É natural que apareça um "manifesto que pede menos poder para os directores escolares", que é uma forma de defender a alteração do que existe e o "regresso da democracia às escolas". Foi em 2008 que Lurdes Rodrigues impôs, com a ajuda obstinada de Sócrates e o apoio fervoroso do arco governativo da altura, o modelo vigente, que é uma espécie de "pilar" sobrevivente. Os outros - professores titulares, estatuto do aluno-cliente e avaliação dos professores - caíram por inaplicabilidade (isto para ser brando), embora o último mantenha um estado deplorável de faz de conta ajudado pelo congelamento eterno das carreiras. Estes quatro "pilares" dilaceraram a atmosfera relacional nas escolas, que foram de seguida flageladas pelo além da troika apimentado com dois devaneios cratianos: indústria de exames e afunilamento curricular. Pergunta-se: mesmo assim os resultados dos alunos melhoraram? Claro que sim; até dos menos favorecidos. Há muito que se sabe que cerca de 60% do sucesso escolar se deve à sociedade (com destaque para a ambição escolar das famílias). Os restantes 40% (a organização das escolas e o desempenho dos professores) beneficiaram da capacidade de resiliência dos segundos como os estudos internacionais não se cansam de sublinhar (são os melhores dos países da OCDE a adaptar as aulas aos alunos).

Olá. Já li, obrigado. Há várias leituras possíveis sobre estes manifestos. Os agrupamentos são anteriores a lurdes rodrigues. Começaram no início do milénio para agrupar horizontalmente escolas do primeiro ciclo. Depois foram subindo nos ciclos e lurdes rodrigues viciou-se nos cortes a eito- A troika, com o além crato, fez o resto. Agora é preciso recuperar alguma sanidade. Não é fácil. O neoliberalismo torna as pessoas muito individualistas e centradas, naturalmente, em salvar a pele. Nesse clima é tudo ainda mais difícil. Mas parece-me que se respira outro ar.
ResponderEliminarEmbora encapotados, os pilares continuam:
ResponderEliminar- professores titulares sob a forma da graduação e da nomeação para cargos feita com base nela (cargos que decidem muito do que se faz na escola);
- aluno-cliente sob a forma da competição inter-escolas para captação de alunos, usando a capa do ranking, para contornar o nº de alunos por turma evitando os horários-zero;
- ADD com continuação pujante, mantendo o espectro de um putativo descongelamento da progressão, acenando com as quotas de excelente e muito bom que poderão no cenário hipotético, evitar as quotas de vagas para progressão.
- e os mega-agrupamentos, com o horizonte de se transformarem em giga-agrupamentos, descaracterizando o conteúdo humanista da escola e implementando o taylorismo educativo, tão acarinhado por aquelas elites que desejam o dominio da massa servidora.
Concordo.
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