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domingo, 8 de dezembro de 2013

da velocidade e da história

 


 


 


 


Vivemos tempos tão velozes que nem as "narrativas históricas" escapam à voracidade. Bastam uns dois a três anos para que o revisionismo histórico se tente impor com a adulteração dos factos e a manipulação dos dados disponíveis. Não é nada de novo, mas o que apenas me surpreende é a velocidade com que se vão ajustando os discursos à volta dos testes PISA; tomando como exemplo esses relatórios por continuarem na agenda mediática.


 


Sobre Mandela passa-se algo comum, embora com um horizonte temporal mais distendido e com um impacto social e político incomparavelmente diferente. A velocidade com que se tenta canonizar o político é perigosa para a luta em defesa da democracia e dos direitos humanos. Desconhecer que Mandela foi um homem com defeitos e virtudes é injusto para o próprio. Mandela foi um político guerrilheiro e que lutou com as armas à sua disposição. Para além disso, e como sublinhei aqui, é fundamental perceber quem Mandela combateu e os motivos que o levaram a optar pela luta armada em detrimento da não violência. Tudo isso mais eleva o seu comportamento apaziguador que permitiu à África do Sul chegar à actualidade sem um banho de sangue generalizado.


 


É isso que leio no texto espantoso (o melhor que li sobre o assunto), que vai ao osso, de Roberto Carneiro hoje no Público, de que destaco um pedaço sobre as Comissões de Verdade e Reconciliação (CVR).




 


"(...)Faço o relato de um desses "julgamentos".


Um fazendeiro boer, homem rude e grotescamente inescrupuloso, fazia, do alto do seu 1,90 m de altura, uma descrição sádica do que fizera aos familiares de um jovem adolescente, com idade não superior a 16-17 anos, único sobrevivente do massacre levado a cabo na propriedade do primeiro.


"É verdade. Matei o teu pai à paulada. Quanto mais ele gemia, mais forte lhe acertava com o maço, na certeza de que o calaria. A tua mãe, que assistiu à morte do teu pai, cortei-a às postas, com que alimentei os porcos na pocilga. Às tuas duas irmãs, violei-as repetidamente e chamei os meus colaboradores directos para assistirem, e banquetearem-se de seguida com os corpos jovens e apetitosos que lhes oferecia, após o que as matei sumariamente, a seu pedido, em nome da preservação das suas honras."


E, continuava, por aí fora, caprichando numa prosa ignóbil, perante o nojo dos jurados, que, entre estupefactos e revoltados com tão animalesca descrição, se viam compelidos a escutar, indefesos, o incrível rol de barbáries e de violências em catadupa.


Findo o martírio de uma narrativa digna de uma besta repugnante, o presidente da CVR vira-se para o jovem negro, silencioso, por cujas faces rolavam grossas pérolas salgadas de um mar revolto que lhe invadia as entranhas, e interpela-o:


"Tens alguma coisa a dizer?"


"Sim", afoita-se o jovem, subitamente recomposto por uma notável serenidade.


Olhando de frente o sabujo criminoso, olhos nos olhos, diz-lhe numa candura de voz que nos deixou, a todos nós, gélidos: "Perdoo-te! (I forgive you!)"


Foi a estupefação generalizada na sala de audiências.


Encerrada a sessão pública, dirigi-me ao jovem que se mantinha cabisbaixo, a um canto, confortado por outros jovens amigos que, na circunstância, o procuravam animar após a duríssima prova a que se submetera. 


Num impulso irrefletido, interpelei o jovem: "Como foste tu capaz de perdoar àquele animal, àquela besta destituída de princípios de moral, àquela vergonha da espécie humana?" 


Respondeu-me ele: "O senhor é estrangeiro, não é? 


E, perante o meu assentimento de cabeça, rematou lesto: "Pois é. Não pode compreender. É que cada um de nós, sul-africanos, transporta dentro de si um pequeno Nelson Mandela". 


Dei-me subitamente conta, só então, de como a grandeza de alma do Madiba tinha modelado o espírito sul-africano elevando a capacidade de perdoar – de que ele dera testemunho eloquente – à condição estruturante da filosofia de vida do seu povo sofrido. E, mais, pelo exemplo superior, soubera fazer sentir a uma população ressentida, e ávida de vingança, que só no perdão se encontra a verdadeira e duradoura redenção humana! 


Escusado será esclarecer, que os jurados, longe do espírito reconciliador do Madiba, votaram por unanimidade a não-concessão de amnistia ao repugnante réu…"









sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

"- Sim, Marnus. Até as maçãs nós trouxemos para este país"

 


 


 


Este post vai ao osso. Aconselho os mais susceptíveis a não o lerem.


 


Como o racismo é um dos piores flagelos que transporta o ódio entre os seres humanos, vou usar a cor da pele para caracterizar as pessoas. Perceberá a decisão mais à frente.


 


O dia está preenchido pelo falecimento de Nelson Mandela. Leio algumas divergências quanto ao período anterior à prisão de Mandiba.


