Leccionei em 13 escolas de Norte a Sul do país, tenho cerca de 30 anos de serviço docente quase ininterrupto, integrei uma equipa de coordenação de cerca de 50 estabelecimentos de ensino, mergulhei durante cerca de 10 anos em gestão escolar numa escola pública, lidei com procedimentos de gestão de empresas privadas e de organizações de utilidade pública e não me lembro, e escrevo-o com amargura, de uma situação tão indizível como a de Santo Onofre.
Quando estou dentro de uma sala de aula a coisa atenua-se. Mas quando estou presente numa qualquer reunião, o confronto com os procedimentos da organização escolar tira-me do sério. Entristece-me exercer a minha actividade profissional numa organização que recorre, em pleno 2010, a um processo de terraplenagem de toda a cultura organizacional que fez daquela escola, hoje sede de agrupamento, um exemplo de referência organizativa e de ambiente profissional.
Tenho assistido ao processo em curso com um bilhete de balcão. Não me confundo com o jogo de sombras que decorre no palco e nos lugares próximos. A possibilidade dos mega-agrupamentos, e o modo como nasceu por ali o novo modelo de gestão, começa a abrir brechas irreparáveis.
Recordamo-nos dos momentos recentes em que Santo Onofre era uma referência na histórica resistência dos professores. Depois de muitas peripécias, o ME resolveu instituir uma CAP (Comissão Administrativa Provisória) com 4 elementos. Apenas uma dessas pessoas leccionava no agrupamento. Meses depois, demitiu-se ou demitiram-na e a CAP ficou reduzida a três. Mais tarde, um grupo de professores (alguns da escola sede) decidiu pôr fim ao movimento resistente e viabilizou o CGT (Conselho Geral Transitório). Com o decurso do processo concursal/eleitoral (ao que dizem os especialistas é uma singularidade lusitana) constituiu-se uma direcção composta pelos restantes membros da CAP e por alguns dos professores que viabilizaram o modelo.
É público que a coisa não correu nada bem. Não estou a escrever nada que os próprios não se cansem de repetir à saciedade.
Mas o que agora me faz escrever sobre Santo Onofre é recente. Com a saga dos mega-agrupamentos a ameaçar os mandatos por cumprir, elementos do palco (não sei se um, se dois, se uma das partes, se ambas as partes) puseram à consideração a ideia de uma reunião geral de professores e de educadores onde se tentaria recuperar a aura da resistência de modo a defender a identidade cultural de Santo Onofre e o cumprimento dos mandatos.
Digam-me lá se aquela área geográfica não tem tendência para a excentricidade (isto para não escrever outra coisa)?
Espantoso!
ResponderEliminarNão me sai mais nada além da exclamação que tens ao lado do teu texto: "OH!!!".
A paciência tem limites, não é?
Um grande abraço...
reb
OPORTUNISTAS!!!!
ResponderEliminarNão me surpreende. Esses excêntricos oportunistas revelaram-se aos milhares. A área geográfica é todo o país, não só onde há tradição no artesanato em homenagem à fecundação.
ResponderEliminarGulosos calculistas pensaram que por aceitar a cenoura ainda teriam direito ao torrão de açúcar. Há sempre quem pense que é melhor um ovo hoje do que uma galinha amanhã. Podem envergonhar-se agora do lucro que alcançaram, ou pendurá-lo no membro com pés de barro, ao mesmo tempo que culpam o galo pelo prejuízo.
Grávido de esperança não resta ninguém, as escolas vão-se transformando em aviários, não é obra de uma só galinha.
Não surpreende quem os conhece...
ResponderEliminarOlá!
ResponderEliminarNão fiquei nada admirada!
Enfim...
Bj
Extraordinário! A "falta de vergonha" não deixa de me espantar ..
ResponderEliminarA mim só me ocorre que "cá se fazem......."
ResponderEliminarMas a lata humana não tem, realmente, limites!
Eu não chamo a isso excêntrico...essa é uma palavra boa de+ para os classificar a esses e aos outros parecidos com eles.
ResponderEliminaraqui pelo reino só haverá mega-agrupamentos em 2011/2012, se é que antes disso não forem ao ar buuuuuuuuuuuuuuum
beijo
"... a terra gira ao contrário
ResponderEliminare os rios nascem no mar..."
ResponderEliminarGULOSOS!
ResponderEliminarMais uma vez se confirma que o Paulo teve razão antes do tempo!!! E de que maneira. Imagino os rodriguinhos que andam aí na city.
Multiplicam-se as situações parecidas. Vergonhoso.
ResponderEliminarSurreal. Não tenho mais palavras.
ResponderEliminarA ética é uma característica inerente a toda ação humana e, por esta razão, é um elemento vital na produção da realidade social.
ResponderEliminarSegundo sei, foi um "actor" apenas que exprimiu um pensamento alto em C.P. e ninguém, nesse palco, subscreveu a ideia. Mas gostei do post, apesar de ter lido o conteúdo do mesmo já umas 53 vezes, do boato é que não!
ResponderEliminarDe Intervenção Prioritária
ResponderEliminarEra uma vez uma escola
Onde todos trabalhavam
Com a mesma camisola.
Anos mais tarde
Tornámo-nos referência
Com boas práticas de gestão
E enorme clarividência.
E eis que chega a bruxa
Que gosta de fazer mal,
Deu ordem para agrupar
E tudo na vertical.
E como se não chegasse
Ninguém pode dizer que minto
A bruxa ainda criou
O pior de todos os males - o 75
Surge a resistência
De norte a sul badalada
E que por isso mesmo
Trataram de pôr calada
Do poleiro cantavam
Os das secundárias
Longe de imaginarem
As medidas prioritárias.
Por gostar de aventuras
A ministra dona Alçada
Conseguiu neste país
Pôr directores à “estalada”.
E afinal de contas
Quem tinha toda a razão?
-Aqueles que foram condenados
por andarem fora de mão.
Ó Senhor de Matosinhos
ResponderEliminarÓ Senhora da Boa Hora
Ensinai-nos os caminhos
E levai-nos daqui p’ra fora...
Viva a todos os que comentaram este post. Alguns aparecem raramente e são pessoas que nunca esqueço
ResponderEliminarTenho o hábito de manter a discussão, mas com este volume fico-me por um obrigado.
Viva José Farto.
ResponderEliminarFez-me rir este comentário.
Boato? Qual boato?
Viva Isabel.
ResponderEliminarSem palavras.
Arrepiante e não diga mais nada.
ResponderEliminarESPANTOSO!!!!
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