O cómico e o trágico passeiam de braço dado. Têm alguma piada os fervorosos defensores de Cavaco Silva. Advogam a entrada imediata do FMI porque as contas do país estão a arder, mas querem pôr-se de fora das causas.
Não façamos juízos de carácter. Olhemos apenas para quem nos governou ou exerceu presidências desde que os fundos europeu deram entrada. Em 23 anos, Cavaco Silva exerceu o poder em 13: 8 como chefe do governo e os restantes como presidente.
Veja-se quem são e onde estão grande parte dos seus mais directos colaboradores. Se o tema do dia são as reformas dos políticos, será que os apoiantes de Cavaco Silva podem afirmar que o atual presidente nada tem a ver com isso?
Também escusam de proclamar que eleger Cavaco Silva é correr com Sócrates. Os mais fervorosos apoiantes do primeiro-ministro apoiam Cavaco Silva - ou juram não votar em Manuel Alegre - e lá sabem porquê.
Um homem é também as suas circunstâncias. A face oculta e o caso SLN e BPN são faces da mesma moeda. Se Portugal quer mesmo mudar de vida, tem de se libertar dos predadores da democracia.