissão de professor como de elevado risco. É natural que depois de vários anos com políticas educativas desmioladas - estatutos do professor e do aluno, avaliação do desempenho e gestão escolar - em que a desconfiança nos professores foi uma tónica assente em prestação de contas sobrecarregada de má burocracia, os resultados sejam arrasadores e prometam acentuar-se com uma nova onda de burocracia e de reorganização da actividade lectiva associadas a um modelo de avaliação-mais-do-mesmo e a uma gestão escolar megalómana que subalterniza a condição dos professores.
Tem perto de 50 anos de idade e mais de vinte a leccionar na mesma escola secundária. É, reconhecidamente, um bom profissional. Disseram-lhe para passar pelos serviços administrativos. O professor ficou sem serviço e tem de concorrer até amanhã, era a notícia que um dos assistentes administrativos tinha para lhe dar.
Já são imensas as situações semelhantes. O mundo está gelado e virado do avesso.
Há professores sem horário porque as turmas que deveriam leccionar estão matriculadas em escolas cooperativas, localizadas nos mesmos concelhos ou cidades, para onde não podem concorrer. Os professores dessas escolas são pagos pelo estado, mas a sua colocação não obedece a critérios escrutináveis pelo público. Os docentes com horário zero nas escolas públicas ficam numa situação de tremenda angústia e injustiça.
É evidente que esta dor não é sentida por muitos, pelo menos até ao dia em que a sua vez, ou de um familiar mais próximo, entre na ordem do dia.