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domingo, 30 de novembro de 2025

Luc Julia diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico

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Há muito que se percebeu que a sociedade que aí vem informatizará tudo o que for para informatizar, automatizará tudo o que for para automatizar e que as aplicações digitais usadas para controlo e vigilância serão usadas para controlo e vigilância. É o nível 4 da transição digital. O nível 5, que será longo e incerto, inclui a inteligência artificial (IA) e a robotização (já usei estes argumentos noutros textos).


É muito interessante escutar um dos criadores da Siri ("a Siri é um assistente virtual da Apple que ajuda a realizar tarefas com comandos de voz: fazer chamadas, enviar mensagens, definir lembretes, procurar informações na internet e controlar dispositivos domésticos inteligentes". Para interagir com a Siri, pode-se, portanto, falar ou digitar os comandos. A Siri foi criada pela SRI International e adquirida pela Apple em 2010): um dos criadores da Siri, Luc Julia, e a exemplo de outros criadores deste universo que se afastam com mais ou menos humor, diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico e afastou-se. Além disso, os dissidentes são muito críticos dos algoritmos que varrem instantaneamente toda a internet e produzem (IA-Generativa) informação sem distinguir o que é verdadeiro ou falso. Agrava-se porque o algoritmo privilegia, na exibição aos utilizadores de todas as idades, os conteúdos que geram ódio e irritação, e que viciam, e que têm beneficiado os políticos que banalizam o mal, as mentiras constantes e a violência.


No universo escolar, também é muito questionável que se queira falar com um robô como se fosse um professor que ensina e ajuda a formar a personalidade. As redes sociais, tão caras à demagogia estridente, já o estão a fazer há uma década, mas o intelectualismo vintage estava tão inebriado com as tecnologia que nada via.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Na educação, temos um Governo na linha do executivo de José Socrates

 


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Na educação, temos um Governo na linha do executivo de José Sócrates (ou, em geral, "na de Passos Coelho com patine José Sócrates"). E antes do mais, e para lá do primeiro-ministro ter um perfil com semelhanças que tantos não se cansam de sublinhar, também recebe a cooperação estratégica de Cavaco Silva e o apoio de toda a direita. Mas na educação, onde, objectivamente, também regista a anuência de toda a direita, o Governo não só mantém intactos quatro eixos decisivos, como tudo fará para os desenvolver. A relembrar: proletarização da carreira dos professores, autocracia na gestão escolar, farsa avaliativa do desempenho com quotas e vagas (ou prémios de desempenho) e inferno burocrático como inversão do ónus da prova. E por fim, o Governo até traz à memória a saga do computador Magalhães (uma ideia que o pato-bravismo também destruiu), ao anunciar que quer "dar a cada aluno um tutor de IA que ouve, orienta e inspira a sua aprendizagem". Veremos como é que a inteligência natural fará a compatibilização desta epifania - a telescola 3.0 - com a proibição do smartphone e com os algoritmos que viciam as crianças e os adolescentes nos discursos de ódio e na desinformação.

Que não seja a telescola 3.0, mas principalmente a rede de recursos administrativos


"Governo quer usar a inteligência artificial para melhorar os serviços do Estado"


sábado, 11 de janeiro de 2020

Do Admirável Mundo Novo dos Algoritmos

 


É importante a discussão sobre a prevalência dos algoritmos em algumas áreas, nomeadamente na saúde e na justiça onde se poderá recuar em direitos: desde a relação do local de residência com a propensão para cometer crimes até à relação do custo da taxa moderadora da saúde ou do preço subsidiado dos medicamentos na relação com os hábitos de vida.