domingo, 24 de novembro de 2013

das fardas

 


 


 


 


 


Em 9 de Junho de 2013 escrevi assim no post intitulado "Gente Perigosa":




 


"A TSF foi, ontem, o único contacto com o "mundo da informação". Viajei umas horas de automóvel e apanhei uma entrevista em directo ao SE Hélder Rosalino que o I resume de forma distante. Ouvi com atenção um testamento da tragédia que assola a administração pública. Rosalino disse que é o decisor primeiro da vida profissional de milhares de funcionários públicos e está em roda livre.


 


Rosalino é um ultraliberal e até é das acusações mais brandas que se repetem. Compreendo-as melhor agora. O que mais me impressionou na entrevista foi o entusiasmo com que disse: "gosto de gerir pessoas"; algo que qualquer "gestor de pessoas" da France Telecom não desdenharia.


 


Rosalino gosta de "gerir pessoas" no âmbito nacional. É a sua experiência. A proximidade e os "olhos nos olhos" devem embaraçá-lo, mas está tão determinado e seguro que a ambição de "gerir pessoas" só parará na escala planetária. Rosalino não é um gestor mobilizador e não gere procedimentos ou instrumentos de gestão. Fala dos seus semelhantes como recursos (a exemplo dos financeiros ou materiais) cognitivos e produtores e despidos de emoções, sentimentos e expectativas. Rosalino olha o humano através de um recuo de décadas e durante quase uma hora evidenciou que a tragédia financeira que nos consome também é da sua responsabilidade e de Vitor Gaspar. Gente perigosa, tecnocratas com muito poder sobre as pessoas e inchados de convicção.


 


A requalificação foi um tema muito focado. Rosalino teve dificuldade em pronunciar o grupo profissional dos professores. Mostrou-se impaciente. Não é o único. Abordou o assunto como relata o I mas, com o entusiasmo, foi mais longe e revelou um profundo desprezo por quem tenha mais de cinquenta anos (e pelos outros também, claro). São mesmo os descartáveis de Rosalino. A requalificação é um eufemismo. Para o SE, estes improdutivos devem ser empurrados para uma reforma com forte penalização, para rescisões amigáveis ou para o subsídio de desemprego. É um ideia que já vem do Governo anterior e que fez escola nestes jovens eternos. Como foi possível esta gente ter este poder? Não será por acaso que o Público não se cansa de repetir a fotografia que lá encontrei."






Ao que parece, e pelo que vai ler a seguir, este SE tem plenos poderes.


 


 



 


 


 


Recebi por email, devidamente identificado,


o recorte do Expresso de 23 de Novembro de 2013,


primeiro caderno, página 5.







2 comentários:

  1. "Fala dos seus semelhantes como recursos (a exemplo dos financeiros ou materiais) cognitivos e produtores e despidos de emoções, sentimentos e expectativas."

    É isto que é desumanização, não é (lendo o blogue do fim para o princípio)?

    Isto é um erro de gestão, pois o que caracteriza "os recursos humanos" é terem sentimentos, emoções e expetativas.

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  2. Já te dei a minha opinião ao comentário anterior.

    Mas também concordo com este comentário.

    É também um forma de desumanização com o aumento da escala. Neste caso, os despedimentos, requalificações e por aí fora são desenhados numa escala que nunca obedece aos "olhos nos olhos". São apenas as regras administrativas que definem os critérios.

    Tão simples como "Isto é um erro de gestão, pois o que caracteriza "os recursos humanos" é terem sentimentos, emoções e expetativas."

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