"É unicamente o princípio da concorrência que justifica que a economia política possa aspirar ao estatuto de ciência."
J. S. Mill, Principles of Political Economy
"É unicamente o princípio da concorrência que justifica que a economia política possa aspirar ao estatuto de ciência."
J. S. Mill, Principles of Political Economy
Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:
"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"
Por exemplo, não sabemos se o homem é naturalmente bom e a prevalência do mal obriga-nos a desconfiar.
Por outro lado, e não raramente, assistimos ao convite para o fim da história. É a ânsia de liberdade individual. É a ideia de que, finalmente, está tudo resolvido a caminho da felicidade plena. Também não raramente, essa distracção, se assumida colectivamente, empurra-nos para tragédias.
Por isso, a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade. É crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de perceber ou de transformar.
Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:
"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"
Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.
Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual, consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e de que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.
Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.
É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então há um qualquer interesse inconfessável.
Dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária. Foi assim no caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.
Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.
Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados têm de ser contextualizados.
As propostas que apareceram, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram os argumentos dos que apontaram para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.
É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberais só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.
É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.
A "cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.
Este texto é inspirado noutro
post que escrevi há uns anos.
"É unicamente o princípio da concorrência que justifica que a economia política possa aspirar ao estatuto de ciência."
J. S. Mill, Principles of Political Economy
Foi estranho ouvir pessoas do grupo "mais sociedade" dizerem que desconheciam o que é o neoliberalismo e depois ouvi-las a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconheciam a história, então eram um caso que se devia considerar.
Dizerem que a avaliação das pessoas tinha de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, foi uma linguagem bem-pensante e sedutora que se podia transformar em totalitária, como foi exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade.
Para percebermos o que queriam esses ultraliberais, tínhamos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.
Quando essa espécie de políticos se esconderam na negação do neoliberalismo, trouxeram à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.
Espalharam-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados. As propostas que a "mais sociedade" apresentou, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram às claras o argumentário dos que apontavam para um liberalismo contemporâneo que tinha muito a ver com Milton Friedman e que estava fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.
O que ninguém duvida é que esse liberalismo com neo branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e está acima de qualquer prestação de contas. E a "mais sociedade" só se importunou com o poder político, mesmo com o que tinha legitimidade democrática.
Esse liberalismo "desconhece" a "cartelização de capitais" e tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo. Na Europa essa questão vai colocar-se nos tempos mais próximos e voltarei ao assunto.
A "cartelização de capitais", que a "mais sociedade" também negava servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.
(Já usei este texto noutro post)
Já uma vez fiz um post com uma citação de John Stuart Mill, "As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento", a propósito da Liberdade. Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.
Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.
Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.
É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então são um caso que se deve considerar.
Francamente: dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária; como é exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.
Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.
Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados.
As propostas que agora aparecem, evidenciam o serviço do neo no neoliberalismo e sustentam às claras o argumentário dos que apontam para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.
É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberias só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.
É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.
A "cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.
"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar,
senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento."
John Stuart Mill,
Sobre a Liberdade
Haverá decerto muito caminho a percorrer até que se perceba o quão nefastas foram as actuais políticas educativas para a afirmação da escola pública de qualidade para todos e do seu poder democrático.
Stuart Mill relaciona o valor de um estado com a ideia de liberdade.
Ora leia as palavras seguintes e verifique a analogia com o que se passa no Portugal em que vamos vivendo.
“(…) O valor de um Estado, a longo prazo, é o valor dos indivíduos que o compõem; e um Estado que adie os interesses do desenvolvimento e elevação mental (…), em detrimento de um pouco mais de competência administrativa, ou aquela aparência de competência nos pormenores do negócio que se adquire através da prática; um Estado que inferiorize as suas pessoas, de modo a que sejam instrumentos mais dóceis nas suas mãos, até com fins benéficos, descobrirá que com pessoas pequenas nada de grande se poderia alguma vez realmente alcançar; e que a perfeição da máquina, pela qual sacrificou tudo, no fim de contas de nada servirá, por falta do poder vital que preferiu erradicar, para que a máquina trabalhasse mais suavemente.”
John Stuart Mill, Sobre a Liberdade,
Edições 70, Lisboa, 2006 (págs. 185-186 e 188-189),
traduzido por Pedro Madeira.
Haverá decerto muito caminho a percorrer até que se perceba o quão nefastas foram as actuais políticas educativas para a afirmação da escola pública de qualidade para todos e do seu poder democrático.
Stuart Mill relaciona o valor de um estado com a ideia de liberdade.
Ora leia as palavras seguintes e verifique a analogia com o que se passa no Portugal em que vamos vivendo.
“(…) O valor de um Estado, a longo prazo, é o valor dos indivíduos que o compõem; e um Estado que adie os interesses do desenvolvimento e elevação mental (…), em detrimento de um pouco mais de competência administrativa, ou aquela aparência de competência nos pormenores do negócio que se adquire através da prática; um Estado que inferiorize as suas pessoas, de modo a que sejam instrumentos mais dóceis nas suas mãos, até com fins benéficos, descobrirá que com pessoas pequenas nada de grande se poderia alguma vez realmente alcançar; e que a perfeição da máquina, pela qual sacrificou tudo, no fim de contas de nada servirá, por falta do poder vital que preferiu erradicar, para que a máquina trabalhasse mais suavemente.”
John Stuart Mill, Sobre a Liberdade,
Edições 70, Lisboa, 2006 (págs. 185-186 e 188-189),
traduzido por Pedro Madeira.