quarta-feira, 24 de julho de 2024

É a modernização da máquina, sr. ministro!

 


A AD tem no seu programa uma passagem absurda em relação aos concursos de professores: colocá-los também pela área de residência. Acho que se percebe a impossibilidade, a exemplo do "acabar com a mochila às costas" do Governo anterior. Mas é um sinal da mesma família, o actual ministro dizer ao Público que "(...)imaginem estar a manter um concurso com esta dimensão todos os anos, em que o professor que agora está a 15 quilómetros, agora quer ficar a cinco quilómetros. É preciso pesar isso, porque ele sai de uma escola e gera rotação, gera instabilidade na escola, prejudica o projecto educativo dessa escola.(...)".


Então e o direito de aproximação à residência (que está no programa da AD)? E as vagas de quadro que abrirão em catadupa todos os anos por via das aposentações? Ou seja, não é qualquer projecto educativo que está em causa; pelo contrário, se a rede escolar for bem planeada e se a maioria dos professores for do quadro como nas sociedades desenvolvidas onde não faltam professores. E, já agora, a boa gestão exige elevar uma organização com todos os alunos que se matriculem e com todos os profissionais colocados por concurso público.


O que está em causa é a preguiça de uma máquina (anos a fio a empregar quadros partidários) que necessita gritantemente de modernização (e a gestão das escolas não escapa à mesma necessidade). Use-se o "Reconhecimento de Padrões" (vulgo Inteligência Artificial) nessa modernização. Dá trabalho e é menos lucrativo para as gigantes tecnológicas que investiram muito nos conteúdos e nas redes de recursos educativos? Claro que sim. Mas nunca se ouviu dizer que a democracia, e a sua governança, não dão trabalho, e, por outro lado, cada vez se tem mais certezas sobre a exposição excessiva das crianças e jovens à selva digital.


 

4 comentários:

  1. Muito, muito bom!

    ResponderEliminar
  2. Um professor universitário economista que ignora a assimetria de mobilidade no país, é uma incompetência cientifica grave. Nas áreas metropolitanas, há transportes publicos coletivos diversificados, dando possibilidade de escolha com uma despesa inferior ao veículo automóvel. No resto do país, 15 kms significa muitas centenas de euros de despesa anual em mobilidade automóvel, a única disponível. E portanto, temos profissionais com a mesma carreira remuneratória com despesas diferentes apenas porque vivem em regiões diferentes, e logo, uns têm mais rendimento financeiro disponivel que outros com a mesma remuneração, o que influencia a qualidade de vida.
    Se houvesse ADD para ministros, já não teria 10 e nem mérito...

    ResponderEliminar