Mostrar mensagens com a etiqueta articular. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta articular. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de junho de 2024

Articular (2)

 



 


 


 


 


 


 


Articular, o verbo, é um modismo na linguagem do sistema escolar. Conjuga-se nas situações de maior embaraço. Por exemplo, quando nada mais resta para justificar a terraplanagem de escolas, as três pessoas do plural entram em acção; embora a terceira, e no futuro do indicativo (para dar alguma folga ao bem-pensante devaneio), seja a mais requisitada.


Têm sido inúmeros os modismos: a interdisciplinaridade, a flexibilidade, a formação pessoal e social, a formação integral, a cidadania, a sociometria, os objectivos mínimos, as metas curriculares, as aprendizagens essenciais e por aí fora. Enfim, um rol de conceitos - alguns com compreensível oportunidade histórica na fantástica massificação dos sistemas escolares - que remetem a burocracia escolar para o lugar que ninguém deveria desejar: inundação de procedimentos insanos que travam a emancipação da escola; como alguém que, e depois de mil passos, tem a sensação exaustiva que não saiu do lugar ou regrediu.


Quando se espreme os arautos do articular, o que sobra é pouco mais do que a socialização dos professores.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

(des)articular

 



 


(1ª edição em 26 de Julho de 2010)


O fenómeno articular nasceu em 1990 para enquadrar uma série de síndromas que ganhavam força e terreno. Foi aí que as teorias curriculares iniciaram um metabolismo de invenções técnico-pedagógicas, de má burocracia e de infantilização da aprendizagem; um processo imparável.


Para solidificar o edifício, construiu-se um modelo de gestão inspirado nas teorias tayloristas de organizar empresas: poucos pensam e muitos executam, processos muito burocráticos para a prestação de contas, imposição do uni-pessoal e vários patamares de lideranças intermédias com o consequente aumento dos custos financeiros. Este acervo de ideias seduziu tecnocratas com alergia às salas de aula, que se entretiveram a desenhar modelos como se a actividade lectiva não fosse o cerne da organização.


Inventaram um modelo que se testou em cerca de 30 escolas portuguesas de 1992 a 1998. O balanço foi negativo. Percebeu-se, por exemplo, a inutilidade dos departamentos curriculares que apenas apresentaram como positiva a diminuição dos membros dos conselhos pedagógicos - objectivo que se podia atingir de maneira diferente -.


Com o novo milénio, as sociedades consolidaram as ideias empresariais do downsizing e abandonou-se o taylorismo. O achatamento organizacional reduziu os patamares de decisão. Mas não no ME de Portugal, que teimou em caminhar à revelia da história, da modernidade e da racionalização da despesa.


Em 2005, impuseram-se as tais ideias que medravam desde 1990. Os desastrosos resultados estão à vista. Só não os regista quem não quer mesmo ver o estado de sítio organizacional a que se chegou.


 

sábado, 1 de outubro de 2011

articular


 


 


 


É mais relevante saber como ensina quem lecciona a mesma disciplina do que conhecer a didáctica das outras. Por isso é que ninguém se atreve a acabar com reuniões de grupo disciplinar e só defende a utilidade dos departamentos curriculares quem pouco sabe de cultura organizacional.


 


 


(1ª edição em 25 de Julho de 2010)

domingo, 21 de novembro de 2010

(des)articular

 


 



 


 


 


O fenómeno articular nasceu em 1990 para enquadrar uma série de síndromas eduquesas que começavam a ganhar força e terreno. Foi aí que se notou a saturação em relação à pedagogia por objectivos e em que as teorias curriculares iniciaram um metabolismo de invenções técnico-pedagógicas, de má burocracia e de infantilização da aprendizagem; um processo imparável.


 


Para solidificar o edifício, construiu-se um modelo de gestão inspirado nas teorias tayloristas de organizar empresas: poucos pensam e muitos executam, processos muito burocráticos para a prestação de contas, imposição do unipessoal e vários patamares de lideranças intermédias com o consequente aumento dos custos financeiros. Este acervo de ideias seduziu tecnocratas com alergia às salas de aula, que se entretiveram a desenhar sistemas como se a actividade lectiva não fosse o topo da hierarquia e para quem os saberes organizacionais da escola eram desprezíveis.


