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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

princípios por reinventar

 


 


 




"É unicamente o princípio da concorrência que justifica que a economia política possa aspirar ao estatuto de ciência."



 



J. S. Mill, Principles of Political Economy



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

da palavra do dia: liberdade

 


 


 



Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:



"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"



Por exemplo, não sabemos se o homem é naturalmente bom e a prevalência do mal obriga-nos a desconfiar.


Por outro lado, e não raramente, assistimos ao convite para o fim da história. É a ânsia de liberdade individual. É a ideia de que, finalmente, está tudo resolvido a caminho da felicidade plena. Também não raramente, essa distracção, se assumida colectivamente, empurra-nos para tragédias.


Por isso, a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade. É crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de perceber ou de transformar.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

a propósito da liberdade

 


 


 


 


Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:


 



"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"



 


Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.


 


Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual, consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e de que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.


 


Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.


 


 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

coisas estranhas

 


 


 


 


 


 


 


É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então há um qualquer interesse inconfessável.


 


Dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária. Foi assim no caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.


 


Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.


 


Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados têm de ser contextualizados.


 


As propostas que apareceram, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram os argumentos dos que apontaram para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.


 


É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberais só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.


 


É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.


 


"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.












Este texto é inspirado noutro


post que escrevi há uns anos.

sábado, 4 de agosto de 2012

unicamente

 


 


 


 


"É unicamente o princípio da concorrência que justifica que a economia política possa aspirar ao estatuto de ciência."


 


J. S. Mill, Principles of Political Economy

domingo, 10 de junho de 2012

"cartelização de capitais"

 


 



 


 


Foi estranho ouvir pessoas do grupo "mais sociedade" dizerem que desconheciam o que é o neoliberalismo e depois ouvi-las a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconheciam a história, então eram um caso que se devia considerar.


 


Dizerem que a avaliação das pessoas tinha de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, foi uma linguagem bem-pensante e sedutora que se podia transformar em totalitária, como foi exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade.


 


Para percebermos o que queriam esses ultraliberais, tínhamos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.


 


Quando essa espécie de políticos se esconderam na negação do neoliberalismo, trouxeram à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.


 


Espalharam-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados. As propostas que a "mais sociedade" apresentou, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram às claras o argumentário dos que apontavam para um liberalismo contemporâneo que tinha muito a ver com Milton Friedman e que estava fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.


 


O que ninguém duvida é que esse liberalismo com neo branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e está acima de qualquer prestação de contas. E a "mais sociedade" só se importunou com o poder político, mesmo com o que tinha legitimidade democrática.


 


Esse liberalismo "desconhece" a "cartelização de capitais" e tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo. Na Europa essa questão vai colocar-se nos tempos mais próximos e voltarei ao assunto.


 


"cartelização de capitais", que a "mais sociedade" também negava servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.


 


 


 


 


 


(Já usei este texto noutro post)


 


 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

acerca da liberdade

 


 


 


Já uma vez fiz um post com uma citação de John Stuart Mill"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento", a propósito da Liberdade. Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.


 


Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.


 


Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

lugares

 


 



 


É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então são um caso que se deve considerar.


 


Francamente: dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária; como é exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.


 


Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.


 


Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados.


 


As propostas que agora aparecem, evidenciam o serviço do neo no neoliberalismo e sustentam às claras o argumentário dos que apontam para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.


 


É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberias só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.


 


É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.


 


"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.

domingo, 12 de junho de 2011

liberdade

 


 


 


 


 


 


"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar,


senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento."


 


 


 


John Stuart Mill, 


Sobre a Liberdade

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

o estado e a liberdade - um bem demasiado precioso

 


 



Foi daqui


 


 


 


 


Haverá decerto muito caminho a percorrer até que se perceba o quão nefastas foram as actuais políticas educativas para a afirmação da escola pública de qualidade para todos e do seu poder democrático.


 


Stuart Mill relaciona o valor de um estado com a ideia de liberdade.


 


Ora leia as palavras seguintes e verifique a analogia com o que se passa no Portugal em que vamos vivendo.


 


“(…) O valor de um Estado, a longo prazo, é o valor dos indivíduos que o compõem; e um Estado que adie os interesses do desenvolvimento e elevação mental (…), em detrimento de um pouco mais de competência administrativa, ou aquela aparência de competência nos pormenores do negócio que se adquire através da prática; um Estado que inferiorize as suas pessoas, de modo a que sejam instrumentos mais dóceis nas suas mãos, até com fins benéficos, descobrirá que com pessoas pequenas nada de grande se poderia alguma vez realmente alcançar; e que a perfeição da máquina, pela qual sacrificou tudo, no fim de contas de nada servirá, por falta do poder vital que preferiu erradicar, para que a máquina trabalhasse mais suavemente.” 


 


 John Stuart Mill, Sobre a Liberdade,


Edições 70, Lisboa, 2006 (págs. 185-186 e 188-189),


traduzido por Pedro Madeira.


 


 


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

o valor de um estado

 


 


 


 


 


Haverá decerto muito caminho a percorrer até que se perceba o quão nefastas foram as actuais políticas educativas para a afirmação da escola pública de qualidade para todos e do seu poder democrático.


 


Stuart Mill relaciona o valor de um estado com a ideia de liberdade.


 


Ora leia as palavras seguintes e verifique a analogia com o que se passa no Portugal em que vamos vivendo.


 


 




“(…) O valor de um Estado, a longo prazo, é o valor dos indivíduos que o compõem; e um Estado que adie os interesses do desenvolvimento e elevação mental (…), em detrimento de um pouco mais de competência administrativa, ou aquela aparência de competência nos pormenores do negócio que se adquire através da prática; um Estado que inferiorize as suas pessoas, de modo a que sejam instrumentos mais dóceis nas suas mãos, até com fins benéficos, descobrirá que com pessoas pequenas nada de grande se poderia alguma vez realmente alcançar; e que a perfeição da máquina, pela qual sacrificou tudo, no fim de contas de nada servirá, por falta do poder vital que preferiu erradicar, para que a máquina trabalhasse mais suavemente.” 


 


 


John Stuart Mill, Sobre a Liberdade,


Edições 70, Lisboa, 2006 (págs. 185-186 e 188-189),


traduzido por Pedro Madeira.