"Ter uma carreira" passou a politicamente incorrecto no final do século passado e as "novas políticas de gestão pública" corporizaram a precarização. Há uma geração, hoje na casa dos quarenta, que começa a duvidar da bondade do conceito. Os jovens adultos aceitam e assumem a ideia até que a idade avance. E por que é que falo de gerações? Exactamente porque os que iniciaram a dúvida perceberam que são descartáveis e substituíveis pelos mais jovens com argumentos financeiros ou de imagem. A precarização retira rede quando ela se torna imperativa. Para além do que foi dito, será grave que as administrações públicas continuem a perder pessoas integradas em carreiras que exigem histórico de saberes e maturidade nas decisões.
É politicamente incorrecto. E um colossal "privilégio".
ResponderEliminarFomos bombardeados com o não há empregos para a vida, com o empreendedorismo, com o aprender a aprender. Um sentimento de culpa instalou-se, juntamente com o fomentar da ideia geração mais nova vs geração grisalha, sendo que a geração grisalha tem o privilégio de ainda pensar numa carreira. Junte-se a isto os livrinhos vermelhos dos ex maoistas Helena Matos e J M Fernandes "Este país não é para jovens" e temos o algoritmo (?!) certo.
F Ulrich, bem mais pragmático, reforçou tudo isto com o famoso "Ai, aguenta, aguenta".
Muito bem observado, se me permite.
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