terça-feira, 26 de maio de 2009

conhece-se a culpa

 


 


 



(encontrei esta imagem aqui)


 


 


Numa rápida navegação pela blogosfera, dou com uma entrada muito reflexiva no  blogue Terrear.


 


Diz assim:


 



"Vitórias de Pirro


 

(...)

O ANO lectivo chega ao fim. Ouvem gritos e suspiros. Do lado, do ministério, festeja-se a “vitória”. Parece que, segundo Walter Lemos, 75 por cento dos professores cumpriram as directivas sobre a avaliação. Outras fontes oficiais dizem que foram 57. Ainda pelas bandas da 5 de Outubro, comemora-se o grande “êxito”: as notas em Matemática e Português nunca foram tão boas. Do lado dos professores, celebra-se também a “vitória”. Nunca se viram manifestações tão grandes. Nunca a mobilização dos professores foi tão impressionante como este ano. Cá fora, na vida e na sociedade, perguntamo-nos: “vitória” de quem? Sobre quê? Contra quem? Esta ideia de que a educação está em guerra e há lugar para vitórias entristece e desmoraliza. Chegou-se a um ponto em que já quase não interessa saber quem tem razão. Todos têm uma parte e todos têm falta de alguma. A situação criada é a de um desastre ecológico. Serão precisos anos ou décadas para reparar os estragos. Só uma nova geração poderá sentir-se em paz consigo, com os outros e com as escolas.

(...)

António Barreto, Público, 24 de Maio

(...)

Como aqui já escrevemos. Muitas vezes. Sobre estas vitórias que são uma desgraça. Sobre estes manuais de aplicadores que são signo sinal da nossa miséria (ainda que pretensamente legitimada para criar a ilusão da igualdade da "aplicação")."


 


 


É evidente que a responsabilidade por tudo o que está a desgraçar o poder democrático das escolas é do actual governo. Os professores lutaram muito e, para já, o que conseguiram foi evitar que o desastre fosse ainda maior.


 


Haverá ainda alguém que tenha a veleidade de afirmar que a escola não está, nesta altura, numa situação mais desventurada do que há quatro anos atrás?


 


Li as declarações do candidato número um às eleições europeias por parte do partido que suporta o actual governo. Já sabíamos que este governo estava a "reformar" na Educação. Agora ficamos a saber que também estava a revolucionar a desgraçada da dita cuja. A segunda asserção até pode ser válida: é uma verdadeira revolução neoliberal e neoconservadora na Educação: um retrocesso sem paralelo e em tempo acelerado. É obra, realmente.


 


 


 

2 comentários:

  1. Eu fico sempre perplexa com as "reflexões" do Matias Alves. Cada vez menos percebo o que ele quer dizer e fico sempre com a sensação de que ele quer estar bem com Deus e com o Diabo, ou dizendo de outra forma, dando uma no cravo e outra na ferradura.
    Penso que as posições oscilantes do Matias Alves a respeito do processo de avaliação dos docentes me fizeram descrer da sua objectividade e agora todos os comentários me parecem demasiado herméticos e sem verdadeiramente quererem dizer grande coisa...

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  2. É sempre um exercício difícil estar de ambos lados num qualquer conflito. Mas no caso em apreço (a actual, e já longa, "guerra" entre este governo com o poder democrático das escolas) pode mesmo dizer-se que é uma coisa estratosférica.

    Tenho ideia que o terrear, mas ultimamente nem tenho passado por lá, tem uma linha editorial que é francamente favorável às questões da luta dos professores.

    Procura um registo mais reflexivo. São registos.

    Isso vai?

    Força aí Helena. Esta luta é antiga, longa e difícil.


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