 


Inventaram um modelo que se testou em cerca de 30 escolas portuguesas de 1992 a 1998. O balanço foi negativo. Percebeu-se a inutilidade dos departamentos curriculares, que apenas apresentaram como aspecto positivo a diminuição dos membros dos conselhos pedagógicos - objectivo que se podia atingir de maneira diferente -.


 


Com o novo milénio consolidaram-se as ideias empresariais do downsizing e abandonou-se o taylorismo. O achatamento organizacional apelou à informação da chamada primeira linha e reduziu os patamares de decisão. Mas não no ME de Portugal que teimou em caminhar à revelia da história, da modernidade e da racionalização da despesa.


 


Em 2005 chegaram os iluminados que impuseram as tais ideias que medravam desde 1990, mas que os teimosos das salas de aula insistiam em questionar. Os desastrosos resultados estão à vista e só não os regista quem não quer mesmo ver o estado de sítio organizacional a que se chegou.


 


 


(1ª edição em 26 de Julho de 2010)

sábado, 24 de julho de 2010

articular (2)

 



 


 


Os programas escolares ou têm coerência vertical por quem os elabora ou nunca a terão. A coerência horizontal será apenas, e ainda bem, uma consequência de acasos felizes e nunca imperativos. Conhecer-se o que se leccionou no ano anterior ou se vai leccionar no ano seguinte, é uma tarefa inerente à profissão docente. O ponto de partida é saber por onde é que os alunos podem começar. Pouco interessa reunir periodicamente com quem lecciona no ano antecedente ou precedente, e muito menos no ciclo anterior ou seguinte. O argumento que advoga que na reunião se expia a atribuição da culpa ao ciclo anterior, resolve-se com cultura, desburocratização e ausência de reuniões desnecessárias e sem agenda. A socialização deve ficar para a pólis, ao critério dos sujeitos e sem imposições articulares.


 


É megalómano afirmar que a ideia de 2000 alunos num mesmo amontoado de escolas se justifica com a necessidade de articular. O que sabemos é que a redução da escala humaniza. Num outro sentido, conhecem-se algumas vantagens para os alunos na frequência das poucas escolas básicas integradas. Conhecemos que essas vantagens centram-se na oferta escolar que o desprezado primeiro ciclo português pode usufruir ao integrar-se numa cultura organizacional com outra dimensão. E isso só se faz numa escala que permita que cada aluno, e cada professor, e cada funcionário, se sinta como um sujeito da instituição. Esta asserção aceita o sucesso de todos os tipos de combinações: escola 1; escola 1+2; escola 1+2+3, escola 1+2+3+S, escola 2+3, escola 2+3+S, escola 3+S ou escola S.


 


 


Fim.

articular (1)

 


 


 


 


 


 


 



 


 


 


Articular, o verbo, é o modismo do momento na linguagem do sistema escolar e conjuga-se nas situações de maior embaraço. Por exemplo, quando nada mais resta para justificar a terraplenagem de escolas, as três pessoas do plural entram em acção; embora a terceira, e no futuro do indicativo (para dar alguma folga ao bem-pensante devaneio), seja a mais requisitada.


 


Já foi a interdisciplinaridade, a formação pessoal e social, a sociometria, os objectivos mínimos, a formação integral, a aprendizagem ao longo da vida (um eufemismo do eduquês que permitiu aprendizagens aos seres humanos - sujeitos até aí a agressivos processos de ensino - depois da maioridade) enfim, um rol de conceitos - alguns com compreensível oportunidade histórica e relevante papel na incontornável massificação dos sistemas escolares - que remetem a burocracia escolar para o lugar que ninguém deveria desejar: inundação de procedimentos insanos que travam a emancipação da instituição, como alguém que, e depois de mil passos, tem a sensação que não saiu do lugar ou que regrediu.


 


Quando se espreme os arautos do articular, o que sobra é pouco mais do que a socialização dos professores.


 


 


Continua.