 


Mandela não foi perfeito? Pois bem. Mandela combateu os Africandêr (também conhecidos por boers, de predominância holandesa com mistura de alemães e franceses) que dominaram o poder na África do Sul durante o apartheid. Este grupo de fanáticos, que martirizou os negros sul-africanos, é também conhecido por ter trazido as maçãs holandesas para a pátria de Mandela.


 


Já se sabe: a violência gera violência. Mark Behr, um sul-africano branco, natural da Tanzânia, é um escritor do nível dos prémios Nobel J. M. Coetzee e Nadine Gordimer. O seu dilacerante romance (1995), amplamente premiado, "O Cheiro das Maçãs", é incontornável para se perceber quem Mandela combateu e para se entender ainda melhor a sua invulgar humanidade (e todos os outros substantivos e adjectivos que se vão lendo e ouvindo).


 


A obra de Mark Behr é impossível de generalizar a todo um grupo de pessoas? Claro que sim. Nem todos os sul-africanos brancos se reviam na cultura africânder, nem mesmo alguns destes. Mas o que Mark Behr nos explica é o comportamento médio dos Africandêr e a origem do seu ódio. Foi considerado um contributo decisivo para  convivência civilizada entre as pessoas na África do Sul.


 


 


 


 



 


 


A imagem da biografia de Mark Behr não está muito legível mas lê-se.


 


 



 


 


 


O narrador do romance é Marnus, um jovem branco na puberdade. Frikkie é um amigo seu, branco, desde o pré-escolar.


 


 



 


 


Leu bem. O romance desmascara, em 200 páginas, a mentalidade africânder com uma ironia devastadora. Aconselho a leitura. Escolhi umas quatro passagens que, como disse, vão ao osso. Se é mesmo susceptível, pare por aqui. Se leu a "Manhã Submersa" de Vergílio Ferreira talvez não estranhe. Os paralelos vão para além da geografia.


 


O romance é preenchido pela mesma intensidade destes bocados.


 


A cena começa com um serão em casa de Marnus. Frikkie está presente. Os pais de Marnus e um general também. 


 


 


 



 



 


 


 


Depois, vão todos dormir na casa dos pais de Marnus onde passaram o serão. Dei um salto nas páginas, mas parece-me suficiente para se perceber o tal cinismo difuso de Marnus.


 


 


 



 


Não publiquei a página seguinte para não ir para além do osso. 


 


Antes de terminar o post com o final do romance, testemunho uma das minhas perplexidades com o comportamento dos Africânder nas férias grandes que passavam na então Lourenço Marques, cidade onde eu vivia.


 


Os Africânder eram racistas em primeiro grau. O local que mais frequentavam na capital moçambicana era a Rua Araújo onde se prostituíam, desde muito jovens, as negras moçambicanas que só tinham uma alternativa de emprego: serem criadas (era assim que se denominava a sua segunda escolha) das famílias brancas portuguesas. Os meus amigos mais velhos aproveitavam a época para abrirem "a caça às bifas" (que eram as muito jovens Africânder, brancas, casadas com os tais boers que inundavam a Rua Araújo) que ficavam "abandonadas" e que gozavam da fama de fáceis.




Lembrei-me de contar estes detalhes para introduzir o leitor no texto final. False Bay (Afrikaans Valsbaai, Baía Falsa em português) existe mesmo.


 


 


 



 


 


 

tem tanto de simples como de difícil com tanta ganância que enfrenta

 


 


 



 


 


 

julgo que gostaria

 


 


 


Julgo que Nelson Mandela gostaria que se publicassem vídeos assim neste dia.


 


 








quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

nelson mandela - sempre

 


 


 


 


 






Nelson Mandela é um ser humano de referência e um exemplo para o mundo. Depois de anos a fio em cadeias de alta segurança, um dos seus primeiros gestos de liberdade foi um entender de mão aos líderes dos seus fanáticos opositores: e não esqueçamos, falamos de cruéis inimigos que martirizaram o povo que Mandela defendia.


 


Nelson Mandela faleceu hoje. O Madiba deixou-nos. O seu exemplo perdurará.


 


 








 


 

domingo, 11 de julho de 2010

espanha campeã do mundo

 


 



 


Vi a final do África do Sul 2010. Gostei muito do jogo. Duas verdadeiras equipas disputaram um jogo intenso e que exigiu uma concentração total. Os espanhóis têm melhores jogadores e uma excelente ideia de jogo. São uns justos campeões do mundo. Imagino a descarga espanhola no final do jogo. Os holandeses foram vice-campeões porque só uma equipa pode levar a taça. Valeu.


 


Mandela percebeu há muito a importância do desporto como factor aglutinador e não faltou à festa de encerramento.


 


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

mandela - 20 anos depois da sua libertação

 


 


Num dia já muito distante escrevi o parágrafo que pode ler a seguir. Não mudo uma vírgula.


 


Nelson Mandela é um ser humano de referência e um exemplo para o mundo. Depois de anos a fio em cadeias de alta segurança, um dos seus primeiros gestos de liberdade foi um entender de mão aos chefes dos seus fanáticos opositores: e não esqueçamos, estamos a falar de cruéis inimigos que martirizaram o povo que Mandela defendia.