terça-feira, 20 de outubro de 2026

Discuta-se a gravíssima crise da habitação de forma informada e sem tácticas de distracção.


Discuta-se a gravíssima crise da habitação de forma informada e sem tácticas de distracção. O assunto é sério e fragiliza a democracia. Não se centre a informação na forma dos protestos. Imagina-se a quem interessam eventuais agitações violentas.

Nestas acções há sempre gestos simbólicos associados. Quem se incomoda com os lenços da Palestina (e nem vou comentar o uso das tendas nem os preconceitos contra piercings e tatuagens), veja o brutal e inesquecível documentário "NAZA" sobre o genocídio em Gaza com recurso à IA e tome uma posição mais informada. Haverá quem os use, como se faz noutras situações com a Estrela de David em memória das vítimas do holocausto ou, numa versão diferente, obviamente, com o cravo vermelho para recordar o 25 de Abril.

Mas voltando à habitação, os media têm um papel fundamental na elevação do debate e na discussão informada que permite encontrar soluções, porque as haverá, e conhecer as posições das forças políticas. Já se percebeu quem, à direita, foi apanhado a aprovar legislação com a vã esperança de que os protestos não atravessassem a fronteira. Assisti a muita desinformação em mais de duas décadas de acções de luta dos professores (também canalizada por professores ou pelas suas organizações), mas a passagem do tempo torna indisfarçáveis as cambalhotas, as piruetas, os interesses inconfessáveis e até os mortais à retaguarda; no fundo, se muito do debate depende de quem está no Governo, nem sempre os acontecimentos são controláveis pelas tácticas.

Estava em Espanha, na zona de Madrid, durante alguns dos dias das manifestações por causa do comovente caso "Maricarmen", e foi exactamente o que aconteceu com resultados palpáveis em consequência de boa informação e debate político esclarecedor. Aliás, Espanha e Portugal têm, naturalmente, muitas coisas em comum, apesar dos portugueses viverem de costas viradas para os seus vizinhos. Por exemplo, a percentagem de habitação pública anda pelos 1% a 2% quando em vários países europeus atinge 30% a 40%. Acima de tudo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição garantem o direito à habitação e esta crise é um espelho do estado das democracias.

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