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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A rápida desorientação com os os resultados PISA

Na verdade, o PISA 2025 da OCDE diz que os alunos portugueses regrediram na Leitura (estão piores do quem 2000), nas Ciências e na Matemática. Recorde-se que Portugal estava no fim da lista em 2000 (no 1º PISA) para além de ter partido muito atrás quando entrou em democracia na década de 1970. Melhorou e, em 2015, "ficou pela primeira vez acima da média da OCDE" (dados obtidos em 2014 com alunos de 15 anos que frequentaram o 4º ano em 2009 e o 6º ano em 2011 — portanto, sem as provas finais no 4º e 6º anos introduzidas em 2012).

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Alunos portugueses regridem, desastrosamente, na Leitura (estão piores do em 2000), nas Ciências e Matemática, diz o PISA 2025 da OCDE, e não deve haver responsáveis




Apesar de muitos investigadores desconsiderarem os resultados do PISA, há decisores de políticas educativas que os consideram como farol. O desastre que é a descida dos resultados do PISA 2025 (Leitura, Matemática e Ciências) em quase todos os países da OCDE responsabiliza também as recomendações da própria organização.

Antes do mais, note-se que estes testes são os resultados de 15 a 20 anos de políticas da Educação; mas não só. São aplicados, de três em três anos, a alunos com 15 anos de idade e nunca a todos os alunos de um país. São seleccionadas amostras, ao contrário do que acontece na avaliação externa das aprendizagens em Portugal. Por cá, até provas de aferição são aplicadas a todos os alunos de um determinado ano de escolaridade e sempre com uma fatal desconfiança nos professores que torna infernal a logística das provas: calendários, vigilâncias, correcções e secretariados (já agora, o PISA 2025 diz que os professores portugueses dão mais atenção aos alunos do que a média europeia, e que, pelo contrário, as famílias desvalorizam e não incentivam o trabalho e a aprendizagem.)

De facto, as políticas educativas avaliam-se 20 anos após a sua aplicação. Esta constatação — paciente, consensual e fundamental — evidencia factores determinantes para a queda das aprendizagens:

1. O aumento brutal das desigualdades educativas;

2. Um clima de fatal desconfiança nos professores que gerou escassez estrutural destes profissionais em todo o Ocidente e o descrédito de uma avaliação contínua exigente;

3. A mercantilização e queda dos orçamentos da Educação; 

4. A adicção tecnológica das crianças e jovens perante a irresponsabilidade de adultos inebriados por um intelectualismo vintage.

Na verdade, o PISA 2025 da OCDE diz que os alunos portugueses regrediram na Leitura (estão piores do quem 2000), nas Ciências e na Matemática. Recorde-se que Portugal estava no fim da lista em 2000 (no 1º PISA) para além de ter partido muito atrás quando entrou em democracia na década de 1970. Melhorou e, em 2015, "ficou pela primeira vez acima da média da OCDE" (dados obtidos em 2014 com alunos de 15 anos que frequentaram o 4º ano em 2009 e o 6º ano em 2011 — portanto, sem as provas finais dos 4º e 6º anos  introduzidas em 2012).

Era o resultado das políticas educativas das décadas de 1990 até meados de 2000. Foi por essa altura que a equação neoliberal atingiu o sistema educativo português. Foram 20 anos de políticas autocráticas e de fatal desconfiança nos professores (os professores portugueses são os mais atingidos pela indisciplina nas salas de aula e pela burocracia analógica e digital) e de descrédito de uma avaliação contínua e exigente.

Aliás, o país é também o mais instável nas avaliações externas das aprendizagens (repita-se: aplicadas sempre aos alunos todos e nunca por amostra reduzida). É uma área muito exposta aos fanatismos ideológicos e quase impossível de estudar. E tem vindo a piorar. Tudo muda a cada mudança de maioria política e sempre com a fatal desconfiança nos professores como pano de fundo. Por exemplo, as provas finais (2012) nos 4º, 6º e 9º anos obedeciam à referida logística infernal de vigilância e organização das provas (e originavam, logo no 1ª ciclo, rankings de escolas com esses resultados, quadros de mérito académico e centros de explicações; já agora, Singapura aboliu tudo isso em 2018 e continua no topo em 2025 em todos os domínios). Acabaram, com regozijo administrativo, digamos assim, porque infernizavam as escolas entre os meses de Abril e Outubro provocando interrupções sistemáticas e prolongadas das aulas - essa prática tão desconhecida pelos sucessivos governantes da Educação. Foram substituídas (2016) por desastrosas provas de aferição para os 2º, 5º e 8º anos (associadas a outras políticas trágicas que exaustivamente detalhei) que, por sua vez, deram lugar (2024) a um conjunto de decisões irresponsáveis e autocráticas que culminaram no caos vigente dos exames do Ensino Secundário.

Por fim, esta realidade agrava-se com a crescente falta estrutural de professores. Se até 2023 os governantes negavam o flagelo, a partir de 2024 os actuais prometeram resolver a tragédia de uma penada. Caíram na realidade num exercício de flagrante impreparação. A situação é muito preocupante. Aumenta o número de alunos por turma, usa-se serviço extraordinário a eito (estava praticamente extinto desde 1998) e 75% dos professores que experimentam a profissão declaram vontade de mudar na primeira oportunidade.

Nota: como os resultados são o que são, os atuais governantes não os assumirão. Claro que fariam o contrário se houvesse uma qualquer melhoria, como fizeram com o PISA 2015 com dados obtidos em 2014 com alunos de 15 anos que não fizeram as provas finais nos 4º e 6º anos introduzidas em 2012 — as quais, nesse domínio, se assumiram como um corte com o ciclo PS de 2005 a 2011. E podia ficar aqui a tarde toda a dar exemplos destes de outros quadrantes partidários.