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sábado, 3 de setembro de 2022

e para onde caminha a profissionalidade dos professores?

 


 


Estamos longe de concluir sobre os efeitos do domínio da máquina sobre o homem.


Recupero uma passagem interessante.


 


 



 


 


DeLillo, Don (2010:92). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.


 


 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

O currículo e um debate interessante

 


 


 


"Dissonância completa" é um post do Paulo Guinote que lança um debate muito interessante sobre a actualidade curricular portuguesa. Não sei se há no actual Governo uma opção pelo corpo musculado (e tecnológico, o corpo organológico) ou sequer uma opção pela Educação Física (espartana) em detrimento da Motricidade Humana (ateniense). Existe, e objectivamente, um desprezo pela Filosofia e pela História que não é de agora; foi uma opção espartana. Aliás, essa subalternização começou com o "espartano" David Justino e teve um pico com Nuno Crato (o Paulo Guinote inclui Crato numa 3ª via: a draconiana; concordo se retirarmos da mente que Drácon ou Draconte foi um legislador ateniense :) ). Nos governantes intermédios houve desnorte: uma espécie de desvario entre "o que penso ser e os ventos que sopram" que resultou na manutenção da via curricular espartana.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

mais pelas palavras

 


 


 



No tempo em que não havia google nem sequer internet, e considerando a informação preciosa que se perdia, dediquei-me à construção de bases de dados para alguns assuntos. A dos "ficheiros secretos" tem entradas com resumos de conferências. Andava à procura das questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo, que colo mais abaixo, imperdível "Palavra e tentação". As questões foram colocadas assim:



Muito obrigado.


Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.


Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo?


Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?



A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".


 



 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A escola a tempo inteiro e a avaliação dos deputados do PS

 


 


 


 


Passar do eduquês I (escola a tempo inteiro com afectos) para o eduquês II (escola a tempo inteiro com exames) é "suportável" uma vez. A rotatividade "eterna" (temos décadas de alternância) explica o burnout de professores e os persistentes números de insucesso e abandono escolares.


 


Centremos o debate no seguinte ângulo de análise: o importante estudo do cérebro continua a concluir que é mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento sobre o seu funcionamento; António Damásio, por exemplo, sublinha-o no sentido do texto na imagemO ensino, a aprendizagem e os desenhos curriculares não escapam a isso. O alargamento curricular tem fundamentos e só em discussões ideológicas datadas é que se advoga o regresso ao back to basics (ler, escrever e contar). Quando um sistema escolar está "tão avançado" que se dá ao luxo de cortar investimentos, o conhecimento exige que o faça por igual nas diversas áreas.


 


É precisamento por isso que a humildade é inalienável. Quando se decide nestes domínios, avalia-se o estado em que se encontra essa qualidade imprescindível a um sistema escolar. Nuno Crato e Lurdes Rodrigues eliminaram-na, embora a "rotatividade" eduquesa tenha raízes anteriores. É o espaço de fusão entre as duas versões do eduquês que parece, fatalmente, de pedra e cal. Os deputados do PS que o digam a propósito da avaliação da sua produtividade.


 


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Daniel Kahneman (2011:73), "Pensar, Depressa e Devagar", Temas e Debates, 


Círculo de Leitores, Lisboa.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

do gesto

 


 


 



"(...)O gesto é extremo porque o espírito está a cessar a sua actividade. É o fim da consciência. É por isso que o corpo fica destrambelhado. O corpo mostra-nos o que está a acontecer ao espírito. Assim como a amargura de uma pessoa lhe verga o corpo. É este o aspecto físico da consciência. É assim que ela se debate e se agita com brutalidade, quando o fim é súbito e violento e o espírito não está preparado.(...)"



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DeLillo, Don (2010:521). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

vantagens e desvantagens

 


 


 


 


Estamos longe de concluir sobre os efeitos do domínio da máquina sobre o homem. É incontestável que inúmeros humanos passam grande parte do tempo diário ligados a uma máquina a interagir. Os minutos restantes destinam-se a dormir e a dominar a ansiedade pela ausência de ligação.


 


Encontrei uma passagem que aborda as vantagens da máquina, digamos assim, numa perspectiva que nos tem acompanhado em Portugal nos últimos anos e no sistema escolar em particular.


 


 



 


 


DeLillo, Don (2010:92). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.


 


 


 

sábado, 31 de maio de 2014

Ideologia e responsabilidade

 


 


 


 


1ª edição em 30 de Janeiro de 2014. 


 


 


 


 


Como há tanta informação preciosa que se perde, dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos.


 


A dos "ficheiros secretos" tem centenas de entradas e algumas incluem resumos de conferências. Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda numa conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.


 


Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo imperdível "Tentação e palavra" e nessa viagem revi Eduardo Prado Coelho.


 


As questões foram colocadas assim:


 


Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.


Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?


 


A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".


 


 


 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

da blogosfera - verbiário volátil

 


 


 


Para uma ontologia paradoxal do corpo, por Eduardo Prado Coelho: introdução






Encontrará vários post, este é o primeiro, sobre uma célebre conferência sobre o corpo.




Os conferencistas foram Eduardo Prado Coelho e José Bragança de Miranda.




Estive presente com a companhia do editor do blogue. Já dei nota, pelo menos aqui e aqui, desse dia inesquecível no auditório da Faculdade de Motricidade Humana.

sexta-feira, 23 de março de 2012

as palavras do corpo

 


 



 


 


 


É o último livro de Maria Teresa Horta. Li a entrevista no Ípslon da semana passada e perdi-a. Encontrei-a online e recomendo. Ficou-me uma passagem que relembra tempos que não deviam regressar.


 


"Diante da sua nova antologia de poesia erótica, As Palavras do Corpo, Maria Teresa Horta recapitula uma vida inteira de risco e de exposição, de leitura e de escrita: “Para mim, escrever é voo e sobressalto, incêndio e desmesura”(...)


 


Então não era uma menina "bem", de linhagem aristocrática, numa Lisboa que fora capital de um Império mas que era, na altura, quase provinciana?

Nunca fui uma menina "bem", pelo contrário. Desde os cinco, seis anos, as amigas que eu escolhia, à revelia dos meus pais, eram rapariguinhas da minha idade ou um pouco mais velhas, que moravam em barracas de madeira junto de uma ribeira, nos fundos de uma pequena mata, para além de um muro baixo que às escondidas todos os dias saltávamos, na parte de trás do jardim da casa de Benfica onde morávamos. A primeira aprendizagem do conhecimento da realidade, fi-la em sua companhia, pois elas sabiam da vida aquilo que eu nem sonhava, pelo avesso mesmo do meu imaginário de menina protegida, defendida, já a ser programada para o papel de passividade, de mulher-sombra, de mulher-sopro, de mulher-nada; aniquilamento exigido às mulheres das classes privilegiadas de um Portugal fascista, triste e medíocre. Desde logo, porém, a minha família se apercebeu ter em mãos um grave problema: fazer-me aceitar essa "lavagem ao cérebro", essa programação de feminização de classe; havia a minha desobediência selvagem.(...)"

domingo, 12 de fevereiro de 2012

cyborg

 


 



 


 


Por me interessar por várias coisas ao mesmo tempo, percebi que tinha de me organizar e dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos. A dos ficheiros secretos tem várias entradas e algumas incluem resumos de conferências.


 


Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na mesma conferência sobre corporeidade, em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.


 


Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.


Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações são de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?


 


A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e pensar um bocado, foi sábia: o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia.