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terça-feira, 6 de setembro de 2022

Obviamente Que Há Excepções


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Certa vez, ouvi o saudoso Eduardo Prado Coelho dizer literalmente assim: "uma ideologia é um conjunto de interesses inconfessáveis". Ideologias e religiões, que por muito que custe são da mesma família à luz do pensamento contemporâneo, não escapam a esta classificação e com uma ou outra excepção que não é facilmente identificável e que a imagem ajuda a complicar; e no escolar também acontece, obviamente, o mesmo.


Imagem: no Homo Sapiens de Harari.


2ª edição.




 

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Obviamente Que Há Excepções; até no Escolar

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Certa vez, ouvi o saudoso Eduardo Prado Coelho dizer literalmente assim: "uma ideologia é um conjunto de interesses inconfessáveis". Ideologias e religiões, que por muito que custe são da mesma família à luz do pensamento contemporâneo, não escapam a esta classificação e com uma ou outra excepção que não é facilmente identificável e que a imagem ajuda a complicar; e no escolar também acontece, obviamente, o mesmo.


Imagem: no Homo Sapiens de Harari.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ideologias e memórias

 


 


 


Foi há mais de vinte anos (22) que assisti a uma genial conferência de Eduardo Prado Coelho sobre corporeidade. A determinada altura, o conferencista afirmou: "Uma ideologia encerra sempre um conjunto de princípios inconfessáveis".

Sei que a polémica à volta da bondade das ideologias é interminável. Também sei que a conclusão do saudoso Prado Coelho encerra uma dose elevada de cinismo. Mas a afirmação é, no mínimo, um belo ponto de partida para uma interessante e oportuna discussão.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

mais pelas palavras

 


 


 



No tempo em que não havia google nem sequer internet, e considerando a informação preciosa que se perdia, dediquei-me à construção de bases de dados para alguns assuntos. A dos "ficheiros secretos" tem entradas com resumos de conferências. Andava à procura das questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo, que colo mais abaixo, imperdível "Palavra e tentação". As questões foram colocadas assim:



Muito obrigado.


Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.


Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo?


Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?



A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".


 



 

sábado, 31 de maio de 2014

Ideologia e responsabilidade

 


 


 


 


1ª edição em 30 de Janeiro de 2014. 


 


 


 


 


Como há tanta informação preciosa que se perde, dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos.


 


A dos "ficheiros secretos" tem centenas de entradas e algumas incluem resumos de conferências. Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda numa conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.


 


Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo imperdível "Tentação e palavra" e nessa viagem revi Eduardo Prado Coelho.


 


As questões foram colocadas assim:


 


Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.


Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?


 


A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".


 


 


 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

da blogosfera - verbiário volátil

 


 


 


Para uma ontologia paradoxal do corpo, por Eduardo Prado Coelho: introdução






Encontrará vários post, este é o primeiro, sobre uma célebre conferência sobre o corpo.




Os conferencistas foram Eduardo Prado Coelho e José Bragança de Miranda.




Estive presente com a companhia do editor do blogue. Já dei nota, pelo menos aqui e aqui, desse dia inesquecível no auditório da Faculdade de Motricidade Humana.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

cyborg

 


 



 


 


Por me interessar por várias coisas ao mesmo tempo, percebi que tinha de me organizar e dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos. A dos ficheiros secretos tem várias entradas e algumas incluem resumos de conferências.


 


Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na mesma conferência sobre corporeidade, em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.


 


Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.


Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações são de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?


 


A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e pensar um bocado, foi sábia: o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O homem médio

 


 



 


 


O meu amigo deixou-me ficar a fotocópia com "O fio do horizonte" do inesquecível Eduardo Prado Coelho, datado de 26 de Setembro de 2003. Não tem rasto na rede que permita trazê-lo. São tão imensas "As florestas que caminham" (a lead diz assim: "O homem médio é aquele que aceita viver "como os porcos" - sem singularidade") que não resisti em homenagear o autor "soletrando" as palavras.


 


"O livro é um panfleto, claro. E isso justifica o título, bastante demagógico: "Vivermos e pensarmos como porcos". Quanto à capa, nem falamos: é um desses monumentos de "kitch" em que não sabemos se o mau gosto é denunciado, se é exposto com alguma complacência. E se tivermos em conta que o autor, Gilles Châtelet, não é minimamente conhecido entre nós, e, para além deste, o único livro que publicou em França é de uma leitura extremamente difícil, então podemos supor que uma obra como esta, agora lançada entre nós pela Temas e Debates, está praticamente condenada ao fracasso. Mas seria muito injusto. Gilles Châtelet começou por ser um matemático altamente sofisticado que associa ao seu saber específico uma sólida formação profissional. Nesse aspecto aproxima-se do perfil de um dos grandes nomes do actual pensamento francês (e basta vermos a atenção que o mundo anglo-saxónico lhe dedica): Alain Badiou. Não será por isso um acaso que a última vez que vi Gilles Châtelet foi no restaurante Balzar, em Saint-Michel. conversando precisamento com Badiou. Parecia de tal modo entusiasmado que custa a imaginar que algumas semanas depois o jornal traria a notícia do seu suicídio.  Mas o entusiasmo era a marca de Gilles Châtelet. Não posso esquecer algumas das suas intervenções públicas, com uma voz poderosa, um ar possuído, numa espécie de transe mental que nos deixava estupefacto. Gritava certas fórmulas, que depois repetia, num eco insólito de quem ganhava fôlego para novo cometimento, atacava ferozmente os adversários, criava uma permanente encenação do seu próprio discurso. Neste livro-panfleto, o título "Vivermos e pensarmos como porcos", introduz um tom. Para um desejo óbvio de revolução, Gilles Châtelet não vai buscar as categorias tradicionais da sociologia. Para ele, existe um adversário, que é o "homem médio", abstracção construída para uma adequação aos mecanismos niveladores do mercado. Produto das estatísticas (que são, como o nome indica, técnicas com que o Estado tenta regular o real). O homem médio é aquele que aceita viver "como os porcos" - sem sentido de singularidade, sem um ideal que o apaixone, sem o valor da heroicidade. A formação do "homem médio" cria o individualismo metodológico e a teoria dos jogos aplicada às ciências sociais. Mas cria sobretudo a obsessão do consenso. O homem médio articula três realidades: "Foi ao articular essas três entidades temíveis - o número ventríloquo da "opinião", o número pestanejante dos "grandes equilíbrios socioeconómicos", e finalmente o número cifra da estatística matemática - que ele se tornou a peça principal da cretinização" que domina as sociedades contemporâneas. Ao homem médio contrapõe-se o "homem qualquer"; aquele é igual a qualquer um, mas igual pela singularidade absoluta de que cada um é capaz. O homem qualquer está no campo dos heróis, anónimo e singular: é ele apenas porque é ele, mas nesta diferença absoluta está tudo aquilo que faz que certos homens continuem a ser, no meio do estupidificante individualismo de massas, "florestas que caminham"."