domingo, 18 de janeiro de 2009

do desastre que se anuncia

 


 


 (Este pequeno texto é uma reedição. Fiz uma alteração no terceiro parágrafo)


 


Já se conhecia a difícil equação em que residia a combinação de uma escola simultanemente inclusiva e exigente (exigente, numa leitura da promoção do mérito).


 


Sabia-se da necessidade de existir uma escola exigente numa sociedade inclusiva.


 


O que não se imaginava, era que o partido socialista pugnasse por uma escola a tempo inteiro numa sociedade exclusiva e ausente. Uma escola só, digamos assim.


 


É disso que nos relata o presente desastre em que vivem as escolas públicas portuguesas.

6 comentários:



  1. "O que não se imaginava, era que o partido socialista acreditasse na ideia de uma escola inclusiva e exigente numa sociedade exclusiva e ausente."
    Concordo. Mas não lhe chame socialistas. Nem na forma nem no conteúdo.
    Uma escola inclusiva não passa, forçosamente, por incluir os professores em tarefas que ultrapassam os seus domínios. A sociedade está ausente. E a culpa é nossa?

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  2. Viva.

    Claro, referi-me ao partido socialista que é a força política que apoia este conjunto de desastres. Mas "nem na forma nem no conteúdo" respeitam o ideário do partido de que fazem parte. Temos aí a primeira culpa, digamos assim: o próprio ps. Bem sei que ps é muito grande, bem sei que o ps tem pessoas que me habituei a muito respeitar, mas, e tirando um ou outro caso isolado, as vozes parecem dominadas pela lógica de "aparelho".

    A culpa é nossa ? Boa questão. No meu caso pessoal, já que votei no ps, tenho algumas responsabilidades. Todavia, desenvolvi, antes e depois deste conjunto de políticas, o que estava ao meu alcance.

    A culpa é nossa pela ausência da sociedade? Julgo que todos os cidadãos devem ter a coragem exigida para a manifestação da discordância. A menos que nem percebem a actualidade e o que existe: e muitos não percebam ou vivem alheados do real e das suas consequências. Mas exigia-se mais da sociedade.

    A culpa é nossa? Não, a culpa é do ps.

    A culpa é nossa (dos professores)? Nesta matéria, de certeza que não. A massificação do sistema de ensino fez-se, nestes 30 anos, com o empenho de milhares de professores que se foram esgotando em domínios que ultrapassaram a sua especificidade: o ensino.

    Agora, não é reconhecido mas desvalorizado. O lugar do impensado, digamos assim.

    Abraço.

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  3. "O que não se imaginava, era que o partido socialista acreditasse na ideia de uma escola inclusiva e exigente numa sociedade exclusiva e ausente."

    hummm... não há evidências de que o partido socialista acredita na ideia de uma escola inclusiva e exigente, Paulo.

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  4. Estava a preparar-me agora mesmo para escrever um artigo no meu blogue sobre os nossos inimigos naturais - isto, em parte, para contrabalançar e clarificar a série que estou a escrever sobre política de alianças, que tem sido alvo de algumas críticas. Neste artigo, é minha intenção abordar de passagem a tensão entre inclusão e exigência. O Paulo me dirá, depois, o que achou.
    Abraço

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  5. Claro Miguel, por isso se anuncia um desastre. Até podemos acreditar que todos desejamos uma sociedade inclusiva e uma escola que ensine: os resultados das actuais políticas é que são os que são.

    Mas podemos questionar os actuais decisores sobre a questão que referes: isso é mais do que seguro.

    Abraço.

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  6. Viva José Luiz.

    Tenho lido, claro, a série sobre as políticas de alianças. Concordo com a generalidade. É evidente que a questão da escola de hoje ter de ajudar a "guardar" os alunos (no II) tem tanto de polémico como de "perigoso".

    Esta tensão (escolha acertada) entre inclusão e exigência é mesmo a equação das últimas décadas e que se terá de projectar no futuro: a escola isolada é que nem ajudará como naufragará, parece-me.

    Espero então por mais uma bela prosa :)

    Abraço José Luiz.

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