1ª edição em 11 de Janeiro de 2012.
Peso bem o que escrevo e recebi alguns emails a propósito deste post onde escrevi que "(...) mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco-governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com o pior do PREC e da ditadura de Salazar. (...)". Dizem-me que posso estar a exagerar na preocupação com o regresso a um passado que parecia arredado da possibilidade histórica e do futuro.
Se fizermos um exercício de memória, saberemos que no período que antecedeu o 25 de Abril de 1974 os directores das escolas eram nomeados pelo poder central e que a dificuldade no conhecimento das personagens no mais recôndito dos lugares era superada pela informação do partido único do regime: a União Nacional. A escolha que as graças determinassem recebia o mandato e a não limitação temporal do seu exercício.
Os mais distraídos devem saber que muitos dirigentes dos partidos que nos vão governando defendiam, e defendem, a nomeação pelo poder central dos directores escolares, após auscultação das estruturas locais do respectivo partido político, e que só se depositou a sua eleição nos actuais Conselhos Gerais porque o critério obedeceu à lógica experimentada pelo PREC (os extremos tocam-se), onde as populações se apropriaram do poder das instituições do estado numa prática que se revelou desqualificada e promotora da ausência de profissionalidade e de prestação de contas. Foi assim e já só estamos a um passo da plena realização.
No período que antecedeu a revolução dos cravos, a esmagadora maioria dos professores não pertencia aos quadros e não progredia na carreira. Os que conseguiam uma posição mais profissional ou obedeciam aos ditames do regime ou eram empurrados para uma situação censurada e de exclusão vinculativa.
Existia uma obsessão com os denominados saberes essenciais. Esse empobrecimento civilizacional foi contrariado anos depois do 25 de Abril de 1974 e permitiu à sociedade portuguesa uma cavalgada impressionante na aproximação à sociedade da informação e do conhecimento que se veio a estabelecer.
Perante os factos, e podiam ser muitos mais, convenço-me que temos razões para temermos uma regressão civilizacional que abalará os alicerces da democracia. Se o argumento decisivo é a redução da despesa, importa questionar, como, de algum modo, se fez na altura, a razão que leva a neo-União-Nacional a não prescindir do desvario na gestão de fundações, de PPP´s ou da administração local. É que, e continuando a fazer paralelismos, não se percebe o que queremos quando afirmamos que o sistema escolar é uma prioridade nacional.
"Os mais distraídos devem saber que muitos dirigentes dos partidos que nos vão governando defendiam, e defendem, a nomeação pelo poder central dos directores escolares e que só se depositou a sua eleição nos actuais Conselhos Gerais porque o critério obedeceu à lógica experimentada pelo PREC"
ResponderEliminar- Sugeres aqui que a eleição de conselhos gerais que nomeiam os diretores era uma prática do PREC?
Excelente reflexão!
ResponderEliminarA escassa representatividade dos docentes que compõem o Conselho Geral - órgão que nomeia o(a) Director(a) de uma escola - não foi determinada ao acaso (cerca de um terço).
É grave a teia que se vai expandindo no que diz respeita à gestão da coisa pública, com o intuito de manter o seu controlo total.
Não Luís. Acrescentei: "(...)onde as populações se apropriaram do poder das instituições do estado numa prática que se revelou desqualificada e promotora da ausência de profissionalidade e de prestação de contas. Foi assim e já só estamos a um passo dessas circunstâncias." Estamos a um passo das circunstâncias descritas. Para já, ultrapassámos o meio caminho.
ResponderEliminarAbraço.
Obrigado Ana. Concordo com o que escreveu.
ResponderEliminarObrigada, Paulo, por seres ainda a voz que se faz ouvir e por defenderes a escola pública (que ainda temos).
ResponderEliminarEspero que os pais se manifestem também contra as medidas economicistas, em defesa dos interesses dos seus filhos.
Um abraço,
Anabela
(anix)
pensando bem
ResponderEliminarObrigado Anix.
ResponderEliminarAquele abraço.
Percebeste agora?
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ResponderEliminarO sistema escolar é uma prioridade, unicamente para os professores, que são os lacaios do próprio sistema.
A regressão civilizacional é já uma realidade e os alicerses da democracia não estão abalados, ruíram mesmo.
Vai demorar muito tempo a reconstruir tudo e não vai ser fácil.
Os pontos todos nos iiii, parabéns!
ResponderEliminarNão há qualquer exagero da tua parte: A rede foi lançada sobre o povo.Isto é um ajuste de contas com o 25 de Abril.
ResponderEliminarObrigado Sandra.
ResponderEliminarOs portugueses já estão habituados, Isabel.
ResponderEliminarNão tinha visto a coisa assim. Quem sabe.
ResponderEliminarExcelente reflexão. Parabéns.
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