sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Para além das Culpas

 


Encontrar culpas pode ter um efeito prospectivo. Muitos escolhem os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade da revolução francesa para explicar os problemas de autoridade nas salas de aula, nomeadamente a transposição do conceito de igualdade para a relação do professor com os alunos. É impossivel resumir desse modo a complexidade de leccionar. Mas há questões que se colocam de forma simples e em dois domínios: o aluno deve ser "o outro" e não "o igual" para garantir o poder democrático da escola e, em consequência disso, da sociedade.


De modo nenhum esta asserção deve ser confundida com a vivência democrática da escola como organização. O que se trata é de clarificar a quem compete organizar e orientar o ensino. Esta entrevista ao filósofo espanhol Fernando Savater vai nesse sentido. O sistema português das últimas décadas precipitou-se demasiadas vezes numa direcção: o aluno "igual" começou na família e no pré-escolar e projectou-se no inferno burocrático e no excesso de garantismo. Mais do que encontrar culpados, importa não repetir erros.

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