"Em Portugal sabiam tudo, não tinham dúvidas e nem sequer podíamos fazer perguntas. Cheguei a Londres, fui investigar com os melhores do mundo e eles nada sabiam, estavam cheios de dúvidas e ávidos de quem os questionasse", foi mais ao menos assim que a investigadora da área de medicina descreveu a mudança da Faculdade de Medicina de Lisboa para o mais conceituado centro de investigação, na Grã-Bretanha, durante a ditadura portuguesa (finais dos anos sessenta).
É um retrato significativo. O país das trevas, do analfabetismo, da pobreza e dos sabichões, poucos, que constituíam a "elite", não desapareceu. Mais de quarenta e cinco anos depois, e com avanços inquestionáveis, Portugal ainda tem que gramar com a presença dos que sabem tudo. É evidente que evoluíram e até revelam uma ignorância: a atmosfera descrita pela investigadora.
1ª edição em 25.04.2016

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