Há publicações assim: comecei a escrevê-la em Dezembro de 2007 e só agora a consigo concluir. Tem uma explicação: foi tão fantástica a experiência que vivi que queria descrevê-la com todo o cuidado. O tempo foi passando e fui adiando a redacção. Não é a primeira vez que passo por um processo semelhante, pelo contrário. Quando fica tudo tão bem gravado, não corro o risco de perder da memória as impressões essenciais.
Recebemos um convite e ficámos expectantes: assistir à leitura encenada de uma peça que o Teatro da Rainha vai levar ao palco lá para os finais de 2008. Era a primeira vez que íamos assistir a uma sessão deste género. Como temos visto a totalidade dos espectáculos da companhia desde que, em boa hora, beneficiámos do seu regresso às Caldas da Rainha, tínhamos a certeza de que ia valer a pena. E assim foi: uma experiência única.
A antiga lavandaria do Hospital Termal, um sótão que transforma-se num deslumbrante espaço teatral, recebe a leitura encenada do texto, "Lavrador da Boémia", de 1401, de Joannhes von Tel: um lavrador que combate a morte.
Num cenário lindíssimo, com detalhes inesquecíveis, desde as pinturas de João Vieira - quatro quadros marcantes, quer em termos de desenho quer no valor cromático - à parte central do cenário com uma interessante alusão aos círculos do inferno de Dante.
Fernando Mora Ramos e António Durães, o lavrador e a morte, realizam a leitura encenada. Situei-me do lado do lavrador, gosto de tomar partido, e lutei com ele. O texto, considerando a sua datação, é de uma riqueza surpreendente.
Nem sei como estas coisas se processam, mas, parece-me, que devo ficar por aqui. Temos que aguardar pela estreia de "A pluma é a minha charrua", o novo título do espectáculo.
Participámos no debate. Fizemos as nossas amadoras sugestões. Gostámos do ambiente e percebemos que vivíamos um momento que seria bom que se repetisse.
Esperamos, ansiosos, pela subida ao palco.
Promete muito. Voltarei ao assunto.
olá Paulo,
ResponderEliminarGosto, especialmente ,do título deste seu post.E do seu olhar sobre as coisas. É muito sugestivo. Ficamos a aguardar com expectativa a representação desta peça.
Lá estarei, tb.
Obrigado. Pareceu-me que este deveria ser o novo título da peça. Voltarei ao assunto, como disse. O texto é belíssimo. Os cenários e banda sonora são sublimes. A coisa promete muito. Estou em pulgas. Abraço.
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