sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

voto sim




Voto sim.

Sim, no referendo marcado para Fevereiro de 2007, vou votar sim. E é simples: o aborto deve ser despenalizado, de acordo com a formulação da pergunta.

Toda a restante discussão, e já lá vão anos a fio em que esta temática é dissecada na nossa sociedade, parece-me um constante arremesso de pedras com efeito de bola de neve: ai dizes isso?; não me fico.

Só faltava agora as polémicas à volta do financiamento público aos movimentos: as desgraças habituais, perpetradas por quem desespera por mais uma boa oportunidade de negócio sem esforço mas com uma dose acentuada de esperteza.

Irra: não lhes chegou os fundos estruturais? Há novo quadro até 2013.

Haja decoro e respeito pelas mulheres.

Chega. Faça-se a campanha, vote-se, que ninguém se esqueça de o fazer, e que se mude a lei.

Assim o espero.

1 comentário:

  1. Sou um dos fundamentalistas que gosta de discutir as coisas a fundo. Acho lógico que quem acredita na imaculada concepção diga que o homem surge nesse momento.
    A maioria dos populares sempre compreendeu a necessidade dos "desmanchos" e, por isso, se instituem as profissionais para esse efeito, embora envoltas num segredo partilhado, por quase todos. De vez em quando, como agora, aparece um processo contra as mulheres por parte de alguém das elites, clérigo ou inquisidor.
    Para a maior parte das pessoas, a criança está aí quando nasce.
    O feto é uma vida humana que se está gerando que deve ser acarinhada e desejada.
    Quando é um tormento indesejado, surge a questão de até que altura é lícito destruí-lo. Quanto tempo deve a sociedade conceder à mulher para ela decidir? O DIU já é em si mesmo um processo abortivo! Até quantos dias, semanas? Apenas o tempo de ela descobrir naturalmente que está grávida e decidir-se, se essa for uma questão que se lhe ponha!
    As 10 semanas têm esse sentido. O feto é ainda um ser vivo sem sensibilidade, portanto, sem dor, sem qualquer consciência de si nem relação com o mundo.
    Não é uma decisão arbitrária, é uma linha que faz todo o sentido. Sabemos que quanto mais tarde for realizada a interrupção, mais grave é o acto. Por isso se fala em despenalização e não em legalização. A lei serve para estabelecer linhas demarcadoras no contínuo da apreciação dos comportamentos humanos. Porque penalizar quem vai a 121 km e não quem vai a 120? A lei tem que categorizar comportamentos e criar decontinuidades!
    Quem acha que a alma imortal entra no óvulo com o espermatozóide, deverá naturalmente abster-se de praticar essa interrupção, mas as que por motivos ponderosos da sua vida não vêm outro remédio que não seja o aborto, não serão penalizadas pela força da lei.

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