Contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos, sensatos para aquele contexto, diga-se, para sobreviver nos comandos: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido. Vem isto a propósito dos especialistas que aconselham a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão à absolutização da estatística.
A sugestão para o tempo militar não subscreveu os modelos do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais de supervisão detectaram milhares de milhões em fuga porque só tiveram olhos para a média; para o homem médio.
Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora. O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.
Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos. Ou seja, é fundamental que as políticas olhem mesmo para além da média antes que esta se desloque para o extremo de mais baixos rendimentos.
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024
Do homem médio (2)
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