Os problemas da escola pública não se esgotam, obviamente, na importante questão dos "privados" e uma qualquer manifestação em sua defesa tem que ter mais pontos de agenda. É que há vida para além das finanças. Há, por exemplo, a democracia.
"O director de turma deve ser avaliado, com pontuação rigorosa e cotas, pelo abandono escolar dos alunos". A frase que escolhi, dita com convicção por Lurdes Rodrigues, sintetiza um conjunto de "Novas Políticas de Gestão Pública" que se tornou fatal para a escola pública.
Se desconstruirmos a frase, encontramos: desresponsabilização da sociedade, escola a tempo inteiro, crianças-agenda e jovens-vigiados em simultâneo com o estatuto do "aluno-rei", transformação da carreira de professores em "agentes recreativos" e modelo taylorista de gestão escolar com sobreposição da lógica, "impensada" em educação, do "cliente-tem-sempre-razão".
Não satisfeitos, novos governantes acrescentaram: mais alunos por turma, mais turmas por professor, indústria de exames, divisão curricular em disciplinas estruturantes e outras, degradação da imagem do professor e da organização da escola pública. Com uma década assim, que resultados se esperariam? Não faltam, portanto, pontos fundamentais para agendar.
Onde e quando disse tal coisa aberrante tão singela senhora?
ResponderEliminarFoi tal a estupefacção que é impossível esquecer. Foi numa entrevista televisiva aí por 2007. Já andei à procura do post e ainda não o encontrei. Há outras fases lapidares, mas esta condensa bem uma série das ditas Políticas.
ResponderEliminarAlém dessa também propunha a ADD baseada nos resultados dos exames e inclusivé, a exclusividade total e absoluta na profissão, não podendo exercer sequer atividade não remunerada e/ou voluntária. Essa coisa grotesca não pode ter a classificação de Homo sapiens...
ResponderEliminarMas provavelmente o objetivo era obter os resultados desastrosos para justificar a implosão do estatuto público da escola...