domingo, 6 de novembro de 2022

Medo de Ter Medo

A propósito do texto de Mário Silva que publiquei ontem, lembrei-me do que escrevi em em 3 de Junho de 2011:



"Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos foi de premeditação inconsciente embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação. 


A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão na carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. É a pensar nessa liberdade que votarei e na esperança de fechar este trágico capítulo."


 


2 comentários:

  1. há dados que permitem afirmar que a FranceTelecom foi consciente. De tal modo, que foi atingido o paroxismo do assédio moral, que obrigou o governo a intervir após uma enorme contestação social.
    Transformar a escola num curral onde apascenta um rebanho que segue bovinamente o pastor, é o sonho de poder do governante/dirigente travestido de democrata...

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  2. Consciente, mas sem a previsão de 35 suicídios.

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